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Parkinson: médicos usam código genético para criar tratamento personalizado

Pornpak Khunatorn/iStock
Imagem: Pornpak Khunatorn/iStock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

02/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Para o Parkinson, doença neurólogica que afeta os movimentos dos pacientes, só existem tratamentos para combater os sintomas
  • Uma equipe de médicos israelenses busca encontrar os genes responsáveis por causar a doença
  • Com base nas informações dos pacientes, os especialistas tentam agora criar um tratamento personalizado para cada um

O Parkinson é uma doença neurológica e progressiva que atinge o sistema nervoso central, prejudicando os movimentos dos pacientes. O quadro ocorre pela diminuição ou falta de dopamina, substância química cuja função é facilitar a transmissão de mensagens entre as células nervosas, para realizar os movimentos voluntários do corpo de forma automática.

Apesar dos esforços para encontrar tratamentos eficazes, atualmente, as abordagens funcionam apenas para conter os sintomas.

Em entrevista exclusiva ao VivaBem, os cientistas israelenses Orly Elpeleg e David Arkadir, especializados em doenças neurológicas como Alzheimer e Parkinson, declararam acreditar que a esperança para mudar o prognóstico dos pacientes acometidos por demências está no código genético. Hoje, os especialistas dirigem uma pesquisa que analisa o DNA de pacientes e membros de suas famílias com o objetivo de criar tratamentos personalizados.

Quem são os médicos

Orly Elpeleg, pediatra e geneticista, é diretora do Departamento de Genética no Hospital Univesitário Hadassah. Ela, que usava seu conhecimento para a identificação de defeitos genéticos causadores de doenças raras em crianças, já contribuiu, junto com sua equipe, para o reconhecimento de mais de 100 novos genes.

A médica uniu forças com David Arkadir, diretor do Departamento de Doença de Parkinson e Desordens de Mobilidade no Hospital Universitário Hadassa, em busca de identificar os genes responsáveis pelas alterações que causam o Parkinson.

A pesquisa

Com um máquinas e um sistema de inteligência artificial, a equipe médica consegue realizar um sequenciamento capaz de ler o DNA de cerca de 300 pacientes em 27 horas. "Primeiro, precisamos conhecer o fenótipo de cada indivíduo para saber como são, já que cada pessoa que tem Parkinson é diferente. Enquanto um paciente perde o equilíbrio em pouco tempo, outro poderia ficar estável por muitos anos", explicou Elpeleg ao VivaBem.

Além do genoma, a equipe realiza exames de imagem de ressonância magnética e testes fisiológicos para ter uma avaliação individual de cada um —hoje, a pesquisa conta com pacientes de seis famílias diferentes.

Com as informações, os especialistas procuram por genes responsáveis pela doença —alguns já foram identificados — e examinam pessoas jovens com parentes com o quadro em busca de alterações.

Testando medicamentos

De acordo com David Arkadir, apesar de todas as informações sobre a doença e sobre os pacientes, no momento atual, não há muito a se fazer. Por isso, com base no grande bancos de informações, o time de especialistas está criando novas drogas e as testando de maneira que não afete os pacientes diretamente.

Primeiro, a equipe coleta uma cultura de células da pele dos voluntários. "Em laboratório, modificamos as células para que elas correspondam a células do cérebro", aponta Elpeleg.

Em seguida, os médicos testam diferentes drogas produzidas em seus laboratórios para observar como as células respondem. "É uma forma de não precisar dar um remédio para um paciente testar e depois de seis meses perceber que não está funcionando e ter que colocá-lo novamente em teste. A ideia é criar um tratamento personalizado", indica a especialista.

O futuro da genética

Atualmente, os métodos de leitura de genoma já são muito avançados, mas os médicos conseguem fazer pouco com as informações. "Somos ótimos em ler, mas ainda não muito bons em editar", aponta Elpeleg. Para o futuro, a esperança é que a ciência avance a ponto de conseguir alterar informações no DNA, o que seria a chave para a prevenção e cura de diversas doenças.

"Assim, conseguiríamos evitar que crianças nasçam com deficiências e que adultos desenvolvam doenças como Parkinson e Alzheimer", conclui a especialista.

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