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Pessoas que não sabem ler ou escrever têm maior risco de demência

Ler e escrever pode prevenir demência - iStock
Ler e escrever pode prevenir demência Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

14/11/2019 16h09

Um estudo revelou que pessoas analfabetas têm de duas a três vezes mais chances de desenvolver demência, em comparação com aquelas que sabem ler e escrever. Os resultados foram publicados no periódico Neurology, na quarta-feira (13).

Apesar da melhoria do acesso às escolas, ainda existem em todo planeta 750 milhões de jovens e adultos no mundo que não sabem ler nem escrever. A taxa do chamado "analfabetismo absoluto" no Brasil, por exemplo, é de 6,8%. Segundo o IBGE, no grupo etário 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das pessoas de cor branca alcança 10,3% e, entre as pessoas pretas ou pardas, amplia-se para 27,5%.

"Nosso novo estudo fornece mais evidências de que a leitura e a escrita podem ser fatores importantes para ajudar a manter um cérebro saudável", diz a principal autora da pesquisa, Jennifer J. Manly, da Universidade de Columbia (EUA).

Como o estudo foi feito

  • Os cientistas reuniram 983 pessoas e pediram para que elas respondessem à pergunta "Você já aprendeu a ler ou escrever?". Os participantes foram separados em grupos de acordo com a resposta: 237 eram analfabetos e 746 eram alfabetizados.
  • A maioria nasceu e cresceu em áreas rurais da República Dominicana, onde o acesso à educação era limitado. Em média, eles tinham 77 anos e frequentaram a escola por, no máximo, quatro anos.

  • Os participantes fizeram exames médicos e testes de memória e raciocínio no início do estudo e a cada 18 meses ou dois anos, por uma média de quatro anos.

  • No início do estudo, 35% das pessoas que não sabiam ler ou escrever já tinham demência. Por outro lado, 18% dos participantes alfabetizados apresentavam a doença. No final do estudo, 48% dos analfabetos haviam desenvolvido demência, enquanto 27% do outro outro desenvolveram a condição.

Ler e escrever pode prevenir demência

Os autores do estudo descobriram que a alfabetização estava ligada a pontuações mais altas nos testes de memória e pensamento em geral, não apenas nas pontuações de leitura e idioma. "Esses resultados sugerem que a leitura pode ajudar a fortalecer o cérebro de várias maneiras que podem ajudar a prevenir ou retardar o aparecimento de demência", diz Manly.

A explicação seria porque essas atividades promovem uma espécie de reserva cognitiva, que melhora a capacidade do cérebro de encontrar soluções alternativas para os problemas. Isso, segundo os pesquisadores, compensaria os sintomas da doença de Alzheimer, por exemplo.

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