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Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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O que muda quando um novo irmão chega?

luanateutzi/iStock
Imagem: luanateutzi/iStock

Fábio de Oliveira

Da Agência Einstein

07/11/2019 13h49

Pai, mãe e filho: o trio que até então constituía a família se torna um quarteto depois de 9 meses. A chegada do novo integrante desse núcleo, seja um irmão ou uma irmã, requer planejamento e envolve uma série de variáveis, segundo a psicóloga Soraya Azzi, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Em outras palavras, isso abrange desde questões emocionais até financeiras.

"Os pais precisam ter um apoio familiar, dos amigos e até dos membros de instituições religiosas que frequentam", diz Soraya. E hoje, muito mais do que no passado, o custo de ter um segundo filho também pesa muito nessa equação. É preciso levar em conta se ambos no casal trabalham, os gastos com a educação do primogênito, plano de saúde e por aí vai.

Por falar no primogênito, ele deve ser preparado pelos pais para essa nova fase. Sua adaptação vai depender da idade, além do nível emocional e cognitivo. "Uma criança de 2 anos tem dificuldade de entender a ausência da mãe que está no hospital e precisa de convivência diária com o bebê para compreender que ele veio para ficar", explica Soraya.

"Uma de 8 anos consegue expressar sentimentos de ameaça com a chegada do novo irmão, mas compreende que sua mãe vai ficar internada por três dias e voltará para casa." Com um adolescente de 15 anos, pode até rolar um ciúme. No entanto, a preocupação com o estado da mãe e do irmão já é uma realidade para ele.

Num período marcado por tanta novidade, o recomendável é evitar outras grandes mudanças. Um filho a mais à vista pode estimular os pais a procurarem uma casa maior, muitas vezes em outro bairro. "Uma criança de 3 anos vai ter de se adaptar a uma nova casa, provavelmente a uma nova escola e ao irmão", descreve a psicóloga. "É muito estressante para ela."

No hospital
A mãe foi dar à luz. Ela talvez fique até três dias no hospital, ou seja, 72 horas afastada do filho mais velho, fragilizada fisicamente e sem poder pegá-lo no colo como de costume. Ao vê-la nesse estado, a criança pode ficar assustada e não com o irmãozinho, como muitos pensam. "Nesse momento, a mãe tem de mostrar que está com saudades do filho, deixar claro que ele lhe faz falta e, aí, apresentar o bebê", conta Soraya.

Vale destacar que cada pequeno vai reagir de maneira particular à situação. "Existem crianças com personalidade mais agressiva, irritadiças, outras são mais tolerantes", explica a especialista. Além disso, os pequenos de poucos anos de vida ainda não são capazes de modular as emoções, sentem amor e raiva intensos. Um menino ou uma menina mais crescidos já conseguem ter noção de que manifestam sentimentos opostos por uma mesma pessoa. Curtem o irmão, mas sabem que não vão tirar férias por causa dele. E encarar frustrações, afinal, faz parte do processo de amadurecimento.

O entorno da criança é outro ponto que merece atenção. A situação financeira dos pais, sua rede de suporte e até mesmo se o pai vai assumir algumas tarefas da mãe depois da gestação influenciam o pequeno. "Ele precisa saber que há outra pessoa que pode cuidar dele", explica Soraya. Madrinha, padrinho e avós também podem assumir esse papel.

Depressão
Estima-se que 20% das mulheres que dão à luz tenham depressão pós-parto. "Se a mãe se sentir mais fragilizada, irritada, que não está dando conta de mais um filho, ela deve pedir ajuda", aconselha Soraya. "Isso é importante para a saúde emocional de toda a família."

Para o bebê, a figura materna é essencial. Isso porque a sobrevivência dele depende dela. Para saber se se trata de um quadro depressivo, é preciso passar pela avaliação de um profissional.

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