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Usar ducha higiênica todos os dias pode causar algum problema?

Pergunte VivaBem ducha
Imagem: Fernanda Garcia/UOL VivaBem

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

05/11/2019 04h00

Não, a ducha higiênica não traz risco se usada na parte externa do ânus, mesmo se for diariamente. Alguns médicos, inclusive, não recomendam o uso de papel higiênico para se limpar depois de fazer cocô. Isso porque a pessoa pode acabar passando a folha várias vezes ou com força na região, o que pode machucar a pele. Havendo resíduos de fezes no local, abre-se espaço para infecção. Usar o chuveirinho seria mais higiênico e seguro nessa situação.

Por outro lado, quem faz uso da ducha higiênica para realizar lavagem retal, seja por conta de uma constipação intestinal, seja para a limpeza do ânus antes da relação sexual, precisa ficar atento. Introduzir a ducha no canal anal para limpar o reto pode, sim, causar diversos problemas, como lesão na mucosa retal, sangramento, infecção, hemorroidas, alterações da flora bacteriana e piora no quadro de prisão de ventre. Além disso, quando a lavagem é realizada diariamente pode deixar o intestino "preguiçoso", pois o organismo se acostuma a evacuar apenas mediante esse processo. Por fim, dependendo da força do jato de água, pode perfurar a mucosa retal ou a intestinal, levando a problemas ainda mais graves.

Compartilhar o chuveirinho com outras pessoas que fazem a lavagem retal é contraindicado, pois pode transmitir ISTs, como o HPV. Se for utilizar a mesma ducha, higienize-a antes com água, sabão e álcool. Pacientes com constipação intestinal grave devem consultar um gastroenterologista para orientação sobre o melhor tratamento, em vez de fazer da lavagem retal um hábito. Para quem costuma lavar a área para a relação sexual, já existem no mercado produtos de uso pessoal e descartáveis para limpeza anal. Esqueça os laxativos e supositórios, que, além de ineficientes, podem trazer problemas como inflamações locais.

Fontes: Alexandre Sakano, gastrocirurgião da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo; Carlos Walter Sobrado, professor do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e membro titular da FBG (Federação Brasileira de Gastroenterologia); Décio Chinzon, gastroenterologista do Hospital das Clínicas da FMUSP e presidente eleito da FBG; e Rodrigo Barbosa, cirurgião do aparelho digestivo dos Hospitais 9 de Julho e Sírio-Libanês (SP).

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