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Sugestionabilidade: dá para ter sintomas de doença só de ouvir falar nela

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Imagem: iStock

Simone Cunha

Colaboração para o VivaBem

16/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Pessoas sugestionáveis podem sentir os sintomas de uma doença quando ouvem falar dela
  • Acabam confiando no que ouvem mais do que na própria capacidade de discernimento
  • É nocivo quando a pessoa se sugestiona e acentua o efeito ou caráter negativo de situações que possivelmente não era tão ruins assim

De repente a pessoa começa a ter sintomas relacionados a uma determinada patologia e passa a acreditar que está doente, mas ao realizar exames isso não é confirmado. Parece irreal, mas não é! "As pessoas muito sugestionáveis, por exemplo, podem chegar a sentir os sintomas de alguma doença quando ouvem falar dela ou quando visitam pessoas doentes", confirma a psicóloga Maria Cecilia Roth, coordenadora do Núcleo de Psicologia Hospitalar do Curso de Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). A sugestionabilidade é uma qualidade psicológica que possibilita a alguém ser levado a seguir um comando ou ter uma experiência subjetiva via algum direcionamento alheio.

Que sugestão é essa?

Uma pessoa sugestionável não mastiga a informação, aceita o que lhe oferecem como certo. Em geral, são pessoas com pouca autoconfiança para questionar se algo é bom ou ruim, se faz sentido ou não. E acabam confiando no que ouvem, mais do que na própria capacidade de discernimento. "É uma forma menos funcional de encarar as questões da vida, por isso essas pessoas acabam ficando mais suscetíveis às informações que lhe chegam como verdadeiras", diz a psicóloga Claudia Puntel, professora e supervisora da Pós-Graduação em Gestalt-Terapia da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

Por conta disso, essa pessoa pode acabar desenvolvendo uma ansiedade alta, pois acredita que algo pode lhe acontecer independentemente do risco que, muitas vezes, não é eminente. Por isso, é comum pessoas com essa característica terem sempre um receio em ficar doentes ou falir. E se não acontece um questionamento real, a situação acaba seguindo para um imaginário.

O perfil do sugestionado

De acordo com a psicóloga Triana Portal, isso pode surgir devido às características de personalidade, questões socioculturais e maturidade emocional, sendo que crianças e idosos tendem a ser mais sugestionáveis. Já pessoas mais críticas, ansiosas nas relações sociais, céticas e desconfiadas tendem a ser menos propensas à sugestionabilidade, pois não funcionam no automático. "Estão sempre mobilizando maior reflexão e, consequentemente, menos permeabilidade a sugestões", acrescenta.

Além disso, é importante destacar que a sugestão opera de forma muito similar ao efeito placebo, apresentando um quadro neurológico parecido. "Em uma pessoa sugestionável há uma ativação mais baixa do córtex pré-frontal (região que modula as emoções e o autocontrole), deixando-a menos hábil para exercer uma análise muito crítica", explica o psicólogo Felipe Carvalho Novaes.

Cuidado com a persuasão

Qualquer pessoa pode passar por uma situação e ser mais facilmente sugestionada, se estiver mais suscetível, com a crítica enfraquecida por estresse, ansiedade ou dor. Mas manter-se sempre motivada pelo o que ocorre externamente é perigoso, pois pode trazer prejuízos. "Há uma tendência em aumentar a ansiedade e lidar com as coisas sem enxergar o próprio crivo, perdendo o contato com a própria realidade", comenta Puntel. Aliás, a ansiedade pode transformar sensações, levando a pessoa a considerar que está num quadro grave, pois começa a imaginar uma doença que pode vir a ter.

Ou seja, lê a bula de um medicamento e acredita estar sentindo todos os efeitos colaterais descritos e abandona o tratamento. Ou escuta alguém falar que passou mal com uma vacina e passa a crer que todas fazem mal. "É nocivo quando a pessoa se sugestiona e acentua o efeito ou caráter negativo das coisas, levando a catastrofização, evitação ou generalizações", considera Portal.

Sugestão X somatização

São situações distintas. "A somatização é um problema psicológico que se manifesta no físico", define Novaes. Enquanto ser sugestionável é acreditar que pode ter algo porque alguém teve. "É possível confundir ou se assemelhar em casos de doença, mas o processo cognitivo é diferente", afirma Portal.

A somatização é uma reação física a um estresse emocional que a pessoa não percebe ou não consegue processar de outra maneira. É uma reação fisiológica a um estresse emocional, saindo do psíquico e indo para o orgânico. E na sugestionabilidade, as reações são uma distorção cognitiva, com alterações no pensamento, emoções e comportamento.

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