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Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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Pessoas otimistas vivem até 15% mais do que o resto da população

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Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

27/08/2019 13h57

Acreditar que coisas boas vão acontecer e que o futuro será favorável faz você viver de 11 a 15% mais do que pessoas menos otimistas, de acordo com um estudo publicado no periódico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) na segunda-feira (26).

Segundo a pesquisa, indivíduos positivos alcançam uma "longevidade excepcional", chegando à idade de 85 anos ou mais, independentemente do status socioeconômico, condições de saúde, depressão, integração social ou hábitos de vida (alimentação, tabagismo e consumo de álcool).

"Nossas descobertas levantam uma possibilidade empolgante de que podemos promover um envelhecimento saudável e resiliente cultivando ativos psicossociais, como otimismo", disse Lewina Lee, da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston e principal autora do estudo. Ela ainda disse que não se sabe qual a relação entre o otimismo e a longevidade, mas suspeita que essas pessoas lidem melhor com o estresse.

Como o estudo foi feito

  • Os pesquisadores analisaram os dados de dois estudos que avaliaram homens e mulheres por 10 ou 30 anos. As mulheres, com idade média de 70 anos, foram avaliadas quanto ao otimismo, por meio de questionários, de 2004 até 2014. Para os homens, que tinham idade média de 62 anos, o otimismo foi avaliado de 1986 até 2016.
  • A equipe então comparou o tempo de vida dos mais otimistas com os menos, levando em consideração fatores como idade, sexo, raça, educação, depressão e outras condições de saúde presentes desde o início do estudo.
  • Os resultados mostram que o grupo mais otimista de mulheres teve uma vida útil quase 15% maior. As descobertas foram semelhantes nos homens, que tinham uma vida útil 11% mais longa quando eram mais positivos.
  • No geral, os participantes com níveis mais altos versus os mais baixos de otimismo tiveram chances 1,5 (mulheres) e 1,7 (homens) maiores de sobreviver até os 85 anos ou mais.

Evite pensamentos ruins

Ninguém consegue agir com otimismo o tempo inteiro, claro. Mas quando os pensamentos ruins se tornam um padrão, eles podem impedir tanto o seu crescimento pessoal quanto o profissional. A seguir, identifique alguns padrões de pensamentos que têm o poder de nos boicotar e saiba como evitá-los.

1. "Só acontecem coisas ruins comigo"

Você não tem o controle de tudo, é verdade. Pode ser assaltado ou perder um ente querido de uma hora para outra. "Mas algumas pessoas adotam a mentalidade de vítimas: tendem a ver o mundo como injusto e a crer que as coisas ruins só acontecem com elas", afirma a psicóloga Selma Bordim, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Essa posição é bastante confortável, de acordo com a especialista, porque a vítima não tem de se responsabilizar pelas coisas e ainda pode ganhar atenção --até o momento que, logicamente, as pessoas vão começar a se afastar dela.

Para evitar o vitimismo é preciso tornar-se consciente e responsabilizar-se pela maneira de pensar sobre si e sobre o mundo. O ideal é fazer isso situação a situação, até transformar o padrão em outro mais maduro, reconhecendo o que cabe a você (e, portanto, é passível de mudança) e o que não cabe.

2. "Eu vou fracassar, mais uma vez"

A crença da incapacidade pode surgir em decorrência de experiências ruins em relação aos próprios erros, de acordo com Bordim. "A pessoa que se considera inútil tem o benefício de não ter de se empenhar para crescer", diz a especialista. Com isso, a pessoa não se organiza e desiste com facilidade. Ao final, confirma que é incapaz mesmo e fortalece o padrão. O principal desafio aqui, portanto, é abrir a possibilidade para o sucesso.

Para o psicobiólogo Ricardo Monezi, professor de fisiologia do comportamento da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e coordenador do projeto Cuidar Integrativo da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), caso você perceba que tem pensado dessa forma com frequência, respire fundo. Literalmente. "E se mesmo após oxigenar o cérebro, ainda tiver dificuldade para enxergar as coisas como de fato, são, pergunte a opinião de pessoas próximas. Com essa visão externa da realidade, talvez seja mais fácil tomar consciência", recomenda. E não custa lembrar: errar é humano.

3. "Foi culpa minha"

Quem tem o hábito de se achar culpado de tudo, até mesmo dos defeitos dos filhos, por exemplo, também faz papel de vítima. "Mas, nesse caso, de si mesmo", alerta a psicóloga e coach Cíntia Suplicy, da Associação Brasileira de Psicologia Positiva. Culpa, no entanto, não é o mesmo que responsabilidade, segundo a especialista. Ao assumir o papel de mártir, você tira de si a obrigatoriedade de solucionar o problema. Só que esse padrão pode trazer consequências emocionais graves por conta do peso que o indivíduo carrega.

Para se livrar desse padrão de pensamento, Suplicy conta que é preciso ressignificar os fatos, em vez de simplesmente remoê-los sem parar. Isto é, analisá-los sob diferentes ângulos, negativos e positivos. Se depois disso, se descobrir que a culpa foi realmente sua, tudo bem. "Agora, você tem novos conhecimentos sobre o assunto e terá mais chances de resolvê-los, caso passe por isso de novo", afirma.

*Informações de matéria publicada no dia 10/05/2019 e apurada por Malu Echeverria