Topo

Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Saúde

OMS: número de casos de sarampo é o mais alto no mundo em 13 anos

MilosBataveljic/iStock
Imagem: MilosBataveljic/iStock

Do VivaBem, em São Paulo*

13/08/2019 12h17

Um novo surto de sarampo gerou preocupação nos brasileiros e tem aumentado o número de visitas aos postos de vacinação nos últimos meses. De acordo com o último balanço apresentado pelo Ministério da Saúde, o país registrou, entre os dias 5 de maio e 3 de agosto, 907 casos confirmados em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A doença circula no país desde dezembro de 2017 e o ressurgimento do vírus, que não era registrado desde 2015, fez o país perder o Certificado de Eliminação do Sarampo, entregue pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Surtos de sarampo continuam a se espalhar rapidamente em todo o mundo, de acordo com os últimos relatórios preliminares fornecidos à OMS (Organização Mundial da Saúde), e milhões de pessoas globalmente estão em risco de contrair a doença.

De acordo com relatório divulgado esta segunda-feira (12), nos primeiros seis meses de 2019, os casos de sarampo relatados são os mais elevados em qualquer ano desde 2006, com surtos sobrecarregando os sistemas de saúde e levando a quadros graves, incapacidades e mortes em muitas partes do mundo. Houve quase três vezes mais casos relatados até hoje em 2019 do que no mesmo período do ano passado.

Onde há mais casos?

A República Democrática do Congo, Madagascar e Ucrânia relataram o maior número de casos este ano. No entanto, os casos diminuíram drasticamente em Madagascar nos últimos meses como resultado de campanhas nacionais de vacinação contra o sarampo de emergência, destacando a eficácia da vacinação para acabar com os surtos e proteger a saúde.

A OMS aponta que os principais surtos estão acontecendo em Camarões, Chade, Cazaquistão, Nigéria, Filipinas, Sudão do Sul, Sudão e Tailândia.

O maior número de casos é apresentado por países com baixa cobertura vacinal atualmente ou no passado, o que deixou muitas pessoas vulneráveis à doença.

Ao mesmo tempo, surtos prolongados estão ocorrendo mesmo em países com altas taxas nacionais de vacinação. Isso resulta de desigualdades na cobertura de vacinas e lacunas e disparidades entre comunidades, áreas geográficas e entre grupos etários. Quando um número suficiente de pessoas que não são imunes estão expostas ao sarampo, ele pode se espalhar rapidamente.

Os Estados Unidos também registraram sua maior contagem de casos de sarampo em 25 anos. Já na região europeia da OMS, foram registrados cerca de 90 mil casos nos primeiros seis meses deste ano: superam os registrados em todo o ano de 2018 (84 462) -- o maior da atual década.

Vacinar é fundamental

As razões para as pessoas não serem vacinadas variam significativamente entre comunidades e países, incluindo - falta de acesso a serviços de saúde ou vacinação de qualidade, conflito e deslocamento, desinformação sobre vacinas ou pouca conscientização sobre a necessidade de vacinar. Em vários países, o sarampo está se espalhando entre crianças mais velhas, jovens e adultos que perderam a vacinação no passado.

O sarampo é quase totalmente evitável com duas doses da vacina, que é segura e altamente eficaz. Altas taxas de cobertura vacinal - 95% nacionalmente e dentro das comunidades - são necessárias para garantir que o sarampo não seja capaz de se espalhar.

De acordo com dados de cobertura da OMS e do UNICEF divulgados em julho de 2019, 86% das crianças receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo e 69% a segunda.

Isto significa que cerca de 20 milhões de crianças em 2018 não receberam vacina contra o sarampo através de seus programas de vacinação de rotina. Além disso, 23 países ainda precisam introduzir a segunda dose de vacina em sua programação nacional.

Dados não são exatos

Embora forneçam uma forte indicação de tendências gerais, os dados mensais de vigilância são provisórios e incompletos, uma vez que muitos países - particularmente aqueles que experimentam grandes surtos - ainda relatam dados e realizam testes laboratoriais. Devido a atrasos nos relatórios, pode haver discrepâncias entre o que é apresentado nesses relatórios e o que é relatado diretamente dos países.

*Com informações da OMS