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Síndrome do coração partido tem relação com câncer, sugere estudo

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Do UOL VivaBem, em São Paulo

18/07/2019 18h02

A síndrome do coração partido, doença que leva a alterações funcionais no coração e tem sintomas semelhantes ao infarto, tem alguma relação com o câncer, sugere um estudo publicado no periódico Journal of American Heart Association na quarta-feira (17).

Os pesquisadores analisaram mais de 1.600 pacientes com a síndrome e descobriram que 1 em cada 6 deles tinha câncer --90% eram mulheres. Além disso, essas pessoas com tumores tinham mais chances de morrer em cinco anos, comparados com pacientes com síndrome do coração partido sem câncer.

O tipo mais frequente foi o da mama, seguido pelo sistema gastrointestinal, trato respiratório, órgãos sexuais internos, pele e outras áreas.

Os motivos para as doenças estarem relacionadas, no entanto, não foram explicados. Christian Templin, principal autor do estudo, diz que novas pesquisa são necessárias para entender essa ligação: "O mecanismo pelo qual o câncer e o tratamento do câncer podem promover o desenvolvimento da síndrome do coração partido deve ser explorado, e nossas descobertas fornecem uma razão adicional para investigar os potenciais efeitos cardiotóxicos da quimioterapia".

Templin ainda afirma que o estudo deve aumentar a conscientização entre oncologistas e hematologistas de que a síndrome do coração partido deve ser considerada em pacientes com câncer que experimentam dor no peito, falta de ar ou anormalidades no eletrocardiograma. Da mesma forma, "pacientes com síndrome do coração partido podem se beneficiar, se fizerem exames de prevenção para o câncer, para melhorar sua sobrevida global", diz ele.

Síndrome é causada por estresse

A síndrome do coração partido acontece quando o estresse, que pode ter origem emocional, como uma grande perda, dor ou sofrimento, ou físico, como traumas, crises convulsivas ou grandes cirurgias, causa uma alteração no ventrículo esquerdo do coração.

Situações que provocam uma forte emoção geram uma descarga intensa de hormônios na corrente sanguínea. E isso pode levar a espasmos de pequenos vasos do coração, ou seja, um estreitamento nas artérias que irrigam o órgão. Isso interfere no funcionamento do músculo cardíaco.

Durante a manifestação dessa síndrome ocorre sofrimento de células do miocárdio do ventrículo esquerdo, levando à disfunção regional do mesmo. Isso pode causar insuficiência cardíaca (uma parte do coração deixa de funcionar como "bomba" para impulsionar o sangue a ser distribuído pelo corpo).

Conheça seus sintomas

Os sintomas mais frequentes são dor no peito e falta de ar. Ocasionalmente pode haver tontura e até desmaio. De forma geral a dor torácica não dura muito tempo (minutos a no máximo algumas horas), entretanto, dependendo do tamanho do comprometimento do miocárdio, a falta de ar pode durar mais tempo.

A síndrome só pode ser diagnosticada após exames cardiológicos específicos, como ecocardiograma e cateterismo que indica que não há obstrução das artérias coronarianas e ausência de outra doença que possa explicar as alterações observadas.

O quadro clínico e os exames iniciais (eletrocardiograma e marcadores de necrose miocárdica no sangue) também são similares aos do infarto, por isso as doenças se confundem. E até exclusão do diagnóstico de infarto, a síndrome será tratada como um. Mas a grande diferença entre um e outro é de que a síndrome do coração partido é reversível, já o infarto provoca cicatrizes que, em geral, são permanentes.

O tratamento da síndrome é suporte clínico, controlando e minimizando essa insuficiência cardíaca transitória, até a recuperação da função do ventrículo esquerdo. São indicadas as mesmas medicações para tratar insuficiência cardíaca, sendo que em dois dias o paciente já pode receber alta. Um exame ecocardiograma será repetido em até 60 dias para confirmar a reversão completa.

Mulheres são mais suscetíveis

A recorrência é menor que 5%. No entanto, 90% dos casos são diagnosticados em mulheres, como idade entre 61 e 76 anos, na fase pós-menopausa. Isso acontece porque na menopausa, o organismo feminino deixa de produzir um hormônio chamado estrogênio, que tem papel importante na proteção do sistema cardiovascular. E a perda desse hormônio acaba deixando as mulheres mais sujeitas a apresentar problemas no coração, ficando assim mais suscetíveis à doença.

Além disso, pacientes com doenças neurológicas (epilepsia ou dores de cabeça) ou psiquiátricas (ansiedade, depressão, entre outras) também podem ter maior predisposição a desenvolverem o problema.

Com informações de matéria publicada no dia 12/04/2019.