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Cena de suicídio em "13 Reasons Why" é editada; imagem afetava os jovens?

Divulgação/Netflix
Imagem: Divulgação/Netflix

Priscila Carvalho

Do Uol VivaBem, em São Paulo

16/07/2019 18h02

A Netflix anunciou nesta terça-feira (16) que editou a cena de suicídio de "13 Reasons Why" dois anos depois da estreia da série. O pedido foi feito por diversas comunidades médicas que alegavam que as imagens induziam adolescentes a terem pensamentos suicidas.

Agora, a cena retrata Hannah (Katherine Lagford) olhando para seu reflexo no espelho e logo corta para o momento em que seus pais a encontram desacordada na banheira. Não há mais nenhuma representação de suicídio.

"Nós ouvimos de muitos jovens que '13 Reasons Why' os encorajou a começar a conversar sobre suas dificuldades em relação a temas como depressão e suicídio e passaram a pedir ajuda - muitas vezes pela primeira vez. Enquanto nos preparamos para lançar a terceira temporada neste verão [do Hemisfério Norte], ficamos cientes do debate sobre a série", diz o comunicado da empresa.

Para Rodrigo Martins Leite, psiquiatra e diretor dos ambulatórios do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), falar de suicídio entre os jovens é uma linha muito tênue entre estimular e encorajar. "Está aumentando as taxas de suicídio entre os adolescentes no Brasil e no mundo. Por isso certas séries e filmes devem ter cuidado ao abordar esse tipo de tema. O adolescente está muitas vezes vulnerável e certamente isso pode induzi-lo a cometer algo", diz.

O especialista ressalta que há ouras maneiras de se falar e alertar sobre o assunto. Para falar sobre o tema, é necessário discutir autocuidado e soluções de saúde mental.

Aumento de suicídios nos EUA depois da série

Em maio deste ano, um estudo publicado na revista Journal of The American Acdemy of Child and Adolescent Psychiatry mostrou nos Estados Unidos que ocorreu 195 suicídios a mais entre os adolescentes de 10 a 17 anos nos nove meses seguintes ao lançamento da série.

Em um outro, publicado no periódico Jama Psychiatry, houve um aumento de 13% nos suicídios de jovens de 10 e 19 anos entre abril e junho de 2017, com maior incidência em mulheres.

Como perceber que o adolescente está depressivo ou com problemas

A personagem Hannah sofre calada e passa por diversos episódios que vão desde depressão até bullying no ambiente escolar.

Leite ressalta que é essencial que pais e responsáveis fiquem atentos a comportamentos diferentes dos filhos para tentar evitar que cheguem a ponto de cometer ou ter pensamentos suicidas. Alguns dos mais comuns são: queda no rendimento escolar, envolvimento com bebidas e drogas, isolamento de atividades sociai e irritabilidade constante.

Qual o melhor jeito de oferecer ajuda?

É muito importante reconhecer que o jovem está doente, que não é só frescura e que ele precisa de ajuda médica. Os pais devem conversar com os adolescentes, perguntar se está tudo bem e investigar o que pode ter gerado todo o processo de sofrimento e queixas.

Além disso, é possível procurar o CVV (Centro de Valorização da Vida), que dá apoio emocional gratuitamente e com total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas, em todos os dias da semana para quem está em desespero ou pensa em suicídio.