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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


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Paraná tem 88 cidades com epidemia de dengue; como se proteger?

O mosquito Aedes aegypti transmite a dengue - James Gathany/Centers for Disease Control and Prevention via AP
O mosquito Aedes aegypti transmite a dengue Imagem: James Gathany/Centers for Disease Control and Prevention via AP

Gabriela Ingrid

Do UOL VivaBem, em São Paulo

10/07/2019 12h16

O estado do Paraná confirmou que 88 municípios estão em situação de epidemia de dengue, com 300 casos ou mais a cada 100.000 habitantes. As informações foram divulgadas no Boletim Epidemiológico da Secretaria da Saúde, na terça-feira (9).

A incidência no Estado é de 163,66 casos por 100.000 habitantes, considerada situação de alerta. Desde agosto do ano passado, foram confirmados 18.780 casos e 21 óbitos decorrentes da doença.

Ainda de acordo com o Boletim, 77,5% dos recipientes onde foram encontradas formas imaturas das fêmeas do Aedes aegypti são móveis ou passíveis de remoção, como potes plásticos, garrafas, latas, sucatas, entulhos de construção, pneus, vasos de plantas, bebedouros e recipiente para degelo de geladeiras.

"Dentre esses fatores [externos ao setor saúde], destacam-se as condições inadequadas de habitação e destinação imprópria de resíduos e reforça a necessidade do apoio da população na eliminação/vistoria de recipientes que possam acumular água", alerta o texto.

Prevenção da dengue

As únicas formas de prevenção da dengue envolvem a eliminação dos possíveis criadouros e evitar as picadas. Isso inclui medidas como:

  • Manter a caixa d'água sempre fechada;
  • Manter tonéis e barris de água tampados;
  • Lavar semanalmente, com escova e sabão, as paredes dos tanques usados para armazenar água;
  • Encher de areia até a borda os pratos de plantas;
  • Colocar no lixo todo objeto descartado que possa acumular água;
  • Acondicionar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira sempre tampada;
  • Manter as calhas limpas;
  • Não deixar água acumulada sobre as lajes;
  • Tratar a água da piscina e cobri-la quando não estiver sendo usada;
  • Remover todos os recipientes que possam acumular água em casa, como garrafas, latas e pneus;
  • Usar roupas que diminuam a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos, durante os surtos.
  • Usar repelentes e inseticidas, seguindo as instruções do rótulo;
  • Usar telas e mosquiteiros (especialmente quem dorme durante o dia, como bebês, pacientes acamados e trabalhadores noturnos.

Sintomas

A maioria das pessoas não percebe que foi infectada ou apresenta apenas manifestações leves, tanto que cerca de 70% nem chegam a procurar tratamento. Mas, em geral, a dengue clássica costuma causar:

  • Febre (geralmente alta, de 39 °C a 40 ºC, que começa de repente);
  • Dor de cabeça;
  • Dor atrás dos olhos (retro-orbitária);
  • Fotofobia (sensibilidade à luz);
  • Cansaço forte (astenia);
  • Dor muscular (mialgia);
  • Dor articular (artralgia).

Também podem surgir:

  • Manchas vermelhas na pele (exantema), com ou sem coceira;
  • Perda de apetite;
  • Náuseas e vômitos;
  • Diarreia.

Diagnóstico

Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito apenas com a análise dos sintomas e dados do paciente (onde ele vive, regiões visitadas nos últimos dias etc.). De acordo com a classificação de risco, podem ser solicitados exames de sangue: hemograma, contagem de plaquetas e dosagem de albumina são os mais importantes na suspeita de dengue, especialmente se houver sinais de alarme ou se a pessoa tiver alguma doença crônica grave.

Tratamento

Não existe tratamento específico para a dengue, apenas suporte para os sintomas. As prioridades são repouso e hidratação adequada, que pode ser feita em casa ou em ambiente hospitalar, dependendo da gravidade do caso. Para a maior parte dos pacientes sem complicações, as medidas mais recomendadas são:

  • Retorno para reavaliação no primeiro dia sem febre ou no quinto dia da doença, se houver persistência da febre;
  • Retorno imediato ao identificar sinais de alarme;
  • Não se automedicar;
  • Hidratação oral, que deve ser mantida por um ou dois dias após a febre ceder;
  • Não interromper a alimentação (o aleitamento materno dever ser mantido e estimulado);
  • Utilizar os remédios indicados pelo médico (em geral são prescritos analgésicos antitérmicos, remédios antienjoo ou para alívio da coceira).

Atenção: em caso de suspeita de dengue, não utilize remédios à base de ácido acetilsalicílico (aspirina, ASS etc), pois eles podem aumentar o sangramento.

Cura e complicações

Na maioria dos casos, a dengue tem cura espontânea depois de aproximadamente dez dias. A principal complicação é quando o paciente tem a forma grave, pode perder muito sangue e entrar em choque, ou seja, o coração perde a capacidade de bombear o sangue para o corpo todo, o que pode causar problemas graves em diversos órgãos e até levar à morte.

Assim como outras infecções, a dengue pode, em casos raros, levar ao desenvolvimento da Síndrome de Guilliain-Barre, encefalite e outras complicações neurológicas.

Existe vacina contra dengue?

Existe uma vacina disponível em clínicas particulares, no Brasil, que oferece proteção contra os quatro sorotipos, mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contraindica seu uso por quem nunca teve contato com nenhum dos quatro vírus da dengue. Ou seja: só deve ser imunizado quem passar por exames que confirmem a infecção anterior por algum dos sorotipos. Há outra versão da vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan (SP), em fase de estudos clínicos.

Fontes: André Siqueira, médico infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas - Fundação Oswaldo Cruz - INI/Fiocruz; Melissa Falcão, médica infectologista membro do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia, consultados em matéria do dia 22/01/2019.

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