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8 dicas simples para comer melhor em festas e não exagerar

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Imagem: iStock

Priscilla Aiulo Haikal

Colaboração para o UOL VivaBem

03/07/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Eventos sociais são normalmente comemorados com alimentos, o que pode levar a excessos e à sensação de culpa
  • Aproveitar bem esses momentos sem se preocupar é importante, mas algumas dicas podem ajudar quem tende a exagerar, como comer algo antes de ir
  • Avaliar bem os alimentos disponíveis, beber bastante água e não se impor regras muito rígidas também são atitudes importantes

Comer comer, comer comer... Além de ser o melhor para poder crescer, também é uma das formas mais gostosas de confraternizar e reunir pessoas. Desde feriados religiosos, passando por aniversários, casamentos até festas de empresas, a comida parece (e para muitos convidados acaba sendo) o centro das atenções.

É importante lembrar que comemos por motivos que vão muito além de obter saciedade, eles estão ligados com a memória de momentos anteriores e remetem a sensações como cuidado, atenção, aconchego e celebração. Não por acaso a maioria dos eventos sociais, como festas e reuniões, estão permeados por alguma comida.

Assim, comer um pouco a mais em eventos é esperado, inclusive faz parte de uma alimentação saudável e pode ser uma ótima chance para expandir o paladar ao conhecer outros sabores e desfrutar deles sem culpa. Mas para algumas pessoas, especialmente as acostumadas com a ideia de que comer é sinônimo de engordar, pode ser angustiante participar desses encontros onde a oferta de comida é exagerada. Algumas estratégias podem ajudar a moderar as escolhas e a digerir as sensações após a festa:

1. Não vá com fome

Uma dica de muitos nutricionistas é não chegar faminto nesses eventos, pois o corpo entende a fome extrema como um sinal de alerta e a mensagem é que precisamos comer logo. Ao estar num ambiente onde o estímulo é constante, a vontade de experimentar várias comidas com urgência para saciar a fome é grande. Nesse impulso, podemos deixar de prestar atenção ao que ingerimos e assim comer ainda mais.

A sugestão é consumir algo leve antes de sair de casa, como fruta, iogurte, vitamina, castanhas e frutas secas. O ideal é apenas "forrar o estômago", já que a intenção é chegar com apetite moderado para aproveitar as comidas que serão servidas.

2. Pondere bem as opções

Ao chegar na festa, uma saída para evitar exageros é verificar quais são as opções do cardápio, pensar no que mais agrada e depois se servir. Quando aceitamos automaticamente o que é oferecido ao longo do evento, a tendência é não registrarmos o que comemos.

A orientação é montar um prato com o que temos vontade, pois isso ajudar a visualizar a quantidade de comida escolhida, já que é muito fácil perder essa noção quando nos servimos direto de travessas ou petisqueiras. Isso permite que a pessoa coma e reflita se quer mesmo repetir e quanto mais é necessário para satisfazê-la.

3. Invista na água

Beber água em eventos é importante, mas vale destacar que não é um substituto do alimento. Ao manter-se hidratado, a ideia é justamente evitar confundir fome com sede, e dessa forma identificar melhor o que motiva o apetite. O segundo ponto é que alternar copos de água com outras bebidas ajuda a não cometer exageros com outros líquidos, como bebidas alcoólicas ou bebidas açucaradas.

Além disso, tomar água é uma forma de relaxar, da mesma maneira que ficar com copo na mão é uma muleta social para quem ainda não está totalmente à vontade na festa.

4. Dê um rolê

Procurar se enturmar é uma boa saída para tirar o foco da comida. O conselho dos especialistas é lembrar que os alimentos são apenas um dos componentes do evento social e que existem outras coisas tão ou mais interessantes para se aproveitar. Encontros assim têm o propósito de fortalecer relações, são momentos para conversar, reencontrar conhecidos e fazer novas amizades.

Ou seja, é interessante não ficar o tempo todo na frente ou próximo do local onde as refeições são servidas. Isso fortalece o impulso de comer automaticamente, independente se queremos mais ou não.

5. Preste atenção à sua fome

Não é preciso ansiar pelo que pode acontecer, prever determinadas escolhas e nem o que vai ser servido ao longo do evento. A indicação é saborear o que se gosta, identificar a saciedade e parar quando estiver confortavelmente satisfeito.

Comer com atenção e perceber as respostas do corpo àqueles alimentos, nos ajuda a saber quando é hora de parar. Comer muito rápido, de forma desatenta ou sem porcionamento nos desliga desses sinais. O ideal para todas as ocasiões é escutar a fome e reconhecer as razões que nos motivam: se é uma vontade genuína, se é uma oportunidade social, se é por fatores emocionais ou por mera disponibilidade.

Alimentar-se sem preocupação em festas ou reuniões sociais não é o mesmo que dizer que não há regras. Quando se estabelece uma relação pacífica com a comida, o comer fica muito mais intuitivo.

6. Leve um pouco para mais tarde

Conforme o tipo do evento (caso haja alguma intimidade o anfitrião), é possível pedir para levar parte da comida para casa e comer depois, além de ter a chance de provar outras coisas no dia seguinte. Por exemplo, quando chega a hora dos doces, normalmente no final das celebrações, estamos bastantes satisfeitos e acabamos comendo sem estar realmente com apetite.

É possível que nesse momento tenhamos uma sensação de "não deveria ter comido isso". No outro dia, o doce será efetivamente degustado porque estamos com vontade, e provavelmente não vamos sentir que estamos comendo mais do que deveríamos.

7. Nada de se afundar na culpa

O prazer ao comer deve ser incentivado e estimulado. Pesquisas recentes apontam que uma alimentação saudável está relacionada a uma ingestão sem culpa, com mais autonomia e atenção. A valorização de dietas muito radicais acabou igualando o ato de comer a engordar, como se não fosse essencial à sobrevivência. Por isso, são cada vez mais comuns movimentos contrários, que propõem cardápios menos restritivos e mais variados, num esforço de tirar a culpa da mesa e permitir a satisfação não só a fome do corpo, mas também dos nossos desejos.

O importante é saber que o corpo não funciona como uma caderneta de poupança, que só recebe e acumula energia. O organismo se adapta às flutuações da alimentação, se houve excesso em um dia, nos dias seguintes a tendência é que a alimentação retorne ao seu padrão normal. Pode parecer contraintuitivo, mas desligar a calculadora mental de calorias contribui mais do que a rigidez de muitas regras.

Comer faz parte de eventos sociais e desfrutar das comidas oferecidas faz bem. Ao lembrar que você pode ingerir o que quiser, e se dar a liberdade de dizer sim ou não de acordo com sua vontade e ocasião, dificilmente a culpa vem.

8. Você não precisa comer tudo nessa festa

Outro aspecto interessante ao participar desses encontros é lembrar que vai haver oportunidades semelhantes, provavelmente num período curto de tempo. Da mesma forma, algumas comidas vão se repetir nessas próximas reuniões sociais.

Ao encarar o evento dessa perspectiva, podemos deixar certos alimentos para outro momento ou comer uma quantidade que nos é confortável (sem sair com a sensação de exagero). Se você pode comer o que quiser, pode comer hoje, amanhã, ou no dia que preferir.

Fontes: Camila Lafetá Sesana, nutricionista comportamental, membro do Genta (Grupo Especializado em Nutrição, Transtornos Alimentares e Obesidade) e da Academy for Eating Disorders; Fátima Vasconcellos, diretora da Associação Brasileira de Psiquiatria; Marcela Salim Kotait, nutricionista e coordenadora da equipe de nutrição do ambulatório de anorexia nervosa do Ambulim do IPq - HC-FMUSP (Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e integrante do Genta; Mariana Dimitrov Ulian, nutricionista e integrante do Grupo de Pesquisa em Alimentação e Cultura da Faculdade de Saúde Pública da USP; Tarcila Campos, nutricionista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

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