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Novo estudo investiga se existe dieta perfeita

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Imagem: iStock

Anahad O'Connor

Do New York Times

31/12/2018 12h55

Especialistas em nutrição há muito tempo debatem se há uma dieta perfeita para os seres humanos. Mas um estudo publicado este mês descobriu que muito provavelmente não existe uma dieta natural que seja melhor para nossa saúde.

A pesquisa, publicada na revista "Obesity Reviews", analisou dietas, hábitos e atividades físicas de grupos de caçadores-coletores modernos e pequenas sociedades cujos estilos de vida são semelhantes aos das populações antigas. Os especialistas descobriram que todos geralmente exibem excelente saúde metabólica ao consumir uma ampla gama de dietas.

Alguns consomem até 80 por cento de suas calorias diárias em carboidratos. Outros comem principalmente carne. Mas havia alguns traços comuns: quase todos comem uma mistura de carne, peixe e plantas, consumindo alimentos que são geralmente cheios de nutrientes. Em geral, comem muito mais fibras do que o americano médio. A maioria de seus carboidratos vem de vegetais e do amido das plantas, que tem baixo índice glicêmico. Mas também não é incomum que caçadores-coletores consumam açúcar, principalmente na forma de mel.

Os achados sugerem que não há uma dieta "verdadeira" entre os seres humanos, que "podem ser muito saudáveis com uma ampla gama de dietas", disse o autor principal do estudo, Herman Pontzer, professor adjunto de Antropologia Evolutiva na Universidade Duke. "Sabemos disso porque vimos muitas variedades de dietas nessas populações saudáveis."

Uma coisa que os grupos de caçadores-coletores têm em comum é um nível bem elevado de atividade física - muitos andam entre oito e 16 quilômetros por dia. Contudo, paradoxalmente, não têm níveis de gasto de energia mais elevados que o trabalhador de escritório americano médio. Isso sugere que as autoridades de saúde devem considerar a recomendação de exercícios principalmente como uma forma de melhorar a saúde metabólica, mas não necessariamente como um antídoto contra a obesidade, disseram os autores.

Do ponto de vista da saúde pública, os caçadores-coletores modernos são notáveis graças à sua falta relativa de doenças crônicas, como problemas cardíacos, hipertensão e câncer. As taxas de obesidade são baixas. Apresentam níveis muito elevados de aptidão cardiorrespiratória, mesmo na velhice. E o diabetes tipo 2 e a disfunção metabólica quase nunca são encontrados.

Mas a vida nas sociedades de caçadores-coletores não é fácil. As taxas de mortalidade infantil são elevadas por causa de doenças infecciosas. As mortes por acidentes, doenças gastrointestinais e infecções agudas são comuns. Aqueles que chegam à idade adulta muitas vezes atingem a velhice relativamente livres de doenças degenerativas, que são a norma em nações industrializadas. Normalmente, estão em forma e ativos até o fim, o que sugere que há algo em seu modo de vida que lhes permite envelhecer de maneira saudável.

"Poucos de nós iriam querer trocar de lugar com eles. A vida deles ainda é difícil. Mas as coisas que os deixam doentes são aquelas com as quais sabemos lidar, e as coisas que não os deixam doentes são aquelas que sofremos em adotar", disse Pontzer.

É possível que a genética e outros fatores não relacionados ao estilo de vida os protejam de doenças crônicas. Mas estudos mostram que, quando as pessoas nascidas em sociedades de caçadores-coletores se mudam para grandes cidades e adotam um estilo de vida ocidental, desenvolvem altas taxas de obesidade e doenças metabólicas como todas os outras. Michael Gurven, antropólogo da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, fez uma extensa pesquisa sobre os tsimane, uma população boliviana que vive um estilo de vida de subsistência com caça, coleta, pesca e agricultura.

Os tsimane obtêm a maioria de suas calorias de carboidratos complexos ricos em fibras, como banana-da-terra, milho, mandioca e arroz, e complementam a dieta com carne de caça e peixe. Gurven publicou estudos detalhados, mostrando que eles têm uma saúde cardiovascular excepcional e quase não há diabetes. Contudo, ele viu diversos casos de índios tsimane que desenvolveram diabetes tipo 2 e que morreram após deixar suas vilas e se mudar para San Borja, uma cidade próxima, onde começaram trabalhos sedentários em escritório e desistiram de sua dieta tradicional.

"Eles mudaram sua dieta tradicional para comer na cidade, onde tudo é frito. Começaram a comer frango frito e arroz e a tomar Coca-Cola. Alguns podem observar uma mudança consideravelmente rápida na saúde", disse ele.

Para o novo estudo, Pontzer e seus colegas analisaram dados sobre caçadores-coletores e outras sociedades de pequena escala em todo o mundo, da América do Sul até a África e a Austrália. Eles examinaram avaliações dietéticas detalhadas de registros fósseis e arqueológicos para ter uma ideia do que os primeiros seres humanos comiam. E incluíram novos dados coletados dos hadza, uma comunidade que passa os dias caçando e coletando no norte da Tanzânia, muito como seus antepassados fizeram há dezenas de milhares de anos. Os hadza consomem o que alguns chamam de "a dieta mais antiga". Pontzer passou algum tempo com eles, estudando sua saúde.

Em um dia típico, os hadza saem em grupos no início da manhã para caçar e coletar na savana. As mulheres atravessam áreas montanhosas para coletar frutos silvestres e tubérculos parecidos com batata-doce fibrosa. Coletá-los não é fácil, disse Pontzer. Elas usam varas para desenterrá-los, em alguns casos enquanto carregam bebês nas costas. Os homens saem para caçar animais, muitas vezes matando espécies pequenas, mas, cerca de uma vez por mês, trazem algo grande como uma zebra, um javali ou uma gazela.

Nos dias em que a caça é pouca, procuram colmeias e coletam mel, que é um dos seus alimentos favoritos, representando pelo menos 15 por cento das calorias de sua dieta.

"Em qualquer dia num acampamento hadza, quase sempre há mel, um pouco de carne e tubérculos", disse Pontzer.

A quantidade de calorias diárias que os hadza consomem é similar àquela do americano médio. Mas eles dependem de um número razoavelmente pequeno de alimentos. E, o que é importante, não têm batatas fritas, chocolate, sorvete e outros produtos processados que combinam grandes quantidades de gorduras e carboidratos simples - alimentos projetados para ser irresistíveis, mesmo quando não estamos com fome.

A falta de variedade nas dietas dos caçadores-coletores pode ser parte da razão pela qual não comem demais e nem se tornam obesos. Estudos mostram, por exemplo, que, quanto maior a variedade de escolhas alimentares à nossa frente, mais demoramos a nos sentir saciados, um fenômeno conhecido como saciedade sensorial específica.

"É por isso que sempre temos espaço para a sobremesa em um restaurante, mesmo quando estamos satisfeitos", disse Pontzer. "Mesmo que você tenha feito uma refeição saborosa e não consiga dar uma mordida a mais no bife, ainda está pensando no cheesecake porque é doce e o botão ainda não foi desligado em seu cérebro."

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