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Suplemento de proteína prejudica os rins?

Check up Suplementos Rins
Imagem: Priscila Barbora/VivaBem

Daniela Venerando

Colaboração para o UOL VivaBem

19/12/2018 04h00

A indicação do suplemento de proteína do amigo sarado ou do treinador fortão nunca vem acompanhada dos malefícios do uso indiscriminado do produto, não é mesmo? Como tudo na vida, equilíbrio é a chave do sucesso. O exagero pode, sim, levar a uma sobrecarga nos rins, o que pode trazer problemas como cálculo renal (pedra nos rins), gota e até doença renal crônica. 

O exagero na ingestão de proteína provoca uma hiperfiltração dos rins. Ou seja, o órgão vai trabalhar em excesso, o que pode levar a um esgotamento precoce de suas funções. Em um caso grave, o paciente vai ter necessidade de diálise ou de transplante. Por isso, pessoas com histórico familiar de doenças renais, diabéticos, hipertensos, obesos e pessoas acima de 50 anos devem ficar bem longe de suplementos de proteína.

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Qual é a dose exagerada?

Doses acima de 2 g de proteína por quilo do seu peso não geram efeito maior no aumento de massa muscular e são consideradas exageradas. De modo geral, numa dieta equilibrada, a quantidade normal é variar entre 0,8 e 1 g por quilo por dia, sempre consumidos de forma fracionada ao longo do dia. Ou seja, para uma pessoa de 70 kg, o ideal é consumir entre 56 e 70 gramas de proteína ao dia, mais do que 140 g é considerado exagerado. Ao almoçar numa churrascaria, por exemplo, costuma-se ultrapassar esse limite. 

Para quem frequenta academia e deseja hipertrofia, 1,3 g de proteína por quilo do seu peso ao dia é o suficiente para ganhar massa magra (no exemplo de uma pessoa com 70 kg, isso representa 91 gramas ao dia). A indicação do American College of Sports Medicine (ACSM) aos praticantes de musculação pesada é de 1,7 g de proteína por quilo do seu peso por dia (ou seja, 119 gramas se você pesa 70 kg). É claro que se trata apenas de uma média. Toda avaliação nutricional deve ser individualizada, seguindo as condições de saúde, gasto calórico, alimentação, tipo e frequência do treinamento, além do objetivo desejado.

Doses exageradas não têm nenhuma utilidade, já que o corpo não estoca proteína, e o que não é usado é jogado fora na urina. Quem come de tudo e ainda utiliza suplementação pode facilmente ultrapassar o limite diário recomendado do nutriente, pois as doses indicadas nas embalagens são superestimadas. Não se deve jamais seguir o rótulo. Os suplementos têm vários benefícios, mas devem ser indicados de forma individualizada por médicos ou nutricionistas, para conquistar bons resultados.

É fácil ultrapassar o limite diário de proteína ao tomar suplemento? 

Sim, se não houver orientação de um nutricionista ou médico. Lembra que quem pesa 70 kg pode consumir de 70 g a 91 g (1 a 1,3 g de proteína por kg de peso por dia) de forma fracionada ao longo do dia? Um bife de carne bovina de 100 g grelhado tem 26,4 g de proteína, por isso, dois bifes já alcançam mais do que a metade do que você precisa ao dia. E ainda tem os grãos, leite, iogurte, queijo e ovos na dieta. E reparou que nessa conta ainda não foi incluído o suplemento? E, claro, apesar de ter atingido o limite, o cálculo não é tão simples assim. O bife tem gordura e as proteínas dele não serão totalmente aproveitadas pelo organismo. É necessário toda uma matemática para ingerir proteína aliada ao suplemento de forma saudável. Daí a importância da avaliação com um nutricionista.
   
Já uma porção de whey protein tem em média 25 g de proteína (os valores diferem de acordo com a marca) e muita gente que malha com regularidade consome mais de uma porção por dia. No entanto, o corpo não absorve mais que 20 g de proteína num período de 3 horas. Quando essa dose é ultrapassada, o produto começa a oferecer riscos, principalmente, para quem tem predisposição para doenças renais e não sabe. 

Quem toma suplemento precisa da avaliação de um nutricionista para não passar da dose diária ou ter efeitos indesejados, como ganho de peso, dor e inchaço na região abdominal, excesso de gases e desequilíbrio na microbiota intestinal.

A praticidade é um dos argumentos fortes de quem adota o suplemento de proteína. Afinal, é muito mais simples tomar um pozinho do que comer um bife às 10 da manhã, não é? Mas lembre-se de que é possível ganhar músculos somente com a alimentação. Muitas vezes, o suplemento entra na dieta pela praticidade, mas nunca deve substituir uma alimentação. Como o nome diz, o suplemento serve para suprir aquilo que falta.   

Existe ainda a crença de que o suplemento de proteína deve ser tomado logo após o exercício para obter um melhor efeito. Apesar de ser uma ideia bastante difundida nas academias, trata-se de um equívoco. O produto pode ser consumido até quando não há treino. Tudo vai depender dos hábitos alimentares e da atividade física de cada pessoa. 

"Muitos estudos mostram que a ingestão de proteínas não tem grande influência no ganho de massa muscular quando usado pré ou pós-treino. Existem estudos, inclusive, que indicam que o melhor efeito se dá próximo ao horário do sono, aproveitando o ciclo de formação de proteínas natural do corpo", explica Páblius Staduto Braga, médico gestor do Centro de Medicina Especializada do Hospital Nove de Julho. 

De olho nos exames

Antes de iniciar uma rotina de atividade física, o ideal é sempre passar por uma consulta médica. Uma pessoa jovem e saudável pode ter predisposição à doença renal sem sequer suspeitar. Isso porque ela é silenciosa, não apresenta sintomas e pode levar até 20 anos para evoluir e se manifestar. Se não for investigada, o paciente vai perceber o problema só quando o rim estiver doente. 

Quanto a bateria de exames, há três exames que não devem deixar de ser feitos: urina tipo 1, dosagem de creatinina e ultrassom de abdômen. Sinais acima de 3 mg/kg/dia de ácido úrico na urina de 24 h é muito perigoso. Se quiser obter apenas benefícios com a suplementação de proteína, consulte um médico antes de começar a utilizar e realize seus exames periodicamente.

Fontes: Leda Lotaif, nefrologista e diretora da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN); Páblius Staduto Braga, médico gestor do Centro de Medicina Especializada do Hospital Nove de Julho; Vivian Ragasso, nutricionista esportiva do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte

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