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Por que as dietas que priorizam proteínas são as ''queridinhas'' da vez?

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Imagem: iStock

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL

29/11/2018 04h00

Quando se trata de perder peso, existem dietas para todos os gostos, mas você já percebeu que boa parte delas defende que é preciso priorizar os alimentos com bastante proteína e, em contrapartida, diminuir (em alguns casos, até eliminar) os carboidratos das refeições?

Um dos primeiros a recomendar esse tipo de dieta foi o médico cardiologista Robert Atkins, que lançou na década de 1970 um livro que propunha o corte de tudo que tivesse carboidrato, como pães, bolos e massas. Por outro lado, era possível abusar das proteínas e até das gorduras de origem animal --estavam liberados o bacon e a salsicha, por exemplo. Em pouco tempo, o livro virou moda e o cardápio do Dr. Atkins, que prometia resultados rápidos, caiu no gosto popular.

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De lá para cá, outras dietas chamadas de hiperproteicas passaram a propor caminho semelhante, levando muita gente a tratar os carboidratos como vilões da boa forma. Mas qual seria a vantagem dessas dietas que privilegiam as proteínas?

O médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira Nutrologia), explica que, além de garantir uma baixa ingestão de calorias, alguns motivos ajudam a entender o sucesso dessas dietas:

Garantem saciedade e queimam energia

''Em primeiro lugar, entre os macronutrientes, quem mais dá saciedade são as proteínas, mais do que as gorduras e os carboidratos'', afirma o especialista. Isso significa que entre uma porção de macarrão e uma de peito de frango, a segunda vai garantir que você fique mais tempo satisfeito.

Por outro lado, diz o médico, as proteínas são as que mais queimam energia para serem metabolizadas. Ou seja, seu corpo precisa fazer um esforço maior para processar esse tipo de nutriente, o que tem um efeito termogênico para o organismo.

Reduzem as calorias

Além disso, essas dietas são autolimitantes. Por exemplo, se você fizer a dieta Dr. Atkins [que permite a ingestão de proteínas incluindo as que têm maior percentual de gordura], depois de um certo tempo você cansa de comer só bacon, ovo e salsicha. "Então ela se torna hipocalórica porque você acaba ingerindo outros alimentos com menos gorduras e calorias'', diz o Ribas Filho.

Menos carboidrato = menos calorias

Outro ponto interessante é que o corte de carboidratos faz, por si só, com que você reduza drasticamente as calorias ingeridas. Isso porque, normalmente, esse macronutriente corresponde de 50% a 60% da energia que consumimos.

Renato Zilli, médico endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, destaca que esse tipo de alimentação costuma beneficiar pessoas com maior concentração de gordura abdominal e que têm diabetes. ''Como essas dietas costumam tirar o carboidrato, o corpo acaba tendo que quebrar gordura para obter a energia necessária'', diz o médico.

Isso acontece tanto em dietas com restrição total quanto nas que há baixa ingestão de carboidratos. ''Em qualquer dieta low carb o corpo começa a fazer cetose, quando há uma queima expressiva de gordura'', afirma o médico nutrólogo Nelson Lucif Junior. A diferença, segundo ele, é a velocidade em que esse processo vai ser desencadeado no organismo, que acontece mais rápido nas versões mais restritivas.

Associadas à prática de exercícios físicos, as dietas que privilegiam as proteínas ainda aumentam a proporção de massa magra durante o processo de perda de peso, já que esse nutriente é material importante para a construção dos músculos.

Alguns cuidados

Estudos já mostraram que pacientes com diabetes tipo 2 podem se beneficiar de dietas que restringem a ingestão de carboidratos. Por outro lado, esse tipo de alimentação pode significar um risco para outras pessoas, especialmente as que apresentam problemas no coração, rins ou fígado.

''Essas dietas causam alterações metabólicas significativas, e nem sempre o organismo de pacientes cardiopatas, nefropatas e hepatopatas vão conseguir se adaptar'', explica o médico Nelson Lucif Junior.

Outro ponto importante é que algumas versões das dietas hiperproteicas permitem a ingestão de alimentos com alta concentração de gordura saturada, o que pode aumentar os níveis de colesterol ruim (LDL) e prejudicar outras funções do organismo, como a resposta inflamatória e imunitária, já que o ingrediente pode alterar a produção de citocinas.

''Sabemos que o consumo excessivo de gordura, dependendo do tipo, pode causar efeitos colaterais inclusive cerebrais, prejudicando alguns neurotransmissores'', diz Lucif Junior. Por conta disso, ele recomenda que seja priorizada a ingestão de gorduras de boa qualidade, como abacate, castanhas e nozes, em detrimento das que possuem origem animal.

Além disso, o excesso de proteína pode sobrecarregar os rins e aumentar o risco para alguns tipos de câncer. Um estudo realizado pelo Laboratório de Nutrição e Metabolismo da Atividade Motora da Escola de Educação Física e Esporte da USP (Universidade de São Paulo), por exemplo, mostrou que o acúmulo de proteínas no intestino pode levar à formação de células tumorais e, potencialmente, ao câncer de colón.

A OMS (Organização Mundial da Saúde), por sua vez, afirma ainda que 50 gramas diários de carne processada (como bacon, linguiça e salsicha) aumentam o risco de câncer colorretal em 18%.

O endocrinologista Renato Zilli destaca ainda que nem todos os pacientes se dão bem com as dietas ricas em proteína e que o corte de carboidratos pode até acentuar crises de compulsão em quem já tem esse tipo de comportamento.

''A comida que mais vicia é o carboidrato, então retirá-lo completamente da dieta pode acabar gerando mais compulsão. Nesses casos, é preciso trabalhar com o entorno, com os motivos que geram o problema. Por isso, eu digo que não existe dieta certa ou errada, mas a que funciona para aquele paciente'', diz.

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