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MDMA pode ajudar no tratamento de transtorno de estresse pós-traumático

As pílulas de MDMA podem ter um efeito inesperado no cérebro, sugere um novo estudo - iStock
As pílulas de MDMA podem ter um efeito inesperado no cérebro, sugere um novo estudo Imagem: iStock

Do UOL VivaBem, em São Paulo

21/11/2018 12h31

A substância sintética MDMA, princípio ativo do ecstasy, deixa as pessoas mais cooperativas com aquelas em quem confiam, oferecendo uma nova forma de tratamento para o transtorno de estresse pós-traumático, de acordo com um novo estudo.

Publicada no periódico Journal of Neuroscience e realizada por cientistas da Universidade King's College, no Reino Unido, a pesquisa é a primeira investigação detalhada sobre como o MDMA altera o comportamento cooperativo.

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Mas nada de pensar que os cientistas querem "drogar" os pacientes. O MDMA usado na terapia é puro e usado em doses controladas. Ele não tem relação com o ecstasy que geralmente tem a fórmula misturada com substâncias tóxicas.

A substância altera a química do cérebro, aumentando a atividade de várias moléculas mensageiras, incluindo a serotonina. Por esse motivo, ela afeta não apenas o humor, mas uma série de outras funções, como o sono, o apetite, a confiança e a excitação sexual.

Droga deixa pessoas mais confiáveis

No estudo atual, os cientistas recrutaram 20 homens adultos sem histórico de doenças psiquiátricas ou outras doenças neurológicas. Os voluntários tomaram uma dose de 100mg de MDMA ou um placebo e depois completaram várias tarefas.

Enquanto eles faziam os testes, os pesquisadores registravam imagens de seus cérebros com um exame de ressonância magnética.

Uma das tarefas principais foi uma espécie de jogo no qual dois jogadores eram lançados uns contra os outros e ganhavam pontos dependendo das decisões que faziam. Se ambos os jogadores escolhiam cooperar, por exemplo, ambos ganharam 90 pontos. Se ambos escolhiam competir, ambos ganharam 60 pontos. Assim, a cooperação é claramente uma estratégia que evita pontuações baixas.

Os resultados mostraram que a cooperação aumentou à medida que os jogos progrediam para os jogadores que tomavam MDMA. A partir dos exames de ressonância magnética, a equipe pôde ver que a substância alterou a atividade cerebral enquanto os indivíduos envolviam o comportamento de seus oponentes, sem afetar sua tomada de decisão.

O mesmo não ocorreu com os participantes que tomaram o placebo.

"Entender a atividade cerebral subjacente ao comportamento social pode ajudar a identificar o que está errado nas condições psiquiátricas", diz Mitul Mehta, professor do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College.

Os resultados são um passo para a liberação do tratamento do transtorno com a substância. Quando associado à psicoterapia, o MDMA permite aos pacientes confrontar memórias, pensamentos ou sentimentos, possivelmente através de mudanças no humor e na percepção, e aumentar a empatia por outras pessoas e por si mesmo. "Este trabalho fornece novos insights sobre o impacto do MDMA nas interações sociais, enfatizando o importante papel do comportamento dos outros em relação a nós", escrevem os cientistas.

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