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Bebidas e alimentos zero açúcar podem ser cilada para quem quer perder peso

Você escolhe refrigerante normal ou zero? - iStock
Você escolhe refrigerante normal ou zero? Imagem: iStock

Chloé Pinheiro

Colaboração para o VivaBem

29/05/2018 04h00

À primeira vista, apostar num produto zero açúcar soa como uma boa alternativa para quem quer perder peso. Assim como os diet, eles são uma alternativa útil para pessoas que precisam cortar o nutriente da dieta, mas pouco colaboram se o objetivo é reduzir o ponteiro da balança.

“As pessoas pensam que, por se tratar de algo que não tem açúcar e é voltado para diabéticos, emagrece, mas não é bem assim”, destaca Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. E os motivos para isso são vários. Primeiro, a própria composição destes produtos: a gordura, por exemplo, pode ser adicionada para garantir que a comida siga agradável. E com isso pode até aumentar a quantidade de calorias.

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Veja o exemplo da cocada. Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, da Unicamp, há 13 gramas de gordura a cada 100 gramas do tradicional doce. Já na mesma quantidade de cocada zero açúcar vendida em farmácias são 27 gramas de lipídios (5,4 gramas a cada 20g do produto, o equivalente a uma unidade). 

Depois, os alimentos sem açúcar podem, por assim dizer, prejudicar nosso comportamento.

Há evidências de que se consome mais do alimento [zero] por achar que ele tem menos calorias”  Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês

No caso do refrigerante zero, um dos mais famosos da categoria, a relação com a perda de peso não foi provada cientificamente.

Efeito inverso

Em 2014, os pesquisadores da Universidade Johns Hopkins avaliaram a dieta de mais de 23 mil pessoas nos EUA durante 10 anos e descobriram que quem estava acima do peso ou obeso consumia mais refrigerante sem açúcar do que quem estava em uma faixa considerada saudável.

E mais: quem bebia líquidos do tipo costumava também comer mais alimentos sólidos. Uma das hipóteses levantadas pelos autores para explicar esse fenômeno é a de que os adoçantes estariam associados com uma maior ativação do sistema de recompensa no cérebro que prejudicaria nosso “medidor” de quanta energia já consumimos e ainda precisamos comer para ficar satisfeitos.

Diet ou zero açúcar?

Na prática eles querem dizer o mesmo: que o alimento contém no máximo 0,5g de açúcar a cada 100g totais de sua constituição. A diferença acaba sendo mais comercial. Enquanto o diet remete a algo com cara de remédio, o zero é apelativo para quem busca perder peso ou ter uma dieta mais equilibrada.

Fora as doçuras, o “zero” se aplica toda vez que um ingrediente é quase que completamente retirado do alimento - deve sobrar, no máximo, 0,5g daquela molécula a cada 100g do produto. Entram nessa categoria os zero caloria, zero gordura, zero lactose e por aí vai. Mas é preciso refletir antes de optar por um deles.

São alimentos e bebidas ultraprocessados, cujo consumo deve ser reduzido de maneira geral” Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês

Vale lembrar ainda que o segredo da boa alimentação está no equilíbrio, e não em limar de uma vez algum nutriente da dieta.

Fontes: Alan Tiago Scaglione, nutricionista da Estima Nutrição, especialista em Suplementação Nutricional Aplicada ao Exercício pela Universidade de São Paulo, e Lara Natacci, nutricionista da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, com mestrado em Ciências da Saúde na Universidade de São Paulo. 

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