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Pílula contra ressaca funciona? Médicos dizem que não

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Imagem: iStock

Thamires Andrade

Do VivaBem, em São Paulo

11/02/2018 04h00Atualizada em 13/02/2018 13h32

Imagine tomar um comprimido antes de sair para o bloco de Carnaval, beber à vontade e, no dia seguinte, não ter um sinal de ressaca? Essa é a promessa do DetoxEtil. Vendido como "pílula da ressaca", o produto é rico em vitaminas, minerais e aminoácidos. Segundo o fabricante, sua combinação de nutrientes seria capaz de impedir dores de cabeça, enjoo e vômitos, típicos da bebedeira.

No entanto, os especialistas ouvidos pelo VivaBem afirmam não haver estudos científicos que comprovem a eficácia dessas substâncias para combater os efeitos do álcool, e não indicam o suplemento. Entenda os motivos.

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Ação no "tripé da ressaca"

Adelson Araujo, criador do produto, afirma que estuda a “bioquímica da ressaca” há quatro anos e desenvolveu a fórmula do DetoxEtil com a ajuda de um bioquímico e uma farmacêutica. A pílula, segundo ele, seria capaz de inibir o tripé que gera ressaca. Ou seja, os três problemas que o o álcool provoca no organismo: intoxicação, desidratação e hipoglicemia.

De fato, o tripé citado por Araujo é real. O álcool é uma droga neurotóxica que afeta o sistema nervoso central e vários órgãos, principalmente o estômago, onde é mais absorvido. A substância provoca desidratação por inibir o hormônio ADH, responsável por "frear" o trabalho dos rins, o que faz com que a vontade de ir ao banheiro aumente. Sem contar a hipoglicemia (falta de açúcar no sangue), que pode provocar desmaio e até levar ao coma. 

Porém, enquanto o fabricante do DetoxEtil afirma que o maior vilão da ressaca é justamente a intoxicação, os médicos explicam que não dá para cravar isso. “A metabolização do álcool afeta nosso organismos de diversas maneiras e não sabemos exatamente o que gera a ressaca”, explica Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). 

Segundo Barca, só será possível descobrir isso por meio de um amplo estudo científico, feito com a pílula e com um placebo, para identificar em qual das partes do tripé ela consegue agir, e de que maneira.

E o que tem dentro da pílula?

De acordo com o fabricante, o DetoxEtil possui nutrientes antioxidantes, como a vitamina C, o selênio e a cisteína (um aminoácido). Além desses ingredientes, a pílula tem magnésio na composição.

No entanto, falta embasamento científico de que esses componentes são eficazes contra a ressaca. "Nenhum estudo comprova que aminoácidos e vitaminas podem nos proteger dos efeitos tóxicos do álcool”, explica Nelson Iucif Jr., médico nutrólogo e diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

O médico ainda alerta para insegurança técnica do produto. Além de no site não constar o laboratório que produz o suplemento, não informa ao certo a quantidade de cada componente em sua composição. O selênio, por exemplo, não é indicado em altas doses.

Os responsáveis pelo produto dizem que há no rótulo do produto a quantidade de ingredientes. 

Qual a diferença para os remédios?

O DetoxEtil é um suplemento e possui em sua fórmula nutrientes encontrados nos alimentos. Já outros comprimidos que prometem aliviar a ressaca, como o Engov, são medicamentos. Eles têm compostos químicos com ação analgésica, antiácida, anti-inflamatória e antiemética. Essas substâncias apenas inibem os sintomas trazidos pela bebedeira (dor de cabeça, enjoo, desconforto estomacal) e não os curam. Antes de tomar qualquer remédio, lembre-se de que é importante consultar um médico.

Já que não há milagres, como podemos evitar a ressaca?

Para evitar os sintomas da intoxicação pelo álcool, Paulo Olzon, clínico geral e professor das disciplinas de clínica médica e infectologia da Unifesp, dá a dica clássica: beber água entre as latinhas de cerveja. “Ao nos mantermos hidratados, diminuímos a concentração de álcool no sangue e eliminamos mais aldeídos (compostos que se formam após a fermentação das bebidas). Assim, o risco de sofrer com a ressaca no dia seguinte diminui", explica.

O clínico também recomenda se manter muito bem alimentado antes, durante e depois de beber, já que o estômago vazio facilita a ocorrência de quadros de hipoglicemia. "Evite comidas gordurosas e fritas, pois o álcool provoca gastrites e esses alimentos podem piorar esse quadro. Prefira carboidratos integrais, frutas e leite", diz.

Anvisa não reconhece segurança e eficácia do produto

Em comunicado enviado ao VivaBem, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que "não há medicamento com o nome DetoxEtil junto à agência. "Tão pouco, existem alimentos com a mesma denominação. Trata-se, portanto, de um produto irregular, sem comprovação de segurança e eficácia, que não pode ser comercializado no mercado brasileiro". 

Apesar de a empresa alegar que a pílula é um suplemento alimentar, o que não exige registro na Anvisa, o órgão explica que nem todos os suplementos estão isentos de registro. “Alguns produtos precisam de registro. Consideramos o produto irregular, pois não há segurança de uso e ele não passou por um crivo sanitário para identificar o que tem lá dentro”.

Fabricante defende segurança do produto

Em comunicado enviado ao VivaBem no dia 12/02, Adelson Araujo, responsável pelo DetoxEtil afirma que o produto é totalmente seguro. "O suplemento contém apenas nutrientes e respeita os limites mínimos e máximos estabelecidos pela Anvisa, além de trazer todas as informações necessárias no rótulo. Na embalagem do produto há uma tabela nutricional com a quantidade de substâncias presente por dose e o IDR (ingestão diária recomendada), assim como o laboratório que fabrica os comprimidos". 

Araujo explica que o produto não se trata de um um medicamento ou alimento com propriedades funcionais, por isso a Anvisa não pode exigir seu registro. "O DetoxEtil apenas repõe os nutrientes degradados. É apenas um alimento e podemos dizer até que não tem alegações funcionais, pois parte do princípio que algo funcional requer que algo não esteja funcionando bem. DetoxEtil age antes de “algo” não estar funcionado direito, portanto, pode-se sim dizer que não tem alegações funcionais".

Ele acrescenta que o produto não foi lançado oficialmente, "pois está aguardando o prazo de 90 dias para publicação de uma nova resolução da Anvisa a fim de evitar qualquer tipo de questionamento".

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