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Brasil vira laboratório de testes para vacina contra covid-19

Iniciativas em busca de vacinas contra coronavírus mobilizam pesquisadores de todo o mundo - FilippoBacci/Getty Images
Iniciativas em busca de vacinas contra coronavírus mobilizam pesquisadores de todo o mundo Imagem: FilippoBacci/Getty Images

Astrid Prange

14/07/2020 09h49

Duas das vacinas mais promissoras contra o coronavírus estão sendo testadas no Brasil. Com quase 2 milhões de infectados, país pode se tornar um grande laboratório contra o novo coronavírus. No momento, as pesquisas sobre uma vacina contra o coronavírus estão a todo o vapor: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem no mundo todo 160 iniciativas para desenvolvê-la, duas delas em estágio avançado.

No Brasil, um dos países mais afetados do mundo, com quase 1,8 milhão de casos e mais 65 mil mortes por covid-19, estão sendo testadas duas das vacinas mais promissoras, que já se encontram na fase 3 dos estudos clínicos.

Nessa fase, as vacinas são testadas num grupo maior, para verificar se sua eficácia e segurança se confirmam em muitos pacientes diferentes. Os estudos clínicos da fase 3 para vacinas contra o coronavírus são os primeiros do gênero no Brasil.

De onde vêm as vacinas?

A primeira candidata a vacina contra a covid-19 na fase clínica 3 é a AZD1222, desenvolvida pela Universidade de Oxford em cooperação com a empresa farmacêutica britânica AstraZeneca. A segunda, Coronavac, vem da empresa chinesa de biotecnologia Sinovac.

Quantas unidades de vacina devem ser produzidas?

No fim de junho, o Ministério da Saúde assinou um contrato com a Universidade de Oxford e a empresa farmacêutica AstraZeneca. Segundo o instituto de pesquisa Fiocruz, que supervisiona a cooperação, numa primeira etapa dos estudos clínicos serão produzidos 30,4 milhões de unidades da vacina, cerca de 15% necessário para atender toda a população brasileira.

Os custos de produção e transferência de tecnologia somam 127 milhões de dólares. Caso os ensaios clínicos sejam eficazes, deverão ser produzidos outros 70 milhões unidades.

Em quem os testes estão sendo feitos?

O recrutamento de voluntários para testes de vacinas na Universidade de Oxford está em andamento no Brasil desde o fim de junho. Segundo a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 2 mil voluntários de São Paulo e mil do Rio de Janeiro participarão. A vacina também está sendo testada no Reino Unido, Estados Unidos e África do Sul.

O segundo ensaio clínico de fase 3 para uma vacina contra o coronavírus aprovado pela Anvisa vem da empresa chinesa Sinovac. O estudo é coordenado pelo Instituto Butantan. Segundo o diretor do renomado centro brasileiro de pesquisa biomédica, Dimas Covas, o Brasil terá acesso a 60 milhões de unidades de vacina se os testes forem bem sucedidos.

Para a vacina chinesa, devem ser recrutados cerca de 9 mil voluntários da área da saúde. Os testes estão programados para começar em 20 de julho. O esquema de vacinação inclui duas injeções intramusculares com 14 dias de intervalo.

Quando os primeiros resultados estarão disponíveis?

Oficialmente, o fim dos testes clínicos está agendado para setembro de 2021, mas a eficácia da vacina já poderá ser prognosticada através dos resultados provisórios preliminares. "Se os testes em voluntários forem finalizados até outubro, podemos concluir os resultados sobre a eficácia até o fim do ano", declarou Covas à imprensa brasileira. "Isso significa que poderíamos começar a usar a vacina no início do ano que vem."

Benefício para todos?

Os ensaios clínicos da AstraZeneca e da Sinovac no Brasil não fazem parte da iniciativa anunciada em abril pela Organização Mundial da Saúde para acelerar o desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19. Batizada de "Access to Covid-19 Tools Accelerator (ACT Accelerator)", o programa reúne a comunidade internacional e várias instituições e fundações de pesquisa. Seu fim é garantir o acesso à vacina para a população mundial, como um bem público global.

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