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América Latina já responde por 40% de mortes diárias por vírus

Funcionários de hospital em La Paz (Bolívia) protestam por mais pessoal de saúde em hospitais, atenção básica e asilos - JUAN MEDINA/REUTERS
Funcionários de hospital em La Paz (Bolívia) protestam por mais pessoal de saúde em hospitais, atenção básica e asilos Imagem: JUAN MEDINA/REUTERS

Daniel Cancel

28/05/2020 13h48

Em março, quando a covid-19 causava vítimas no mundo todo, parecia que a América Latina poderia escapar relativamente ilesa. Governos da região escolheram abordagens muito diferentes para enfrentar a pandemia, desde rigorosas quarentenas em El Salvador e Peru até medidas menos severas no Brasil e México.

Mas, já quase em junho, as notícias dificilmente poderiam ser mais sombrias para a região altamente urbanizada de 600 milhões de habitantes: é, sem dúvida, o novo epicentro do coronavírus, respondendo por cerca de 40% das mortes diárias globais atualmente.

As estatísticas são assustadoras: o Brasil tem mais casos do que qualquer país, atrás apenas dos EUA, e alguns modelos preveem que as mortes, atualmente em 25 mil, podem mais do que quadruplicar nos próximos meses. O México registrou o maior aumento individual de casos e mortes nesta semana, e uma autoridade de saúde disse que cerca de 30 mil pessoas podem morrer. Peru, Chile e Colômbia registraram recordes diários na semana passada.

Países da América Latina registraram mais de 1,9 mil mortes na quarta-feira, um recorde, representando 37% do total mundial. Brasil, Peru, Chile e México relataram mais de 10 mil novos casos nos últimos cinco dias, o que os coloca entre os quatro dos sete primeiros países no ranking global nesse período.

"Muitas das maiores cidades da região ainda estão a algumas semanas de atingir o pico", disse James Bosworth, autor do boletim semanal Latin America Risk Report. "Os hospitais vão operar no limite da capacidade por um longo tempo, sobrecarregando os sistemas de sistemas. Mesmo cidades e países que atingirem o pico devem ver um platô de várias semanas e uma descida gradual, em vez de forte queda dos casos."

O que também complica a avaliação da situação - como em muitas partes do mundo - é a falta de dados e o fato de que as taxas de previsão e modelagem de infecção e morte muitas vezes não se mostraram confiáveis.

O Chile, com 18 milhões de habitantes, testou mais pessoas do que o México, que tem 127 milhões. Os óbitos de muitas pessoas que morreram em casa sem teste não foram registrados como relacionados à covid-19. Mas uma maneira de medir o impacto do vírus é comparar as taxas de mortalidade com anos anteriores. Relatório na Cidade do México divulgado nesta semana revelou um número de mortes quatro vezes maior em 2020 do que nos últimos quatro anos.

Vários países latino-americanos tentaram disciplinadamente fechar as economias com antecedência, mas muitas vezes sem auxílio estatal suficiente para os milhões que trabalham na economia informal. E as quarentenas foram irregulares. Os mercados ao ar livre, onde muitas pessoas compram alimentos, permaneceram abertos em alguns lugares. Para obter ajuda do governo, os beneficiados que não têm contas bancárias geralmente precisam enfrentar filas com aglomerações, espalhando ainda mais o vírus.

Outra preocupação é que, em toda a região, parte da atividade está sendo retomada, mesmo com a explosão dos casos. Sem mais ajuda governamental e forças de segurança, muitos países podem não ser capazes de sustentar quarentenas até que o pior da tempestade tenha passado.

A América Latina possui uma elite sofisticada que parece ter causado os primeiros contágios na volta de temporadas de esqui no Colorado e festas de carnaval na Itália.

Mas também tem uma enorme classe de baixa renda que vive frequentemente em condições precárias, sem acesso a bons hospitais. São os segmentos da população, alguns vivendo em espaços apertados e sem água potável, que agora são focos de infecção.

O cenário de pesadelo que alguns temiam acontecer na Síria ou na Índia parece se concretizar no Brasil.

Nesta semana, o número de mortes diárias no país ultrapassou os EUA, o epicentro global. Nesse ritmo, deve superar os números de mortes na Espanha e na França em uma semana.

Segundo relatório do UBS publicado na quarta-feira, seis dos 27 estados brasileiros atingiram o pico, enquanto o total de mortes aumenta em 21 estados. Ainda não há sinal de pico no México, escreveram os analistas.

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