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Cinco coisas para saber sobre vacina da AstraZeneca/Oxford

Vacina AstraZeneca/Oxford utiliza tecnologia de "vetor viral" -  Matthew Horwood Colaborador Getty Images
Vacina AstraZeneca/Oxford utiliza tecnologia de "vetor viral" Imagem: Matthew Horwood Colaborador Getty Images

03/04/2021 11h17

A vacina da covid-19 da AstraZeneca/Oxford é barata e fácil de armazenar, mas vem acumulando polêmicas, sobretudo em relação aos seus efeitos colaterais. Aqui estão são algumas de suas principais características:

"Vetor viral"

Esta vacina foi desenvolvida pelos pesquisadores da Universidade de Oxford em colaboração com o laboratório britânico AstraZeneca. É uma vacina "de vetor viral": tem como base outro vírus (um adenovírus de chimpanzé) que foi debilitado e geneticamente modificado para impedir que o coronavírus se reproduza no organismo humano.

A forma como introduz o material genético nas células, ordenando-as a atacar o SARS-CoV-2, foi classificada como "cavalo de Troia".

Prática e acessível

A vacina da AstraZeneca/Oxford tem a vantagem de ser barata (cerca de 2,5 euros, ou 3 dólares por dose, com variações de acordo com os custos de produção locais). A AstraZeneca se comprometeu a vendê-la a preço de custo.

Também é fácil de armazenar: pode ser conservada na temperatura de uma geladeira, entre 2ºC e 8ºC, ao contrário das vacinas da Moderna e da Pfizer/BioNTech, que podem ser armazenadas a longo prazo apenas a temperaturas muito baixas (-20°C no primeiro caso, e -70°C, no segundo).

Isso facilita uma vacinação em grande escala.

Confusão sobre eficácia

Segundo o laboratório britânico, o produto tem uma eficácia média de 70% (contra mais de 90% para Pfizer/BioNTech e Moderna), resultado validado pela revista científica The Lancet.

Nos primeiros resultados publicados, de ensaios clínicos anteriores à sua aprovação, houve variações na eficácia, de acordo com as diferentes doses administradas por engano, o que semeou dúvidas e provocou críticas, levando a empresa a realizar estudos adicionais.

Sua eficácia em pessoas com mais de 65 anos também foi questionada na Europa por falta de dados, até que novas informações, extraídas das campanhas de vacinação dos países mais avançados neste campo, deram garantias a esse respeito.

Vários países, como Alemanha e Itália, finalmente a autorizaram para essa faixa etária, na esperança de acelerar suas campanhas de imunização.

Estudo realizado por autoridades de saúde da Inglaterra mostrou proteção de 60% a 73% contra as formas sintomáticas da doença em pessoas com mais de 70 anos, com dose única.

Efeitos colaterais

Suspeita-se de possíveis efeitos colaterais graves, mas raros, após a detecção de casos atípicos de trombose em pacientes vacinados com AstraZeneca.

Dezenas de casos foram registrados, alguns dos quais resultaram em mortes.

O Reino Unido registrou 30 casos e sete mortes, até o momento, de um total de 18,1 milhões de doses administradas até 24 de março.

Nenhuma observação semelhante foi relatada após a aplicação de milhões de doses do imunizante Pfizer/BioNTech.

Segundo a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), "nenhuma relação causal foi comprovada, mas é possível", e os benefícios do imunizante contra o coronavírus continuam a superar os riscos.

Como precaução, vários países decidiram não administrar essa vacina abaixo de certa idade, como Alemanha e Holanda (60 anos), França e Canadá (55 anos), ou Suécia e Finlândia (65 anos).

Por sua vez, a AstraZeneca disse em março que "não há evidências de um risco agravado" de coágulos sanguíneos.

Atrasos nas entregas

O órgão regulador britânico, MHRA, foi o primeiro a aprovar seu uso em massa. País mais afetado na Europa pela covid-19, com 125.000 mortes, o Reino Unido encomendou 100 milhões de doses desta vacina.

Atrasos nas entregas para os países da União Europeia geraram graves reclamações, já que o laboratório britânico forneceu ao Reino Unido os estoques prometidos.

Recentemente, a Itália bloqueou a exportação de 250.000 doses, citando "escassez persistente" e "atrasos no fornecimento".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que outros países podem bloquear as exportações. E afirmou que a AstraZeneca entregou "menos de 10%" das doses encomendadas entre dezembro e março.

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