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Desejo por doce no meio do expediente? Entenda efeitos do açúcar no cérebro

Denis Freitas
Imagem: Denis Freitas

Leonardo Valle

Colaboração para o VivaBem

20/04/2020 04h00

Muita gente relata uma vontade incontrolável de devorar um docinho no meio do expediente. Estaria o cérebro precisando de glicose para "funcionar" melhor? Não necessariamente.

"O cérebro precisa de muita glicose, que é o seu principal combustível. Para queimá-la, consome 20% de todo oxigênio que chega ao corpo", descreve Carlos Alberto Saraiva Gonçalves, professor de Bioquímica e Neurociência da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). "A glicose ainda é utilizada na produção dos neurotransmissores glutamato, GABA e de antioxidantes que neutralizam os radicais livres, derivados da própria queima dela", completa.

Porém, mesmo um jejum de dias não afetaria os níveis de glicose do cérebro em uma pessoa saudável. "Nesse caso, todos os órgãos poupariam a substância, exceto ele, que captaria a glicose produzida fígado. Em último caso, utilizaria corpos cetônicos (ácidos derivados da queima de gordura)", desmistifica.

A fome durante o expediente, na verdade, é causada pelo trabalho estressante, conforme complementa Frederico Porto, psiquiatra e nutrólogo de Belo Horizonte (MG). "O estresse faz o cérebro se preparar para lutar ou fugir. Assim, há a liberação do neurotransmissor adrenalina e do hormônio cortisol", assinala.

Para enfrentar essa (hipotética) situação emergencial, o organismo precisará de energia. Isso aciona a secreção do hormônio insulina para "empurrar" o açúcar que está no sangue para o interior das células. "A consequência é uma hipoglicemia (falta de açúcar) repentina, que provocará fome", resume.

Sistema de recompensa

Já o desejo específico pelo doce pode derivar de uma relação entre o sistema de recompensa cerebral —que tem a dopamina como figura central — e a memória. Basicamente, o açúcar na língua aciona a produção desse neurotransmissor, que ajuda na sensação de prazer. Ao que tudo indica, essa boa experiência fica registrada na memória.

A neurocientista Marcia Pelchat, em estudo publicado na revista científica NeuroImage (2004), descobriu que o hipocampo e a insula são áreas cerebrais ativadas no desejo por comida. Enquanto o primeiro é importante para a memória, a segunda contribui para a relação emocional com a comida. Assim, a hipótese é que você se lembre, a partir de experiências vividas anteriormente, que o açúcar é capaz de proporcionar o prazer necessário para mitigar o estresse. Conheça cinco dicas para não se transformar em um escravo do açúcar quando os prazos na empresa apertarem.

  • Denis Freitas / UOL VivaBem

    Corte o ciclo da hipoglicemia

    O açúcar branco é do tipo monossacarídeo, que tem absorção rápida e gera mais fome. Se a comida escolhida for com mais açúcar, o ciclo se inicia novamente. "Nas empresas, é o famoso ?biscoitinho com café?, consumido ao longo do dia. Isso vai gerando um pico de hipoglicemia atrás do outro e um desejo recorrente pelo doce?, adverte Porto. Para a produtividade, a hipoglicemia é ruim porque altera as funções cognitivas. ?Leva, por exemplo, à perda de atenção", destaca o médico. Para a saúde, o hábito pode causar perda da sensibilidade à insulina. O hormônio é produzido, mas as células não o reconhecem, fazendo a glicose se acumular no sangue e podendo evoluir para um quadro de diabetes do tipo 2. "Essa glicose danifica o cérebro do diabético, que terá mais pré-disposição ao Alzheimer", enfatiza Gonçalves.

  • Denis Freitas/ VivaBem

    Substitutos que "enganam" o cérebro

    Frutas possuem um tipo específico de açúcar: a frutose. Como contam também com fibras --e algumas com gorduras boas -- sua digestão é mais lenta e evitam picos de glicemia. Nessa categoria estão abacate, acerola, amora, cereja, coco framboesa e morango. A banana, por sua vez, é absorvida rapidamente. "Contudo, é rica triptofano, substância percursora do neurotransmissor serotonina, vinculada à sensação de bem-estar", apresenta Porto. "Sobre gorduras boas, outra opção de doce é o chocolate amargo (70% de cacau)", ressalta. Vale ainda substituir o açúcar branco, que é monossacarídeo, por alimentos polissacarídeos. Por terem mais moléculas, também demoram mais a serem absorvidos. "O pão integral é uma boa opção, contendo ainda fibras", sugere.

  • Denis Freitas/ UOL

    Desligue o computador para comer

    Estressado, realizando diversas tarefas simultaneamente e com o sistema de "luta e fuga" acionado, a tendência é você comer rápido. O cérebro, contudo, demora aproximadamente 20 minutos para registrar a sensação de saciedade. Contra isso, é necessário melhorar a atenção sobre o que se está comendo. "Mastigue devagar e pare as atividades e desligue o computador quando for comer, principalmente se for um doce", recomenda Porto. "Caso contrário, a tendência é consumar uma porção maior do doce e, com isso, mais açúcar", ilustra.

  • Denis Freitas/ Vivabem

    Reorganize-se contra o estresse

    Se o desejo pelo brigadeiro é causado pelo estresse, o segundo deve ser combatido. As alternativas são reorganizar o tempo no ambiente de trabalho e melhorar as relações interpessoais. No primeiro caso, vale negociar prazos, repensar novos fluxos, redistribuir encargos e incluir mais horas de descanso na rotina. No segundo, a dica é criar uma rede de apoio, pedindo ajuda à liderança, colegas ou mesmo à equipe de Recursos Humanos.

  • Denis Freitas/ Vivabem

    Meditação para neutralizar o cortisol

    Quando o assunto é o estresse, outra opção é incluir a meditação na rotina. Pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) mostrou que apenas dois meses de meditação ou ioga, em sessões de 75 minutos realizadas três vezes na semana --diminuiu pela metade os níveis de cortisol dos participantes. Com menos cortisol, a insulina não será acionada e a fome gerada pela hipoglicemia é evitada. Para completar, a meditação ajuda a manter bons níveis dos neurotransmissores serotonina (bem-estar) e dopamina (prazer, disposição e atenção).

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