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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A forma como você se enxerga pode melhorar suas escolhas alimentares

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Imagem: iStock
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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

06/09/2021 04h00

A insatisfação com a imagem corporal e principalmente a forma como as pessoas enxergam a si mesmas são fatores determinantes para tentativas de dietas restritivas e do desenvolvimento de transtornos alimentares.

Um estudo feito em Brasília com mulheres praticantes de musculação demonstra que mais de 60% delas apresentam insatisfação com a sua própria imagem corporal, confirmando que mulheres são bastantes suscetíveis à busca pelo "corpo perfeito". Portanto, muitas vezes, a prática de atividade física e mudança de alimentação tem relação com a tentativa de busca por uma aceitação social.

Dizem que o momento atual é pautado no culto ao corpo, porém cultuar o corpo tem relação com celebrar tudo aquilo que você é capaz de fazer, envolvendo atividade física, escolhas alimentares e autocuidado. A partir do momento que essas práticas têm como fim atingir uma aparência que está no campo das ideias ou até mesmo no mundo das redes sociais, o que temos é um culto à imagem, e não ao corpo. Portanto, grande parte da insatisfação corporal é moldada pela busca incessante de uma imagem vista nos outdoors de produtos de beleza, nas propagandas de academias ou até mesmo em celebridades e blogueiras "fitness".

As atitudes relacionadas ao corpo são formadas na primeira infância e adolescência e nessas fases já são criadas associações negativas às pessoas com obesidade e positivas com pessoas magras. Sendo assim, os comentários e críticas em relação à aparência que você ouviu na infância moldam a forma como você se enxerga e o que sente pelo seu corpo.

Suponha que você foi criado em um ambiente em que a preocupação em não engordar seja o foco da família. É comum, então, crescer com o pensamento de necessidade de fazer dietas restritivas e controlar o peso por meio do excesso de atividade física. Alguns adultos crescem com o pensamento de fazer dieta pois sempre viram os pais preocupados com o corpo e fazendo restrições alimentares.

Existe também o caso de você crescer em um ambiente gordofóbico, onde a família sempre faz críticas às pessoas com sobrepeso e obesidade. Dessa forma, o comportamento vai sendo moldado a partir de um olhar mais estigmatizado, no qual as pessoas acima do peso são vistas como preguiçosas, desleixadas e sem vergonhas. Nesses casos é comum algumas pessoas estarem em uma luta eterna com o corpo, pois aprenderam a fazer restrições na adolescência, desenvolveram exageros alimentares na fase adulta e hoje em dia vivem uma briga consigo mesmas por não saberem lidar com o corpo e a comida.

Repare que esses exemplos de criação demonstram que entender as próprias questões em relação a sua imagem corporal é fundamental para compreender como lidar com a comida e os porquês de praticar atividade física. A forma como você se enxerga o ajuda a entender seus sentimentos em relação ao seu corpo e a desenvolver autonomia para fazer escolhas alimentares relacionadas a sua saúde, o que é diferente de fazer escolhas para se encaixar em um corpo que está apenas no mundo das ideias, criado a partir da forma que você aprendeu a se enxergar desde a infância.

Se olhar com mais amor e compaixão ajuda a se aceitar. Lembrando que se aceitar não tem nada a ver com conformismo ou desleixo com a saúde. Mas ajuda a saber que você pode fazer parte desse mundo independentemente da sua criação. Quando você aprende a se enxergar de forma mais amorosa, cuidar da saúde passa a ser algo mais leve, pois se trata de uma escolha pautada em cuidar da sua própria casa, ou seja, o seu corpo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL