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Victor Machado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Os "superalimentos" são realmente necessários?

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

12/04/2021 04h00

Você já deve ter ouvido falar nos famosos "superalimentos", mas será que eles realmente existem?

A verdade é que até o momento, não existe consenso na literatura cientifica para defender a ideia de que exista de fato um superalimento. O termo é, na verdade, utilizado como ferramenta de marketing pela indústria alimentícia.

Em geral, o termo é usado para definir alimentos com propriedades e benefícios superiores aos demais, além de serem divulgados pela capacidade de realizar milagres quando se trata de emagrecimento, prevenção de doenças crônicas e longevidade. No geral, superalimentos são ricos em vitaminas, minerais e outros compostos de nomes complicados como, bioativos, polifenóis e carotenoides.

Alguns poucos exemplos desses são: chia, mirtilo, goji berry, açaí e amaranto. E de fato, esses e outros são ricos em compostos antioxidantes e trazem benefício para a saúde. Mas será que os tais superalimentos são realmente fundamentais para o bem-estar?

Na literatura cientifica são encontrados testes com esses alimentos em grupos distintos para analisar o potencial efeito preventivo em doenças metabólicas. Os achados mostram que temos resultados limitados para efeitos consistentes em parâmetros relacionados a prevenção ou tratamento de diabetes, hipertensão e obesidade.

Para muitos dos alimentos, os resultados científicos são contraditórios ou não convincentes, além de muitos estudos serem limitados.

Isso não quer dizer que esses alimentos não sejam benéficos para a saúde ou que não possam fazer parte de uma alimentação equilibrada. Mas é importante não hierarquizarmos os alimentos como se existisse um melhor do que o outro.

Existem aqueles alimentos que devem aparecer com mais frequência e aqueles que podem ser consumidos com mais cautela, porém para cada um existe em um contexto ideal.

Talvez uma xícara de leite com café acompanhada de pão de queijo na companhia da sua avó não possua as mesmas características nutricionais de um pudim de chia, mas certamente oferece valor afetivo positivo no seu bem-estar.

Isso serve para esclarecermos, que alimentação não deve ser tratada de forma sensacionalista em que só devemos consumir "alimentos superpoderosos" e eliminar todos os outros alimentos que não forem considerados "mágicos".

No contexto atual que vivemos, o Brasil praticamente está retornando ao mapa da fome, acumulando uma população com mais de 19 milhões de famintos. Em um país que não existe segurança alimentar de forma igualitária para todos, será que para um grupo que passa fome, arroz com feijão não seriam considerados "superalimentos"?

Você pode dizer que come cardamomo ou moringa e se sente revigorado, que toma açaí todos os dias e se sente mais disposto ou que a chia ajudou a melhorar a sua saúde intestinal. Não existe problema nenhum em consumir os tais superalimentos, mas a verdade é que desde sempre o básico funciona, ou seja, consumir mais frutas, vegetais, fibras e não deixar de lado a hidratação, além de fazer atividade física com frequência.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL