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Paola Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pedra no rim: quais fatores influenciam a formação dos cálculos

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do VivaBem

01/10/2021 04h00

Sabia que o processo de cristalização não gera cálculos renais —a popular pedra no rim— em todas as pessoas? Para isso ocorrer, deve haver um desequilíbrio no organismo entre promotores (cálcio, ácido úrico, oxalato, sódio, cistina) e inibidores da formação dos cristais (citrato, magnésio, amino glicanos).

Alguns fatores influenciam a formação de cálculo, são eles:

  • Fatores epidemiológicos Gênero, idade, hábitos dietéticos, clima, ocupação, genética.
  • Estados de hiperexcreção Eles são alterados pela a alimentação, como a hipercalcemia idiopática, hiperexcreção de ácido úrico, hiperoxalúria, cistinúria.
  • Anormalidades do pH urinário Em quadros de síndrome metabólica, por exemplo, o pH torna-se ácido, podendo levar à cristalização.
  • Redução do volume urinário Ocorre devido a uma baixa ingestão de água.
  • Deficiência de inibidores da cristalização Hiporcitratúria, magnésio, GAGs etc.

Todos esses fatores podem levar a distúrbios metabólicos que deixam o paciente mais suscetível a ter a patologia.

  • Problemas de hipercalciúria Pode desenvolver cálculos constituídos por oxalato de cálcio.
  • Problemas de hiperuricosúria Pode desenvolver cálculos constituídos por ácido úrico puro ou associado com oxalato de cálcio.
  • Problemas de cistinúria Pode desenvolver cálculos constituídos por cistina.
  • Problemas de acidose tubular renal Pode desenvolver cálculos constituídos por fosfato de cálcio.

De acordo com a Mayo Clinic, estima-se que uma em cada dez pessoas terá um cálculo renal ao longo da vida. Os cálculos renais não são apenas dolorosos, eles também podem levar a sérias complicações que podem exigir hospitalização ou até mesmo cirurgia. A boa notícia é que é possível evitar os cálculos renais e a prevenção é tão simples quanto comer os alimentos certos.

Foi realizado em 1993 um grande estudo com mais de 45 mil homens sadios. Eles foram acompanhados por oitos anos. Os cientistas concluíram que a incidência de cálculo era inversamente proporcional à ingestão de cálcio. Por isso, quanto menor a ingestão de cálcio, mais a possibilidade de se formar cálculo —o que muitos ainda pensam no oposto, já que o cálcio urinário pode estar elevado.

Anos depois, um estudo avaliou pacientes com hipercalciúria. Eles foram divididos em dois grupos, sendo um grupo com restrição de cálcio e o outro com restrição de proteína e sal. Após 5 anos, a pesquisa chegou à mesma conclusão: quanto menos cálcio na alimentação, maior a recorrência de cálculo.

Qual razão disso? No intestino formam-se complexos entre oxalato e cálcio. Como não são absorvidos, em situações normais, eles são excretados nas fezes. Porém, quando não ingerimos cálcio, o oxalato fique livre e não tem com quem se ligar, por isso é cristalizado no rim.

Ivan Porter II, nefrologista na Mayo Clinic, explica como adotar uma dieta apropriada para prevenir os cálculos renais. "O mais importante quando pensamos em cálculos renais é a prevenção," afirma Porter.

Um plano de prevenção sólido inclui pensar nos tipos de alimentos que você está consumindo. Porter afirma que frutas e vegetais com alto teor de água, como o pepino, o tomate e a melancia são boas opções, pois possuem citrato natural.

"Estes elementos são inibidores naturais da formação de cálculos e podem fazer parte de um plano de prevenção de cálculos renais," afirma o Dr. Porter.

Isso é tão importante quanto pensar sobre os alimentos que você não deveria consumir. A proteína animal, por exemplo, em excesso pode levar ao desenvolvimento de cálculos, devido ao aumento do nível de ácido úrico e redução nos níveis de citrato.

"Sabemos que as fontes de proteína animal estão diretamente associadas a um maior risco de formação de cálculos. Uma maneira de evitar ainda mais a produção de cálculos seria limitar o consumo de carne a uma quantidade menor," afirma o Dr. Porter.

Devemos ainda não consumir exageradamente certos alimentos com alto teor de oxalato, como acelga, amaranto, batata-doce e beterraba, pois "muitos alimentos que podem ser bons para você também podem ter um impacto negativo sobre os cálculos. E uma maneira de combater isso seria por meio da ingestão de um pouco de cálcio na dieta juntamente com estas refeições/alimentos fonte de oxalato", afirma o Dr. Porter.

*Colaboração Dr. Ivan Porter II, nefrologista na Mayo Clinic.

Referências:

- Tabela brasileira de composição de alimentos

-TACO. NEPA-UNICAMP, 2011.

- Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

- Conselho federal de nutricionistas.

- Curhan, et al. New Engl J Med 328:833, 1993.

- Borght, et al. New Engl J Med 346:77, 2002.

- Hellberg IP: Nephrol Dial Transplant 15:117, 2000.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL