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Mariana Varella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quantos minutos de atividade física precisamos para viver com saúde?

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Mariana Varella

Mariana Varella é cientista social e jornalista de saúde. Editora-chefe do Portal Drauzio Varella e pós-graduanda da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo).

Colunista do VivaBem

13/04/2022 04h00

Todo mundo que decide praticar atividade física em busca de mais saúde e qualidade de vida se pergunta: quanto tempo de exercício preciso fazer? Meia hora por dia? Uma hora diária, três vezes por semana, é suficiente? E qualquer atividade serve, ou apenas exercícios intensos?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda de 150 a 300 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana para todos os adultos e uma média de 60 minutos de atividade aeróbica moderada por dia para crianças e adolescentes.

Essa é a quantidade mínima necessária para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e vários tipos de câncer, entre muitos outros problemas de saúde.

Embora toda atividade física, como a realizada para ir a pé ao supermercado ou desempenhar as tarefas domésticas, conte e seja melhor do que o sedentarismo, a OMS reforça a importância de se realizar atividade moderada ou rigorosa. Mas, afinal, o que é atividade física moderada?

Qualquer atividade que aumente a frequência cardíaca e respiratória a ponto de nos sentirmos ofegantes sem perder o ar pode ser considerada moderada. Em termos práticos, caminhar com passo acelerado, andar de bicicleta em lugares planos e passear de patins são exemplos de atividades moderadas.

E como distribuir o tempo recomendado? Estudos recentes mostram que a maneira como você distribui o tempo pouco importa: você pode, por exemplo, realizar 15 sessões de 10 minutos de atividade moderada na semana ou 5 de meia hora, os benefícios na redução da mortalidade precoce são os mesmos.

Toda atividade física conta como forma de combater o sedentarismo, incluindo as caminhadas feitas entre a casa e o escritório, por exemplo. Para as pessoas com menos de 60 anos, a quantidade de passos diários recomendada para reduzir o risco de morte precoce é algo entre 8 mil a 10 mil; indivíduos com mais de 60 anos devem dar cerca de 6 mil a 8 mil passos por dia, segundo meta-análise publicada na Lancet de março deste ano.

Isso significa que sessões mais intensas menos vezes por semana também são eficazes, embora os atletas de fim de semana deixem de obter o benefício de práticas mais constantes, como controle do índice glicêmico e humor. Além disso, quem pratica atividade intensa com pouca regularidade tem mais risco de se machucar.

A recomendação a respeito de minutos e passos por dia diz respeito ao aumento da expectativa e da qualidade de vida, e não do desempenho físico, que, obviamente exige a prática de exercício regular.

Para aumentar a massa muscular, o condicionamento cardiorrespiratório e evitar o aumento de peso, é importante realizar atividades físicas mais vigorosas, prolongadas e frequentes. Se seu intuito é combater o sedentarismo e aumentar a expectativa de vida, qualquer atividade vale.