PUBLICIDADE

Topo

Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Uso de adesivo anticoncepcional permite nadar e ir à praia; saiba mais

Nuvaring Divulgação
Imagem: Nuvaring Divulgação
Conteúdo exclusivo para assinantes
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

27/04/2022 04h00

O tempo passa e com isso muitas coisas se alteram, métodos contraceptivos se modernizam, mas jamais saem de moda, pois desde a antiguidade o planejamento familiar faz parte das relações entre as pessoas de alguma forma.

Os primeiros métodos descritos eram incômodos e com muitos efeitos colaterais, existe a descrição do uso de cocô de crocodilo, goma, mel, tripa de animal, DIU de osso de animal, massa fermentada, até que em agosto 1960 ocorreu o lançamento da primeira pílula contraceptiva nos Estados Unidos.

Independente do método contraceptivo, é válido lembrar que todas as opções, hormonais ou não, incluem algum tipo de atitude, compromisso ou cessão. Seja com a tabelinha, que requer disciplina e abstinência em períodos específicos; preservativo, que algumas pessoas se incomodam de utilizar por diversos motivos; até os métodos hormonais, que possuem efeitos colaterais indesejáveis em muitas situações.

Todos possuem pontos positivos e negativos, nenhum é isento de falha, mas todos, se usados corretamente, auxiliam na programação para uma gestação no momento desejado, sendo que a maioria deles não fornece outro benefício além da contracepção.

Essa busca constante por um método alternativo permitiu no início do século 21 a criação do adesivo contraceptivo, que pode ser colocado na pele em uma região sem pelos, como nádegas, abdome e região interna do braço.

Para reduzir as possibilidades de falha é necessário que o adesivo esteja bem fixado a pele, sem uso de maquiagens, cremes e óleos onde o implante será aplicado. Se bem aplicado, atividades como tomar banho, ir à praia, piscina, exercício físico e natação podem ser feitos sem problemas, apenas observando se existe alguma alteração no adesivo.

O adesivo deve ser trocado a cada sete dias por 3 semanas, totalizando 21 dias de uso, seguidos de sete dias de pausa, assim ele irá agir bloqueando um dos hormônios que age diretamente na ovulação, além de dificultar a chegada dos espermatozoides até a tuba. De efeito colateral é possível observar dor na mama, náuseas e vômitos, dor de cabeça, fadiga, oleosidade na pele e sangramento uterino irregular.

O método do adesivo é uma boa opção, porém em alguns casos é contraindicado, sendo: tromboflebite atual ou passada, distúrbios tromboembólicos, história de tromboflebite de veia profunda ou distúrbios tromboembólicos, doença vascular cerebral ou arterial coronariana, doença de válvula cardíaca com complicações, hipertensão grave, enxaqueca, diagnóstico ou suspeita de câncer de mama, endométrio, ovário e sangramento uterino com causa desconhecida.

Sendo utilizado corretamente, a possibilidade de uma gravidez indesejada é de aproximadamente 1% (1 gravidez a cada 100 pessoas que utilizam por ano). Atrasos na troca, uso em local incorreto, com produtos como óleos e cremes são alguns motivos que podem afetar a eficácia do método e pessoas com peso acima de 90 quilos devem conversar com o médico antes, pois esse pode ser outro motivo para redução da eficácia.

Atualmente no Brasil dispomos apenas de um fabricante do adesivo anticoncepcional, que pode ser comprado nas farmácias com orientação de um médico ou profissional de saúde e como todos os métodos anticoncepcionais, como foi dito, possui os riscos colaterais e benefícios, cada um deles deve ser avaliado e pensado por quem irá utilizar.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

Colquitt CW, Martin TS. Contraceptive Methods. J Pharm Pract. 2017 Feb;30(1):130-135. doi: 10.1177/0897190015585751. Epub 2016 Jul 8. PMID: 26033795.

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Anticoncepção hormonal combinada. São Paulo: FEBRASGO; 2021. (Protocolo FEBRASGO-Ginecologia, no 65/ Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção).