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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Adeus, tabu! Você, mulher, conhece bem todos os órgãos genitais femininos?

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

20/04/2021 04h00

A infinidade de nomes utilizados para falar dos genitais femininos é notória, mas observando alguns deles é possível perceber quantos são infantis ou estão no diminutivo trazendo para muitas mulheres uma ideia de fragilidade, que em algum momento pode se transformar em um bloqueio.

Além de criarem a ideia de que a sexualidade feminina está focada em um único órgão sensível e frágil que, por muitas, é desconhecido por toda a vida sem a oportunidade de diferenciar vulva e vagina.

Pode parecer clichê, mas antes de pensar em um distúrbio ou em uma falta de desejo sexual é necessário conhecer o próprio corpo e as regiões que compõe os genitais femininos, dar nomes diferentes para as estruturas que são diferentes, sem aquela divisão entre mama e vagina, como se fossem os únicos envolvidos na sexualidade.

Vou falar de alguns dos órgãos e explicar alguns conceitos:

A vagina é um órgão em formato de tubo que se conecta ao útero, por onde sai o sangue menstrual, pode ser penetrada e produz secreção lubrificante.

A vulva é a genitália externa feminina e contém o monte de Vênus (região dos pelos pubianos), lábios internos e externos (também chamados de lábios maiores e menores), glândulas genitais e clitóris.

Sabendo disso é possível notar que algumas pessoas se referem a vulva nomeando de vagina por engano ou desconhecimento.

O clitóris é um órgão erétil cheio de terminações nervosas que pode aumentar de tamanho sob estímulo sexual. Todas essas terminações nervosas podem ser a ponte para saber porque algumas pessoas chegam ao orgasmo mais facilmente ao receber estimulação lá. Além de ser um lugar de exploração para o próprio prazer ou para guiar a parceria sexual, se for o desejo de ambos.

Dando base para a pelve temos o períneo, que é composto por músculos, ligamentos e tecidos de cobertura, ele é responsável por sustentar os órgãos pélvicos e abdominais.

Conhecendo as estruturas é possível entender algumas questões que permeiam a sexualidade feminina como o conceito que temos do hímen.

Para muitas pessoas, o hímen é como um selo de virgindade e vedação, algo que marca o início da sexualidade ainda que o corpo já tenha conhecido outro corpo intimamente. Para quem vê o hímen desta forma, a penetração vaginal parece o único ponto a ser levado em conta quando o assunto é sexualidade.

Mas talvez pensar no hímen como ele é anatomicamente, uma membrana permeável e que na maioria da população possibilita a passagem do sangue mensalmente, pode ser uma ponte para buscar mais conhecimentos sobre a sexualidade.

Esse conhecimento com tantos tabus e receios ainda possui muita resistência, mas já observamos mudanças e muitas pessoas empenhadas em trazer informações de maneira clara e acessível.

Uma delas é a fisioterapeuta pélvica Claudia Milan do @sosperineo, que fala sobre saúde intima e sexualidade de forma descontraída no Instagram. Segundo ela: "Existe a necessidade de fazer a informação chegar ao público, com uma interface que desperte nas pessoas o desejo de consumir aquele conteúdo sobre saúde íntima".

Cláudia também conta que "no geral, as pessoas recebem as informações favoravelmente e muitas ficam surpresas com o 'mundo de possibilidades' que mostro, trazendo dúvidas a respeito do que seria 'normal', mas sempre ensino que o diálogo precisa ser o foco! Falar sobre sexo é muito mais proveitoso do que ignorar sua existência."

Mesmo com diversos canais informativos algumas pessoas ainda iniciam a vida sexual se inspirando em relatos de conhecidos ou filmes pornô, mas conhecer o próprio corpo e entender que, assim como os outros filmes são ficção, o pornô também é e muitas vezes retrata um prazer que para você poderá não ser prazeroso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL