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Larissa Cassiano

Câncer de colo do útero e a importância da realização do papanicolau

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

08/12/2020 04h00

Quem nunca ouviu falar que alguém está com câncer e pensou nos desafios que a doença traz?

Hoje, diversas formas de câncer possuem tratamentos que muitas vezes não geram alterações tão marcantes como anteriormente, mostrando o quanto evoluímos nos cuidados de saúde.

Essa semana a notícia do câncer de útero da Fátima Bernardes trouxe algumas dúvidas, como é essa doença?

Dividimos o câncer uterino entre o colo parte mais inferior, que liga a vagina ao útero; corpo do útero (parte do fundo do útero) e endométrio (parte interna), mas pensando na frequência, vou trazer algumas informações sobre o câncer de colo do útero.

O câncer de colo do útero no Brasil é a terceira neoplasia maligna entre as mulheres e o quarto que mais mata. Ele pode ocorrer por infeção pelo HPV, que recentemente foi tema aqui na coluna, pelo tabagismo, início precoce da vida sexual e múltiplos parceiros sexuais. É um dos tipos de câncer que temos mais facilidade para realizar a prevenção antes que se instale uma doença mais grave, graças ao papanicolau e, mais recentemente, graças a vacina conta o HPV, além de possuir alta taxa de cura.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que todas as mulheres que já tiveram relação sexual realizem o papanicolau anualmente. No Brasil, a recomendação é que mulheres entre 25 e 64 anos devem realizar o exame preventivo.

O papanicolau, preventivo ou colpocitologia oncótica, dentre outras formas que utilizamos para chamar o exame, avalia se as células do colo possuem alterações que sugerem as lesões precursoras (lesões que podem anteceder) o câncer de colo uterino, que chamamos de NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical). Este pode ser classificado em três estágios diferentes que auxiliam os ginecologistas a decidir qual tratamento seguir, pois do NIC até o câncer invasivo do colo do útero a evolução pode ser de até 10 anos.

Quais são os sintomas do câncer de colo do útero?

O câncer de colo do útero na sua fase inicial não costuma ter sintomas, outro motivo para reafirmar a importância do papanicolau anualmente. Os sintomas, quando presentes, geralmente só são percebidos na fase mais avançadas com sangramento vaginal, dor durante a relação sexual, dor pélvica, dor abdominal, anemia, alteração intestinal e urinária.

E as alterações no papanicolau?

O tratamento das alterações no papanicolau vai depender do estágio em que elas estão, com um detalhe, para quem muitas vezes olha o resultado do exame e já vai procurar informações na internet, a inflamação no papanicolau não é doença, é uma alteração típica desta região que só deve ser acompanhada na maioria dos casos, sem indicação e cauterização, ou risco de câncer, caso não exista nenhuma alteração a mais.

O resultado do papanicolau pode ser: negativo para câncer, lesão de baixo grau em que um novo exame deve ser repetido em 6 meses e se possível associado a colposcopia, lesão de alto grau que indica colposcopia de imediato para que uma biópsia do local seja feita.

Realizando a biópsia e confirmado o câncer, os estágios podem ser de diversos tipos e com várias formas de tratamento. Sendo divididos de 1 a 4; no estágio 1 apenas o colo do útero possui lesão e a chance de metástase é de 3%, já no 4 a lesão pode se estender a outros órgãos com chance de metástase de 75%.

Qual tratamento para o câncer de colo do útero?

Na fase inicial do câncer é possível realizar a cirurgia de alta frequência (CAF) ou conização (procedimento que retira uma parte pequena do colo uterino), com recuperação rápida e sem necessidade de novos procedimentos na maioria dos casos, ou seja a fase inicial do câncer de colo possui um tratamento que pode ser feito em ambulatório com alta taxa de cura e sucesso.

Nos estágios mais avançados, os tratamentos são feitos com cirurgias maiores como a histerectomia, para retirada do útero, radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia, dependendo do tamanho do tumor e se ele afeta outros órgãos.

Espero que este texto reforce a importância de realizar o papanicolau anualmente, mostre que o câncer de colo do útero possui muitas fases com diversas possibilidades de tratamento e cura.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

Referência

- Rastreio, diagnóstico e tratamento do câncer de colo de útero. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2017.