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Larissa Cassiano

Infecção pelo HPV é complexa e pode evoluir para câncer de colo de útero

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

24/11/2020 04h00

O HPV (Papilomavírus Humano) é um vírus com mais de 150 tipos diferentes, sendo que 12 possuem a capacidade de levar ao câncer de colo e os demais tipos podem causar lesões genitais e na pele.

A infecção pelo HPV é a principal causa de câncer do colo do útero, o segundo câncer mais frequente entre as mulheres e a quarta maior causa de morte por câncer no Brasil.

O HPV geralmente é adquirido através de relações sexuais que podem ser por contato oral-genital, genital-genital, mão-genital. A estimativa é que, no mundo, de 25% a 50% das mulheres e 50% dos homens estão infectados pelo HPV.

A infecção pelo HPV é muito complexa e geralmente não persiste, quando se mantém pode ficar por anos sem se manifestar e até mesmo evoluir para uma alteração no colo do útero que pode, em seguida, regredir espontaneamente, porém em algumas mulheres ele pode evoluir para câncer do colo do útero.

Isso explica a importância do Papanicolau anual, assim essa alteração pode ser diagnosticada mais precocemente e o tratamento feito mais rapidamente possível.

No homem, a maioria das infecções não leva a lesões visíveis e o diagnóstico delas pode ser feito pela peniscopia, exame que faz a visualização do pênis com lente adequada.

Para as mulheres, o Papanicolau tem o objetivo de detectar alterações nas células do colo do útero. O grande causador dessas alterações é o HPV e, muitas vezes, esse tipo de alteração não traz mudanças que possam ser percebidas pela própria pessoa, até que se não for acompanhada poderá evoluir para câncer de colo do útero e diagnosticada em fases mais avançadas.

Hoje o que podemos fazer para diagnóstico é o já conhecido Papanicolau, Colposcopia com biópsia no caso de leão suspeita, captura híbrida e PCR que avaliam diretamente o vírus.

Para prevenção, a vacina é uma das melhores opções para evitar infeções graves causadas pelo HPV. Ela é fornecida no SUS (Sistema Único de Saúde) para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos e pode ser tomada em clínicas em outras idades, mas não trata pessoas que já tenham a infecção pelo HPV.

Até pouco tempo acreditava-se que não existia uma cura para o HPV, apenas tratamento para as lesões. Entretanto, vem se estudando a hipótese de que, para alguns tipos mais frequentes, exista uma cura espontânea, principalmente nas adolescentes.

O que podemos fazer para evitar a progressão da infecção, no caso das verrugas é utilizar medicamentos para sua eliminação, eletrocauterização, laser, cauterização a frio, retirada cirúrgicas, métodos químicos, quimioterápicos e imunoterápicos.

No caso de lesões que afetem o colo, é de extrema importância que a pessoa realize acompanhamento com Papanicolau anual e, dependendo do grau da alteração no colo do útero, parte da lesão pode ser retirada cirurgicamente.

Para muitas mulheres com HPV a gravidez se torna um momento de grande ansiedade, a mudança de imunidade deste período pode levar a um aumento ou surgimento de verrugas genitais. Existe o medo de transmitir para o feto, ponto que ainda não foi bem estabelecido porque a infecção pode ocorrer na gravidez, no parto e no pós-parto. Por este motivo, o parto não precisa ser por cesariana caso não exista nenhuma outra contra-indicação.

O HPV possui muitas formas de contágio e sua infecção é complexa, assusta, mas passado o susto, é sempre importante lembrar que a maioria das pessoas com a infecção vai evoluir bem e sem persistência. Para quem já se infectou, seguir o controle com Papanicolau é a forma mais segura de evitar evoluções graves e para quem puder, a melhor prevenção permanece sendo a vacina.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

Skoczyn´ski M, Gozdzicka-Józefiak A, Kwasniewska A. The prevalence of human papillomavirus between the neonates and their mothers. BioMed Res Int. 2015;2015:126417.

Fedrizzi, Edson Natal. Doenças Sexualmente Transmissíveis.. Universidade Federal de Santa Catarina. Projeto HPV. Centro de Pesquisa Clínica. HPV e câncer de colo uterino.

Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Ações de enfermagem para o controle do câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. 2ª ed. Rio de Janeiro; 2002.

Giuliano AR, Lee JH, Fulp W, et al. Incidence and clearance of genital human papillomavirus infection in men (HIM): a cohort study. Lancet 2011.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.