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"Por que só em setembro?": para além da campanha de prevenção ao suicídio

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Imagem: iStock
Elânia Francisca

Elânia Francisca é psicóloga, especialista em gênero e sexualidade e mestra em educação sexual. Realiza atividades educativas, consultoria e supervisão nas temáticas de gênero, sexualidade e direitos sexuais e reprodutivos.

Colunista do UOL

18/09/2020 04h00

Estamos no mês marcado pela campanha do Setembro Amarelo, que chama a atenção da população para as questões relacionadas ao suicídio. E algo que tenho escutado bastante é a frase "por que vocês só falam disso em setembro?". Como esta é uma fala recorrente, decidi escrever este texto para responder essa questão.

Nós não falamos sobre suicídio apenas em setembro.

Escolher um mês específico para uma Campanha não significa que nós falamos sobre o assunto apenas num momento pontual. A Campanha de Prevenção ao Suicídio é uma parte importante do trabalho, mas não é o todo.

Durante o ano, os serviços de atenção à saúde —CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), prontos-socorros — ou o CVV (Centro de Valorização da Vida) atuam no cuidado às pessoas que estão vivenciando algum sofrimento mental. Além disso, as universidades, as escolas públicas, os Centros de Criança e Adolescente, saraus, coletivos e movimentos sociais pesquisam, estudam e abordam essa temática durante todo o ano, de diversas formas. Conheço adolescentes que realizam pesquisas sobre o tema do suicídio em seus Trabalhos Colaborativos de Autoria (TCA) no Ensino Fundamental.

Nós utilizamos o mês de setembro como uma espécie de encontrão das ações de sensibilização para a prevenção do suicídio. É nesse momento que apresentamos dados, refletimos sobre termos adequados e não adequados, recordamos as experiências exitosas de trabalhos ou vivências, divulgamos os serviços do SUS (Sistema Único de Saúde) e reafirmamos nosso compromisso com a vida.

Você por estar pensando: "tá, vocês trabalham esse assunto o ano todo, então porque eu só fico sabendo dessas ações em setembro?".

Nós sabemos que ainda há muito caminho a percorrer no que diz respeito à divulgação dos trabalhos na prevenção ao suicídio, talvez os meios de divulgação utilizados não tenham feito a informação chegar até você e é por isso que precisamos compreender a comunicação enquanto um direito humano importantíssimo. Temos direito de acessar informações sobre saúde, refletir sobre o tema e pautar assuntos que queremos saber mais ou ações que queremos divulgar.

Agora que você sabe que não refletimos sobre suicídio apenas em setembro, é possível divulgar essa informação na sua rede de apoio e informar sobre a existência de serviços saúde que atuam cotidianamente na prevenção do suicídio. Lembrando que se você não se sentiu acolhido em algum serviço, pode entrar em contato com a Ouvidoria de Saúde e informar sobre a situação, isso ajuda a melhorar a oferta de atendimento.

Sigamos em cuidado e defendendo o SUS!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.