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Dante Senra


Seu problema de cansaço intenso durante o dia pode ser... A noite!

O ronco é um dos sinais de apneia do sono - iStock
O ronco é um dos sinais de apneia do sono Imagem: iStock
Dante Senra

Doutor em Emergências Clinicas pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) e médico especialista em cardiologia, clínica médica e terapia intensiva. Também é autor do livro Terapia Intensiva Fundamentos e Prática, ganhador do Prêmio Jabuti.

Colunista do VivaBem

24/08/2019 04h00

Dizem que o amor nos tira o sono, mas roncar nos tira o amor de perto! Além de problemas sociais e de relacionamento, o ronco, motivo de brincadeiras, pode estar relacionado a problemas sérios de saúde, que se não tratado adequadamente podem trazer complicações.

Nem todos que roncam têm apneia, mas todos que têm apneia roncam. A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio potencialmente grave em que a pessoa para de respirar, por alguns segundos, diversas vezes durante a noite.

De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 50% da população brasileira se queixa de qualidade de sono ruim e cerca de 30% da população adulta sofre de apneia do sono. Ainda, 44% dos idosos convivem com o problema e 85% dos pacientes, apresentam apneia sem receber o diagnóstico e tratamento adequados.

Por que ocorre?

A obesidade é um dos principais fatores de risco para a apneia do sono (nesse caso, o excesso de tecido mole na garganta dificulta mantê-la aberta), mas não é o único. Pacientes magros com obstruções nasais, desvios de septo, alterações no formato da mandíbula (mandíbula inferior diminuída, ou queixo para trás, chamado de retognatismo) ou amídalas hipertrofiadas também podem apresentar este distúrbio.

O envelhecimento também é um fator de risco, pois os tecidos da orofaringe tendem a ficar mais flácidos, facilitando as obstruções. O tabagismo em conjunto com outros fatores ou isoladamente constitui parte importante da lista dos agentes causais. Ainda, algumas pessoas podem ter uma predisposição familiar à apneia.

Os sintomas

O padrão normal de sono nesta doença está alterado, ocasionando uma sonolência excessiva ou fadiga durante o dia seguinte. Os pacientes com apneia do sono roncam, o ronco é alto e irregular.

A respiração cessa, pois as vias aéreas colapsam e evitam que o ar chegue até os pulmões.

Além de todo o desgaste pela falta de um sono reparador, a apneia altera os níveis de oxigênio no sangue, gerando consequências graves para a saúde e a qualidade de vida tais como: hipertensão e problemas cardiovasculares, cansaço e sonolência diurna, depressão, irritabilidade, diminuição da concentração e do raciocínio, diminuição da libido e impotência sexual, além de aumentar muito a chance de acidentes no trabalho e no trânsito.

Outros sintomas comuns da apneia com frequência variada são: sentir a boca seca ou dor de garganta pela manhã; acordar no meio da noite com sensação de sufocamento; e dor de cabeça durante o dia. Sem contar o aumento da incidência de infarto ou morte súbita principalmente se o paciente for portador de obstruções das artérias do coração --conhecidas ou não (associação frequente).

Como sei se tenho apneia do sono?

Apesar de constituir um sério problema medico, muitas vezes o paciente não é orientado ou alertado sobre o risco de conviver com a apneia sem tratamento.

A fadiga excessiva e sonolência durante o dia, aliados a relatos de familiar sobre os roncos nos obrigam a uma investigação mais criteriosa.

Seu diagnóstico, bem como seu tratamento são realizados de maneira assertiva, porém é necessário que o indivíduo esteja absolutamente consciente da importância de realizá-los.

Por meio de um exame não invasivo que mede a atividade respiratória, muscular e cerebral durante o sono, chamado de polissonografia, se monitora o sono por equipamentos eletrônicos.

Se dormir fora de casa para a realização desse exame mesmos que em uma sala monitorada e confortável (pode-se inclusive levar seu travesseiro, pijama e objetos de uso pessoal se desejar) fosse um dificultador, isso não é mais desculpa, pois já existe a polissonografia domiciliar, ideal para quem tem dificuldades de locomoção. Neste caso aparelhos portáteis são levados à sua residência e possuem a mesma acurácia dos realizados fora.

Assim como o diagnóstico, o tratamento efetivo deste distúrbio é hoje uma realidade, capaz de resgatar sua qualidade de vida pois, como diz o poeta: "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL