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Taise Spolti

Para que serve, afinal, a maca peruana?

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Imagem: vaaseenaa/iStock
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Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

17/10/2021 12h14

A maca peruana é um daqueles suplementos e ingredientes naturais que estão sempre aparecendo com novas promessas e, vira e mexe, causam controvérsias.

Conhecida também por Lepidium meyenii, a planta medicinal é uma raiz usada há séculos pelo povo andino e que está associada à fertilidade e saúde sexual. Essa associação provocou um aumento de interesse pela planta, que virou uma febre nos últimos anos e divide opiniões entre profissionais. Apesar de ser tradicional e cultural em uma população, é necessário que o uso de plantas para fins medicinais seja corroborado por comprovações científicas, para que o consumo seja considerado seguro —e ainda saber por quanto tempo e em qual quantidade essa segurança é garantida.

Por isso, resolvi trazer para vocês uma matéria que oferecesse informações técnicas e profissionais, mas com uma linguagem direta e simplificada, sobre a maca peruana, pois notei novamente um aumento na procura pelo uso dela.

Para que serve a maca peruana?

Acredita-se que a planta seja capaz de aumentar a produção de testosterona e espermatogênese graças aos fitoesteróis e fitoestrogênios presentes em sua composição. Por isso, ela seria indicada para tratar problemas como infertilidade, baixa libido, dificuldades de ereção e ejaculação, depressão e ansiedade —estes últimos, principalmente, em mulheres pós-menopausa.

A verdade é que outros metabólitos associados a essa resposta do organismo também são encontrados na maca, como alcalóides imidazol, hidantoínas, meieniinas A - C, alcamidas e glucosinolatos.

Todos estão associados a melhora da disfunção erétil, mas em poucos casos é observado aumento da testosterona, como é feito na alegação, já que sabemos que a testosterona é um hormônio responsável não somente pela atividade sexual como pelo bem-estar, ansiedade, depressão, baixa libido em homens e mulheres, entre outros.

Então, se, em resumo, ela não consegue melhorar a produção de testosterona, como ela agiria para ser útil na saúde de quem o consome?

Mesmo que não existam evidências completas sobre o mecanismo de ação, estudos realizados com animais e também com homens e mulheres mostram que há uma significativa mudança do comportamento sexual, atividade locomotora, diminuição de ansiedade, desejo sexual, de forma indireta. Há também evidências de que a maca seja auxiliar, quando manipulada com outros componentes, para uma ação direta no tratamento contra a disfunção sexual e erétil. Como resultados, há uma melhora no humor, virilidade, e conversões de pregnenolona em 5-dehidroepiandrosterona (5-DHEA), podendo ter fator positivo no humor.

É seguro?

A hipótese de uso para tratamento da disfunção sexual, por não ser clara, não pode ser afirmada como segura para todos os indivíduos. Em alguns estudos houve, inclusive, achados de aumento da ansiedade em doses mais elevadas, gastrite, cólica, mau humor e até insônia. Isto porque na maca foi encontrado a existência do MTCA, um possível inibidor da enzima monoamina oxidase. Em determinados indivíduos, este é um ponto a ser considerado perante o uso sem acompanhamento.

Eu gosto sempre de lembrar que, mesmo determinados produtos tendo a alegação de ser natural, como a maca e tantas outras plantas medicinais e fitoterápicas, eles também são ativos quimicamente dentro do nosso organismo, trazendo reações positivas e negativas inclusive. O apelo por ser natural sempre confunde a população, que busca em alternativas mais naturais uma solução que muitas vezes pode ser danosa à saúde por não possuir um embasamento científico que explique qual reação química ocorreu dentro do organismo para tal efeito.

Na fitoterapia, o uso da maca vem trazendo muitos efeitos positivos, e é inegável que a utilização secular pelos povos andinos comprove tais efeitos. Mas, antes de sair misturando fórmulas em casa, vale lembrar do princípio da individualidade, isto é, cada organismo deve ser analisado de forma única para se encontrar o melhor tratamento.

E, assim como já comentei, geralmente na prescrição da fitoterapia, o profissional sempre faz uma associação entre componentes, diminuindo ou aumentando a dose conforme a necessidade do indivíduo, para qual fim e por quanto tempo fazer uso. Esse tipo de associação acaba sendo mais segura e eficaz do que a compra a granel ou em uma embalagem genérica, sem as informações de dosagem ao longo do dia (o recomendado é que a dose não ultrapasse os 500 mg, de uma a duas vezes por dia).

E, como sempre reforço, não faça uso sem orientação do nutricionista ou médico, e não faça misturas caseiras para aumentar os efeitos. Caso você já tenha comprado a maca, procure um profissional que ajude a entender as causas do seu distúrbio sexual (se for o caso), ou de humor, ou de peso (quando a procura é pela estética) e que faça as adequações tanto de hábitos de vida quanto de melhores momentos para você usar o ativo (ou qualquer outro suplemento e fitoterápico).