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Guia de Belém: uma viagem de sabores, crenças e cultura na capital do Pará

O Pitiú, local ao lado do Complexo Ver-o-Peso  - Getty Images/iStockphoto
O Pitiú, local ao lado do Complexo Ver-o-Peso
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Pedro Fonseca

Do UOL

30/11/2019 04h00

Repleta de história e com uma presença intensa da floresta amazônica, Belém é uma cidade que encanta quem a conhece. A primeira imagem que chama a atenção ao andar nas ruas é a quantidade de árvores de mangas, que lhe rendeu o apelido de "Cidade das Mangueiras".

Porta de entrada do Baixo Amazonas, a capital do Pará tem uma rica diversidade de frutas, temperos e receitas que atiçam a curiosidade dos amantes da gastronomia brasileira. Ela está presente desde a simplicidade popular do Complexo Ver-o-Peso até o estrelado restaurante Remanso do Bosque.

O maior evento do ano na cidade é o Círio de Nazaré, que recebe milhões de devotos da "Santa da Amazônia" desde 1793. Os festejos têm início, tradicionalmente, no segundo fim de semana de outubro e recebem visitantes de todos os cantos do mundo.

A bandeira do Estado do Pará - Pedro Fonseca/UOL
A bandeira do Estado do Pará
Imagem: Pedro Fonseca/UOL

Falando um pouco de história, a capital teve grande desenvolvimento no início do século 20, porém, a crise do ciclo da borracha e a Primeira Guerra Mundial influenciaram a queda desse processo. Isso não quer dizer que o passado está morto, pelo contrário, existe um grande esforço público em revitalizar o Centro Histórico e fortalecer o turismo local por meio das memórias ancestrais.

O QUE FAZER

CULTURA E GASTRONOMIA

Ilha do Combu

Passeio imperdível no roteiro de Belém, fica a 15 minutos de barco da capital paraense. Algumas agências fazem o passeio completo, mas é possível ir sozinho, combinando o trajeto (cerca de R$ 5) com um barqueiro na Praça Princesa Isabel, no bairro do Condor.

Ilha do Combu, onde você pode almoçar no restaurante Saldosa Maloca - Carlos Borges Moire
Ilha do Combu, onde você pode almoçar no restaurante Saldosa Maloca
Imagem: Carlos Borges Moire

A ilha é conhecida pela produção artesanal de chocolate e de açaí e pelo projeto street river, que deu nova vida às casas de palafita, personalizadas por grafiteiros.

Uma figura icônica da ilha é Dona Nena, conhecida como a "Filha do Combu". Desde 2006, ela trabalha no resgate da cultura amazônica produzindo chocolate 100% orgânico e sustentável. Além de Dona Nena, outra experiência na ilha é um almoço no restaurante Saldosa Maloca, que há 37 anos serve pratos típicos da região e encanta com as belezas naturais da ilha.

Passeio fluvial

Na Baía do Guajará e no Rio Guamá, há um passeio magnífico para fazer no fim de tarde. Durante uma hora e meia, você contempla Belém pela águas e interage com artistas que incentivam até a dançar a tradicional dança do Carimbó.

O passeio fluvial começa em frente à Estação das Docas - Carlos Borges Moire
O passeio fluvial começa em frente à Estação das Docas
Imagem: Carlos Borges Moire

No passeio, você tem uma visão diferenciada, desde as águas, de pontos históricos como o Complexo Ver-o-Peso, o Forte do Presépio, a Casa das Onze Janelas, a Cidade Velha, o Porto do Sal e a Estação das Docas. Um agência especializada comanda o passeio.

Vai lá: Av. Mal. Hermes, S/N. Horário: às 17h30, de terça a domingo. Site.

Estação das Docas

Inaugurada em 2000, é um complexo que une gastronomia, cultura, moda e eventos. A Estação ocupa 22 mil metros quadrados, divididos em três armazéns do antigo porto de Belém, além de uma agradável orla fluvial perfeita para uma caminhada.

Estação das Docas - Carlos Borges Moire
Estação das Docas
Imagem: Carlos Borges Moire

O espaço sedia pontos como a Amazon Beer, que produz cervejas artesanais com produtos típicos da Amazônia, e a Sorveteria Cairu, eleita a melhor sorveteria do Brasil no ano de 2014.

Vai lá: Av. Mal. Hermes, S/N. Horário: das 10h às 2h todos os dias da semana. Tel: (91) 3212-5525. Site.

Complexo Ver-o-Peso

O Ver-o-Peso se estende por um complexo arquitetônico de 30 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas. O conjunto inclui pontos como o Boulevard Castilhos França, o Mercado de Carne e o Mercado de Peixe.

No Ver-o-Peso você encontra "poções" exóticas com elementos da floresta amazônica - Carlos Borges Moire
No Ver-o-Peso você encontra "poções" exóticas com elementos da floresta amazônica
Imagem: Carlos Borges Moire

Considerado um dos pontos turísticos da cidade, em 2008 o Mercado ganhou o título de uma das Sete Maravilhas Brasileiras.

O local se destaca pela intensa vida social e intercâmbio cultural, com a venda de diferentes produtos regionais envolvendo a cultura amazônica.

Do lado de fora do mercado, barracas vendem frutas regionais, temperos, ervas, óleos, artesanato e comida típica, como tacacá e maniçoba.

Dentro do complexo, é possível encontrar aves, carnes e peixes, como filhotes, pirarucus, dourados, pescadas, traíras e tucunarés.

Vai lá: Av. Blvd. Castilhos França, S/N. Site.

Mangal das Garças

O Parque Naturalístico Mangal das Garças foi criado em 2005 pelo Governo do Pará como um projeto de revitalização de uma área de 40.000 metros quadrados às margens do Rio Guamá. O projeto representa as regiões do Pará, como as matas de terra firme, as matas de várzea e os campos. O local tem lagos, aves, vegetação típica, equipamentos de lazer e o restaurante Manjar das Garças para você se deliciar com o tempero paraense.

Vai lá: R. Carneiro da Rocha, s/n. Horários: terça a domingo das 9h às 18h. Tel: (91) 98882-0369. Site.

Mangal das Garças - Carlos Borges Moire
Mangal das Garças
Imagem: Carlos Borges Moire

PASSEIOS HISTÓRICOS

Forte do Presépio

Considerada a primeira construção na cidade, o Forte do Presépio foi revitalizado em 2002 e conta com alguns circuitos expositivos. O "Sítio Histórico da Fundação de Belém", por exemplo, tem vestígios arquitetônicos e de artilharia militar. Já o "Museu do Encontro" conta a história do processo de colonização portuguesa na Amazônia.

Forte do Presépio - Carlos Borges Moire
Forte do Presépio
Imagem: Carlos Borges Moire

O acervo inclui artefatos e cerâmicas pré-históricas, além de materiais provenientes das escavações no próprio sítio histórico e seu entorno, como utensílios e iconografias de grupos indígenas.

Vai lá: Frei Caetano Brandão, s/n - Cidade Velha. Horários: de terça a sexta-feira, das 10h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 9h às 13h. Tel: (91) 4009-8678. Site.

Museu de Arte Sacra

Inaugurado em 1998, o Museu de Arte Sacra é integrado à Igreja de Santo Alexandre, construída por padres jesuítas com a participação do trabalho indígena, entre o fim do século 17 e início do século 18. O local conta com mais de 400 peças, entre elas pinturas e esculturas.

Vai lá: Praça Feira Caetano Brandão, s/n. Horários: de terça a sexta-feira, das 10h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 9h às 13h. Tel: (91) 4009-8664. Site.

Catedral da Sé

Catedral da Sé - Pedro Fonseca/UOL
Catedral da Sé
Imagem: Pedro Fonseca/UOL

Sede da Arquidiocese de Belém, faz parte do complexo histórico da Cidade Velha, chamado de Feliz Lusitânia. Apesar de a primeira capela ser construída em 1616, foi entre os anos de 1748 e 1774 que Antônio Landi iniciou o que viria a ser a Catedral da Sé.

Vai lá: Praça Feira Caetano Brandão, s/n. Tel: (91) 3223-2362. Site.

Museu do Círio

Reúne um acervo documental da história da devoção popular em torno da celebração do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, maior manifestação religiosa do Estado do Pará e uma das maiores do Brasil, celebrada desde 1793.

Vai lá: Rua Padre Champagnat, s/n. Horários: Terça a sexta, das 10h às 17h. Sábado, domingo e feriado das 09h às 13h. Tel: (91) 4009-8669. Site.

Casa das Onze Janelas

Inaugurada em 2002, é um espaço dedicado à arte brasileira, com coleções de arte moderna e contemporânea, além de fotografias de artistas locais e nacionais. A casa foi residência do senhor de engenho Domingos da Costa Bacelar no século 18, e permaneceu nas mãos do Exército Brasileiro até 2000.

Casa das Onze Janelas - Carlos Borges Moire
Casa das Onze Janelas
Imagem: Carlos Borges Moire

Vai lá: Praça Feira Caetano Brandão, s/n. Horários: de terça a sexta-feira, das 10h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 9h às 13h. Tel: (91) 4009-8695. Site.

Polo Joalheiro

Ao longo de sua trajetória, o Polo Joalheiro teve diversas atribuições, como olaria, quartel, depósito de pólvora, hospital, cadeia pública e presídio. Em 2002, foi transformado no Espaço São José Liberto, um "território criativo" para promover a cultura, o turismo e o design.

O Polo Joalheiro foi por muitos anos cadeia pública e presídio  - Carlos Borges Moire
O Polo Joalheiro foi por muitos anos cadeia pública e presídio
Imagem: Carlos Borges Moire

Por lá, você encontra a Capela de São José, o Museu de Gemas do Estado do Pará, o Jardim da Liberdade, o Memorial da Cela "Cinzeiro", lojas e exposições de joias, além do anfiteatro Coliseu das Artes.

Vai lá: Praça Amazonas, s/n. Horários: terça a sábado, das 9h às 18h. Domingos, das 10h às 16h. Tel: (91) 3344-3500. Site.

Basílica Santuário de Nazaré

Considerada a terceira basílica do Brasil - atrás da Sé, na Bahia e a de São Bento, em São Paulo -, foi erguida em 1861 e é a única Basílica da Amazônia Brasileira.

Basílica Santuário de Nazaré - Carlos Borges Moire
Basílica Santuário de Nazaré
Imagem: Carlos Borges Moire

A praça em frente do local é o ponto de chegada da procissão do maior evento religioso da cidade, o Círio de Nazaré.

Vai lá: Av. Nª Sra. de Nazaré, 1300. Tel: (91) 4009-8400. Site.

ONDE COMER

Point do Açaí

Perto da Estação das Docas e do Complexo Ver-o-Peso, no coração da cidade, o Point do Açaí tem como carro-chefe a Chapa Mista Paraense com Açaí, que inclui peixe pirarucu, peixe filhote, carne de sol, camarão, salada de legumes e batata frita.

A Chapa Mista Paraense, do restaurante Point do Açaí - Carlos Borges Moire
A Chapa Mista Paraense, do restaurante Point do Açaí
Imagem: Carlos Borges Moire

Seguindo a tradição paraense, o prato inclui como acompanhamentos um litro de açaí, farinha d'água, tapioca, arroz, farofa, vinagrete e açúcar.

Vai lá: Av Boulevard Castilhos frança nº 744, esquina com a Av. Presidente Vargas. Tel: (91) 3212-216. Site.

Remanso do Bosque

Os irmãos Thiago e Felipe Castanho elaboram pratos com ingredientes típicos da Amazônia. O cardápio do Remanso inclui drinques diferenciados, como a Tacacachaça, que leva uísque boubon, cachaça de jambu, maracujá, limão taiti, syrup e clara.

Filhote Assado na Brasa, do restaurante Remanso do Bosque - Reprodução/Remanso do Bosque
Filhote Assado na Brasa, do restaurante Remanso do Bosque
Imagem: Reprodução/Remanso do Bosque

O carro-chefe da casa é o Filhote Assado na Brasa, um clássico no cardápio. O prato acompanha salada de feijão caupi, macaxeira na manteiga e farofa.

Vai lá: Travessa Perebebuí, 2350. Tel: (91) 3347-2829 / 3352-5335. Site.

Famiglia Sicilia

Em um ambiente sofisticado e com um cardápio diverso, que inclui desde massas a pratos tradicionais do Pará, os irmãos Fabio e Ângela Sicilia comandam o restaurante Famiglia Sicilia.

Um dos pratos tradicionais da casa é o Carré de Cordeiro Famiglia Carrascosa, composto por costeletas de cordeiro em crosta de parmesão e polenta do chef. O diferencial da escolha é que você leva para casa um tradicional prato da Boa Lembrança como recordação.

Vai lá: Av. Conselheiro Furtado, 1420. Tel: (91) 4008-0001. Site.

Tacacá da Dona Maria

O famoso Tacacá da Dona Maria, ponto turístico de Belém - Facebook/Box Da Dani- Ver o Peso
O famoso Tacacá da Dona Maria, ponto turístico de Belém
Imagem: Facebook/Box Da Dani- Ver o Peso

Há mais de 40 anos, Dona Maria do Carmo criou sua barraca de tacacá, que foi ganhando fama até se tornar um ponto turístico de Belém.

Depois que Dona Maria faleceu, em 2014, seu filho assumiu o comando das panelas, preparando a saborosa mistura de tucupi, goma de mandioca, jambu e camarão.

Vai lá: Av. Nª Sra. de Nazaré, 902

QUANDO IR

A cidade é conhecida pela grande quantidade de chuvas - tanto que os moradores costumam brincar que marcam seus compromissos antes ou depois do temporal. Elas acontecem com mais intensidade de dezembro a abril, período conhecido como o "inverno" paraense. A melhor época para os passeios por Belém é entre junho e novembro.

ONDE FICAR

Apesar lindo para se conhecer durante o dia, o Centro Histórico fica mais deserto à noite e não se recomenda circular por ali depois que o sol se põe. Para pernoitar, centre o foco das buscas em hotéis dos bairros Batista Campos, Umarizal e Reduto, próximos à região central.

Pôr do sol na Baía do Guajará - Pedro Fonseca/UOL
Pôr do sol na Baía do Guajará
Imagem: Pedro Fonseca/UOL

Nessas áreas, você encontra hotéis de diferentes categorias. Há desde os cinco estrelas, como o Radisson, até os mais econômicos, como o Soft Hotel, o Regente e o Sagres. Também há opções de hostels, como o Galeria e o Amazônia, e de pousadas, caso da Residência Karimbo Amazônia e da Senador.

COMO CHEGAR

Há voos diários partindo das principais capitais do país. O Aeroporto Internacional de Belém fica a aproximadamente 30 minutos do Centro Histórico, onde chegam voos da Azul, Gol e Latam.

De carro, vindo do sul e do centro-oeste, há um acesso pela BR-153 (Belém-Brasília) até Santa Maria do Pará. Os viajantes que vêm do norte do país, têm como acesso a BR-316 e a PA-391.

A rodovia BR-153 começou a ser construída na década de 1950, no governo do presidente Juscelino Kubitschek - Getty Images/iStockphoto
A rodovia BR-153 começou a ser construída na década de 1950, no governo do presidente Juscelino Kubitschek
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Há linhas de ônibus que atendem Belém a partir de outras capitais do país. As empresas Itapemirim e Click Bus oferecerem o serviço com partidas de cidades como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

CENTRO DE ATENÇÃO AO TURISTA

A Secretaria de Turismo do Governo do Pará tem um centro de atenção perto do shopping Aramis Pátio, no bairro Batista Campos, para mais informações sobre turismo na cidade, mapas e guias.

Vai lá: Av. Gentil Bitencourt, 43. Site.

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