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Ideal para o inverno: viagem com brindes à beira da cordilheira em Mendoza

No clima desértico aos pés da Cordilheira dos Andes, Mendoza é um oásis de vinho e boa gastronomia - Divulgação/Secretaria de Turismo de Mendoza
No clima desértico aos pés da Cordilheira dos Andes, Mendoza é um oásis de vinho e boa gastronomia Imagem: Divulgação/Secretaria de Turismo de Mendoza

Por Juliana Bianchi

Colaboração para o UOL

16/08/2019 04h00

Se a sua ideia de inverno perfeito inclui céu azul - apesar da baixa temperatura -, uma taça de vinho sempre à mão e boa gastronomia, uma alternativa é a província de Mendoza. Com voos direto de quatro horas saindo de São Paulo, a principal região vinícola da Argentina se tornou destino fácil para os brasileiros.

Reservar um feriado prolongado ou miniférias de quatro dias é o ideal. Não só para aproveitar bem o local, como para não sofrer tanto com as inúmeras atrações que, invariavelmente, ficarão fora do roteiro. Com farta gama de restaurantes, passeios, cassino, cervejarias artesanais e mais de 800 vinícolas - cerca de 150 delas abertas ao público com degustações, visitas guiadas e refeições harmonizadas -, a região é o paraíso dos amigos de Baco.

Turma que ainda pode fazer bons negócios com a ausência da taxa de importação e a valorização do real frente ao peso argentino. Para se ter uma ideia, uma garrafa do vinho tinto Kaiken Ultra Malbec, vendido no Brasil em torno de R$ 150, pode ser encontrado a R$ 51 (576 pesos argentinos). Mas vale sempre pesquisar antes. Com a invasão de brasileiros, algumas adegas têm, a despeito da redução dos impostos, praticado valores semelhantes ao do mercado nacional.

Para evitar esse desgosto, uma saída é incluir no roteiro bodegas de alta qualidade cuja exportação para o Brasil ainda é insipiente. Caso da Vistalba, comandada pela terceira geração da afamada família Pulenta.

Na vinícola Vistalba, visitas guiadas e vinhos de alta qualidade que quase não chegam ao Brasil - Ju Bianchi
Na vinícola Vistalba, visitas guiadas e vinhos de alta qualidade que quase não chegam ao Brasil
Imagem: Ju Bianchi

DIA 1

Na maior parte das bodegas é possível provar vinhos a partir das 9h. Mas se você prefere esperar dar meio-dia para começar a beber álcool, aproveite as manhãs para caminhar pelo Centro e desfrutar da beleza dos plátanos que ajudam a tornar habitável a cidade fundada em meio a um deserto. Daí também a existência de canais a céu aberto em quase todas as ruas. É por eles que, em diferentes momentos do ano, é liberada a água das geleiras para amenizar o ar seco.

A poucos metros da Praça da Independência, região com maior concentração de hotéis, restaurantes e lojas de vinho, é possível tomar um expresso bem tirado na simpática padaria artesanal Bröd. O combo, com direito a duas mezalunas (croissants) ou pañuelos de dulce de leche (pãezinhos recheados com o doce) sai por 120 pesos.

O parque San Martin é duas vezes o tamanho do Ibirapuera e garante, com suas árvores e fontes, ar puro e fresco para a cidade - Ju Bianchi
O parque San Martin é duas vezes o tamanho do Ibirapuera e garante, com suas árvores e fontes, ar puro e fresco para a cidade
Imagem: Ju Bianchi

Dali, siga pela avenida Emilio Civit - onde estão as mais imponentes casas da região, muitas delas ocupadas por embaixadas - até chegar aos portões dourados que marcam a entrada do parque San Martin. Do tamanho de dois Ibirapueras, o pulmão verde do município é um ótimo convite a se exercitar por trilhas e ciclovias. Se estiver de carro, suba até o Cerro de La Gloria para ter uma vista panorâmica da cidade e da Cordilheira dos Andes.

Na hora do almoço, uma boa pedida é o assado servido pela bodega Nieto Senetiner - mais conhecida no Brasil pelo vinho best seller Benjamin -, a menos de 20 minutos do parque. Da parrilla, comandada por uma mulher, saem cortes típicos de carne, como entranhas e mollejas. A refeição sai por 1.750 pesos por pessoa, com vinhos "maridados", isto é, harmonizados.

A adega Nieto Senetiner oferece a possibilidade de fazer visita guiada, degustação de vinhos, almoço harmonizado e cavalgadas pelos vinhedos - Divulgação
A adega Nieto Senetiner oferece a possibilidade de fazer visita guiada, degustação de vinhos, almoço harmonizado e cavalgadas pelos vinhedos
Imagem: Divulgação

Aproveite a tarde para fazer uma cavalgada tranquila pelos vinhedos, com direito a vista da cordilheira de tirar o fôlego e mais vinho na volta. Neste caso, é preciso agendar o passeio de 1.250 pesos por pessoa com ao menos 24 horas de antecedência por e-mail (turismo@nietosenetiner.com.ar).

À noite, troque o fermentado pelo destilado e entregue-se à carta de drinques do Uvas Lounge & Bar, do hotel Park Hyatt. Destaque para o negroni (365 pesos) e o gin tônica (335 pesos), a base do gim premium Príncipe de los Apostoles, produzido em Mendoza pelo festejado bartender argentino Tato Giovannoni. Para acompanhar, vá de empanadas. Quebre o preconceito e prove a recheada com morcilla, uma especialidade local (150 pesos a unidade).

DIA 2

Dia de fazer um intensivão pelos vinhedos. Para ganhar tempo, foque a rota de descobertas em uma única região, como Maipúu Vale de Uco ou Tupungato. As premiadas Catena Zapata, Suzana Balbo, Bressia, Ruca Malen, Decero, Chandon, Terrazas de los Andes e Cobos, por exemplo, estão localizadas a menos de 10 km de distância uma da outra, a cerca de meia hora de carro do Centro, em Luján de Cuyo.

Há mais de 800 vinícolas em Mendoza, cerca de 150 delas abertas ao público  - Divulgação/Secretaria de Turismo de Mendoza
Há mais de 800 vinícolas em Mendoza, cerca de 150 delas abertas ao público
Imagem: Divulgação/Secretaria de Turismo de Mendoza

Mas lembre-se de montar o roteiro antes de embarcar. Muitas das casas só aceitam visitas mediante agendamento prévio (pelos respectivos sites). Especialmente se você quiser almoçar em uma delas. Caso da Chandon, cujo bistrô oferece menu inteiramente harmonizado com espumantes locais, e do restaurante Osadía de Crear, comandado pelo chef Hernán Gipponi, na vinícola de Suzana Balbo, considerada a primeira-dama da enologia argentina.

Ali pertinho também está o hotel-boutique Cavas Wine Lodge, cujas diárias vão de US$ 370 a US$ 1.900 na baixa temporada. Mas não é preciso estar hospedado para aproveitar um pouquinho desse oásis. Reserve um horário no spa e entregue-se a duas horas de indulgências do pacote "express", que inclui tratamento facial, massagem relaxante e banho de imersão em extratos de uva bonarda, uma das mais plantadas na Argentina depois da icônica malbec (4000 pesos).

Aberto a não-hóspedes, o spa do hotel-boutique Cavas Wine Lodge oferce banho em uma banheira de vinho - Divulgação
Aberto a não-hóspedes, o spa do hotel-boutique Cavas Wine Lodge oferce banho em uma banheira de vinho
Imagem: Divulgação

À noite, se ainda tiver disposição para mais algumas taças, experimente a recém-inaugurada Cabrera Charif Wine House. Em meio aos bares e cervejarias artesanais da rua Aristides Villanueva, a casa propõe degustações comparativas. Seja entre vinhos locais e internacionais produzidos com uma mesma uva (3.200 pesos), ou entre as diferenças apresentadas por um mesmo rótulo produzido em diferentes anos.

DIA 3

Como os voos diretos de volta ao Brasil costumam sair no fim da tarde, aproveite a manhã para conhecer algo além das bodegas. Ou você voltará com fotos praticamente iguais e lembranças monotemáticas. Aproveite mais um pouco o carro alugado (ou o motorista particular, o que é sempre uma boa ideia em se tratando de estradas e álcool) e siga pela Rota 82 em direção ao Chile.

Calma, você não cruzará os Andes, muito menos a fronteira. Bem antes disso será arrebatado pela beleza do dique Potrerillos. Faça uma pausa para relaxar, de preferência tomando um mate, como fazem os mendocinos, e deslumbre-se com a represa que se perde entre as montanhas. São mais de 500 hectares de área construída para armazenar a água azul-turquesa que escorre das geleiras e garante boa parte do abastecimento da cidade e da rega dos vinhedos.

No caminho de volta, passe na loja de fábrica da premiada marca de alfajores Entre Dos, e garanta doces lembranças para toda a família. Se gostar de novidades, experimente a versão com massa folhada de chocolate amargo que substitui os tradicionais biscoitos sequinhos (400 pesos cada).

Se ainda tiver tempo para um almoço rápido, o Maria Antonieta, comandado pela mulher do chef Francis Mallmann, é uma boa opção.

ONDE FICAR

O Hotel Park Hyatt é um com melhor estrutura no centro de Mendoza - Divulgação
O Hotel Park Hyatt é um com melhor estrutura no centro de Mendoza
Imagem: Divulgação

Escolher a hospedagem em Mendoza depende muito do ritmo que se quer dar à viagem. Para os que não abrem mão de um agito noturno, caminhadas a qualquer hora do dia e serviços sempre por perto, os hotéis do Centro - especialmente os próximos à Praça da Independência - são os mais recomendados.

Pegue a estrada e deslumbre-se com a imensidão do dique Potrerillos, que armazena água de desgelo para a cidade  - Ju Bianchi
Pegue a estrada e deslumbre-se com a imensidão do dique Potrerillos, que armazena água de desgelo para a cidade
Imagem: Ju Bianchi

Entre os cinco estrelas, destaque para o Park Hyatt, que conserva a fachada imponente com terraço frontal, do antigo Plaza Hotel, datado do século 19. Com dois restaurantes, wine bar, spa, academia, piscina e cassino anexo, o empreendimento tem quartos amplos e confortáveis, com serviço primoroso. Diárias a partir de US$ 170 (sem café da manhã) ou US$ 220 (com café).
Outras redes internacionais como Sheraton, NH e Intercontinental também têm unidades na região metropolitana do município.

Já quem quer mergulhar no sossego dos vinhedos e acordar sem pressa, contemplando os topos brancos da cordilheira, tem nos hotéis mais afastados, de preferência dentro de vinícolas, melhor opção. Entre os mais luxuosos estão o Cavas Wine Lodge e o The Vines, onde está o restaurante Siete Fuegos, do chef-estrela da Argentina Francis Mallmann. Em ambos os casos, diárias a partir de US$ 700 na alta temporada.

Uma opção mais em conta no campo é a Casa de Huéspedes Finca La Azul, no Vale de Uco, que tem diárias a partir de US$ 230, na alta temporada.

COMO CHEGAR

Os voos diretos São Paulo - Mendoza, pela Latam, partem às terças, sextas e domingos, e custam a partir de R$ 1.425. Já Gol opera a mesma rota às terças, quartas, quintas e domingos, com preços a partir de R$ 1.735.

* Valores pesquisados em 25/6/19

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