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Musa do cinema francês Catherine Deneuve ganha "biografia não-autorizada"

Catherine Deneuve - AFP
Catherine Deneuve Imagem: AFP

30/08/2020 11h18

A vida e a obra da atriz e verdadeira musa do cinema francês Catherine Deneuve virou série, e não foi na televisão. Dessa vez, é o jornal Le Monde quem presta a homenagem à atriz de 76 anos, que possui nada menos que 128 longa-metragens no currículo. A série de reportagens dedicada a Deneuve, chamada pelo jornal francês de "Uma biografia não-autorizada", se desenvolve em seis episódios cheios de emoção, revelando capítulos picantes da loira cuja imagem ao longo dos anos se construiu à sombra de uma pretensa "burguesa fria".

Ícones, como sabemos, são feitos para serem quebrados, e o Le Monde se aplica com precisão na ingrata tarefa. "Uma estrela é antes de tudo alguém que organiza sua inacessibilidade", revelou uma amiga de Catherine Deneuve ao jornal.

Não é para menos: "Deneuve", lembra o Le Monde, "é um ícone nacional, monumento do cinema francês, nossa Marianne", publica o diário, numa referência ao rosto feminino que já encarnou a República Francesa.

Patrimônio ou não, o jornal, como todo bom francês que se preze, não se intimida na hora de guilhotinar o mito. "Punk" e "Rock'n'roll", a atriz "fuma nos corredores dos hotéis, justo onde é proibido", escreve o vespertino.

Hipnotizante com os homens, solidária com os amigos, o Le Monde revela os bastidores do affair da musa com um de seus diretores mais famosos, François Truffaut, um dos grandes nomes da Nouvelle Vague francesa. "Muito linda, reservada e estranha", disse sobre ela outro monstro do cinema mundial, o espanhol Luis Buñuel, publica o jornal francês.

Estrela "de esquerda" de outros tempos

Uma estrela "de esquerda", lembra o Le Monde, "uma esquerda social-democrata, um pouco caviar, bem longe do radicalismo exibido por parte da geração jovem do cinema atual", diz o jornal.

Uma estrela que não titubeou ao assinar, ao lado de Simone de Beauvoir, o famoso "Manifesto das 343 putas ["salopes", em francês]", como ficou conhecido o documento de personalidades francesas que defendia a Lei do Aborto, em 1976. "Quando não estou filmando, me sinto vazia", publica o jornal francês, citando a frase de Catherine Deneuve, admiradora confessa de Marilyn Monroe, segundo o Le Monde.

"Catherine tem que aguentar ser Deneuve", diz o vespertino. "No 6º distrito de Paris onde mora, a poucas dezenas de metros do escritor Patrick Modiano, não é incomum vê-la passeando com o cachorro ou comprando jornais no quiosque local", revela o jornal, que lembra o episódio quando passou desapercebida em Bollywood, meca do cinema indiano.

Questionada sobre o que lhe provocava não ser reconhecida na rua, ela "foi buscar a resposta num desses personagens escritos para ela por Truffaut". "Uma alegria e um sofrimento", teria dito Deneuve, neste grande documento-homenagem elaborado pelo jornal francês.

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