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'Vovó tem namorado': Separadas relatam reações após retomarem vida amorosa

Mulheres maduras relatam experiência de trazer um novo amor para o círculo da família e dos amigos  - iStock
Mulheres maduras relatam experiência de trazer um novo amor para o círculo da família e dos amigos Imagem: iStock

Roseane Santos

Colaboração para Universa, do Rio de Janeiro

21/05/2022 04h00

Que os tempos mudaram a gente já sabe, mas algumas pessoas ainda olham diferente quando uma mulher madura apresenta o primeiro namorado depois de ter se separado ou ficado viúva. Alguns filhos ficam com ciúmes; outros, preocupados —e a retomada da vida amorosa acaba gerando expectativas dos dois lados.

A seguir, duas mulheres que se separaram após relacionamentos longos e uma viúva contam a Universa como tem sido a experiência de trazer um novo amor para o círculo da família e dos amigos. Spoiler: nem sempre é fácil!

Incentivo da família e afastamento das amigas

Denise - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Denise Bergier, chef de cozinha: 'Minha neta saiu espalhando que 'a vovó estava namorando'
Imagem: Arquivo pessoal

"Eu e meu ex-marido tivemos um relacionamento de 46 anos, contando namoro e casamento. Ele sempre me estimulou no meu trabalho, éramos um exemplo de casal feliz. Quando anunciamos a nossa separação, foi uma surpresa. Acho que muitos ficaram sem entender nada. Passou um tempo e resolvi entrar em um site de relacionamento. Eu estava há 15 dias com o meu 'novo namorado' quando decidi fazer uma festa para comemorar meus 63 anos.

Resolvi também fazer a minha primeira tatuagem e marquei a comemoração em um bar de tatuados. Ele perguntou se eu ia convidá-lo. Sinceramente duvidei de que ele fosse. Não contei para ninguém e mal acreditei quando ele chegou. Apresentei-o para minha mãe, minhas filhas e meus netos. Minha mãe, que tem 85 anos, perguntou onde nós tínhamos nos conhecido. Ele respondeu que tinha sido pela internet. Não me esqueço a cara dela de espanto.

Minha neta saiu espalhando e comemorando que 'a vovó estava namorando'. No fim, a minha família levou numa boa. Só senti mesmo o afastamento de algumas amigas. É curioso, parece que o fato de eu estar recomeçando mostrava a elas a possibilidade da mudança, e muitas não querem ver isso. É melhor ficar na estabilidade de um casamento, sendo feliz ou não. O meu namoro não foi adiante, mas estou aberta para o amor, quero algo novo, diferente de tudo que já vivi."Denise Bergier, 63 anos, chef de cozinha

'Ouvi do meu filho que eu o havia mandado embora de casa'

Vanessa - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Vanessa Alves, professora: 'Meu filho saiu de casa e foi morar com o padrinho'
Imagem: Arquivo pessoal

"Tenho dois filhos com a diferença de cinco anos de um para o outro. Um agora tem 23 e o outro tem 18. Fui casada por muito tempo com o pai deles. Ea um casamento um pouco conturbado e decidi me separar. Quando comecei a namorar de novo, meu caçula aceitou de boa, mas o meu mais velho foi mais ciumento.

Enquanto estava só namorando foi ok, mas quando viu o namoro se transformar em um novo casamento, os conflitos aumentaram. Para tudo falava: 'ah, mas ele não é meu pai'. Os atritos eram tantos que ele saiu da nossa casa e foi morar com o padrinho, que é meu irmão. Por causa do ciúme, ele acabou ficando mais rebelde e estava na adolescência, que também é uma fase complicada. Se acontecia de querer sair com os amigos e eu não deixar, ele dizia que tudo que o meu marido queria eu fazia e para ele nunca teria nada.

Até pouco tempo atrás, ele falava coisas do tipo 'minha mãe me mandou embora de casa para poder ficar com o meu padrasto', mas a história não foi assim. Hoje estamos bem. Estou casada há sete anos, meu filho é casado e tem a filha dele, mas de vez em quando, mesmo de brincadeira, fala que eu o abandonei para ficar com o Luiz. Continua ciumento." Vanessa Alves, 40 anos, professora

'Criaram perfis falsos para me criticar'

Michelle Rocha, promotora de eventos: 'Sofri com a morte do meu marido, mas sentia falta de ter alguém' - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Michelle Rocha, promotora de eventos: 'Sofri com a morte do meu marido, mas sentia falta de ter alguém'
Imagem: arquivo pessoal

"Meu marido faleceu em 2020, após contrair covid. Casei aos 16 anos e, quando meu primeiro filho tinha seis meses, descobrirmos que ele tinha uma síndrome rara, que descontrolava seus hormônios e afetava o sistema imunológico, aumentando o risco de infecções —com essa condição realmente seria muito difícil ele resistir ao coronavírus.

Sofri muito com sua morte, mas depois de um ano que fiquei viúva, senti falta de ter alguém comigo e comecei a namorar. Primeiro senti medo de ser julgada —e o pior é que fui. Apesar de os meus dois filhos aceitarem bem, a família do pai deles não entendeu e se afastou de mim.

Os amigos que tínhamos em comum me atacaram na internet. Chegaram a criar perfis falsos para me criticar. Escutei também comentários do tipo: 'ela falava que era tão apaixonada pelo marido'. Eu era mesmo, não o abandonei em nenhum momento e sei bem a história que tivemos. Acho só que todas as pessoas têm o direito de recomeçar." Michelle Rocha, 38 anos, promotora de eventos

Veja mais: "Acende a Luz", documentário conta a história de Isabel Dias que após 32 anos de casamento, decidiu se separar e viver uma jornada de redescoberta do sexo e do próprio corpo

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