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Cristiano Ronaldo anuncia a morte do filho: como lidar com luto parental

Cristiano Ronaldo e a sua namorada, Georgina, anunciaram o falecimento de um de seus filhos. A familia contou sobre a gravidez no final do ano passado pelas redes sociais - Reprodução/Instagram
Cristiano Ronaldo e a sua namorada, Georgina, anunciaram o falecimento de um de seus filhos. A familia contou sobre a gravidez no final do ano passado pelas redes sociais Imagem: Reprodução/Instagram

Rafaela Polo

De Universa, São Paulo

18/04/2022 17h54

Um dos maiores jogadores da história do futebol, Cristiano Ronaldo usou as redes sociais para anunciar a gravidez de gêmeos da namorada, Georgina Rodríguez, no final do ano passado, mas, nesta segunda-feira (18), voltou para dar uma notícia triste: um dos bebês, o menino, não sobreviveu.

Não se sabe se a perda foi antes ou durante o parto. Em sua mensagem aos seguidores, o jogador não dá detalhes. Indiferente de como aconteceu, porém, a realidade é de sofrimento pelo que aconteceu. "Às vezes, a dor é tão grande que eles podem ficar com uma sensação de estarem anestesiados, ainda mais pelo desejo de precisar ser forte para os outros filhos", diz a enfermeira obstetra especialista em luto parental Beatriz Kesselring, diretora do Núcleo Cuidar, clínica localizada em São Paulo.

Beatriz fala sobre o luto parental em situações como a vivida pelo casal, quando o filho morre prestes a nascer ou logo após o parto. Segundo a especialista, os rituais e homenagens são importantes para assimilar essa perda e enfrentar a dor tão profunda do momento. "É importante honrar a presença desse bebê e permitir que os pais possam falar sobre isso. Os rituais não vão tirar a dor, mas vão marcar o momento para a elaboração do luto", diz.

"Por exemplo: é importante ter o máximo de recordações guardadas do bebê. Seja a pulseirinha, a foto de ultrassom, a roupa que levaram para a maternidade, e criar uma caixa de memórias. No Brasil, isso está sendo implementado discretamente, mas já é comum em hospitais da Inglaterra", explica Beatriz. O NHS, o sistema público de saúde do país britânico, está habituado a trabalhar com assistência humanizada e luto neonatal. Segundo Beatriz, eles mesmo oferecem uma caixa de memórias para os pais e ensinam a fazê-la.

Tentar se manter forte e focar apenas na bebê que sobreviveu pode não ser uma boa maneira de lidar com o sentimento dos pais. Cássia Gomes, autora do livro "Flores que Nascem por entre as Rachaduras" (ed. Verso), que perdeu um filho no nono mês de gestação, aconselha a sentir os sentimentos que vierem para evitar sofrer com efeitos rebotes no futuro.

"É algo que te pega de surpresa. A gente sabe que a morte e o nascimento são coisas intimamente ligadas, mas nunca estamos preparados para a primeira. Ainda mais no caso de uma gestação", diz. Ela descobriu que o filho tinha falecido na última semana de gravidez e escolheu, naquele momento de dor, se fechar para tudo.

"Dê um passo de cada vez e permita-se sentir. É inevitável se bloquear e é mais fácil negligenciar esse sentimento. Ainda mais no caso deles, que ainda tem um bebê que, entre aspas, pode ajudar a preencher o vazio. Se não sentir a dor, luto e angústia do momento, o efeito rebote é muito grande. Se quiser chorar, chora, grite. Depois, recomece a caminhar", diz Cássia.

Cuidados com a saúde

A ginecologista Tais Calomeny, de São Paulo, explica que, apesar de ser possível de acontecer, o que a Georgina passou não é comum, mesmo em caso de gestação de gêmeos, em que há risco aumentado para tudo, inclusive óbito neonatal.

"Algumas situações na gravidez de gêmeos são imprevisíveis, como trombose no cordão umbilical de um bebê, mas, em outras, é possível saber se há algo errado durante o pré-natal. Principalmente em casos de placenta única, com dois fetos, que um costuma absorver mais sangue e nutriente do que o outro, deixando um gêmeo prejudicado. Mas, nesse caso, não há surpresas", diz Taís, que reforça: a gestação de gêmeos requer cuidados: "O fato da prematuridade, já que é difícil essa gravidez chegar a 39 semanas, também é um aumento do risco como um todo", reforça a médica.