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Carla e Arthur: é possível abrir os olhos de uma amiga sobre um boy lixo?

Carla Diaz chegou a se ajoelhar diante de Arthur no BBB 21 - TodaTeen
Carla Diaz chegou a se ajoelhar diante de Arthur no BBB 21 Imagem: TodaTeen

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

15/03/2021 16h16

É claro que os relacionamentos alheios são da conta dos envolvidos, mas algumas mulheres não conseguem ficar caladas diante das barbaridades cometidas por um boy lixo (abusivo, ciumento, traíra, interesseiro, imaturo, etc.) da amiga. A questão é: como apontar a triste realidade para a BFF (sigla de melhor amiga em inglês) e mostrar que ela merece coisa melhor sem subestimar sua inteligência nem ofendê-la?

No BBB 21, por exemplo, o relacionamento entre Carla Diaz e Arthur vem sendo bastante criticado — dentro e fora da casa — muito pelo comportamento do crossfiteiro, tachado, entre outros adjetivos, de "moleque" e "infantil".

O assunto virou até trendind topic do Twitter. Na rede social, multiplicam-se opiniões sobre o casal, e críticas a Arthur:

Durante festa do "BBB 21", na madrugada de sábado, ele disse que a Viih Tube que iria a São Paulo conhecer as amigas da youtuber. Oi?! Seu fiel escudeiro Projota chegou a pedir ao atleta que ficasse quieto para não se queimar. Bom senso que chama?

Após essa bola fora, Fiuk ainda comentou com Gil que pegou Arthur falando que estava com "saudade de balada, de festa" e, pra fechar com "chave de ouro", numa conversa com Juliette, soltou: "imagina, Juliette, se o casal da edição fosse eu e você?".

Só com esses exemplos, temos aí pelo menos duas pessoas próximas a Carla - Fiuk e Juliette — que bem poderiam fazer chegar essas pérolas de Arthur aos seus ouvidos. Mas como fazer?


Primeiro, pondere se existe abertura para a conversa

Algumas mulheres gostam de um ombro amigo para desabafar, reclamar, pedir conselhos. Outras não querem ouvir opiniões e muito menos pedir ajuda sobre como lidar com suas questões afetivas. Se ainda não existe abertura para pontuar o que observa, não force a barra. Espere o momento e o faça com delicadeza, sem se mostrar invasiva ou cheia de julgamentos em relação aos envolvidos. Lembre-se: só é possível ajudar quem quer receber ajuda. Não se deve forçar ou impor auxílio.

Faça com que ela questione a relação sem condená-la

É claro que a forma de abordar o assunto vai depender do grau de intimidade entre vocês. No entanto, vale lembrar que na maioria dos casos de relacionamentos abusivos a mulher fica tão envolvida que não percebe os prejuízos emocionais que vem acumulando. Assim, o ideal é pontuar suas observações em forma de questionamento sem apelar para uma verdade absoluta. Exemplo: "Me parece que o seu namorado é bastante ciumento. Ele sempre faz isso?". É um jeito de fazer a amiga refletir sem necessariamente apontar a questão.

Avalie se não está projetando suas vivências na amiga

Será que as suas percepções sobre o namorado da amiga se baseiam em "fatos reais" ou você está elaborando suas impressões a partir de suas próprias experiências? Reflita se você não está projetando situações do seu passado - ou até mesmo do presente - ou usando suas vivências e histórias para definir a relação dela. Esse exercício de autoconhecimento é fundamental para que ninguém saia magoado de uma possível conversa.

Indique fatos em vez de emitir opiniões

As circunstâncias são delicadas, certo? Então, tome cuidado para não confundir fatos com o conceito do que você acredita ser um relacionamento ideal. Outra atitude interessante é investigar se você não tem uma antipatia infundada pelo cara ou se sente uma pontada de inveja ou ciúme - e, se na verdade, gostaria de estar no lugar da amiga.

Relembre ou mostre exemplos para sustentar sua fala

OK, o sujeito é mesmo um embuste. Mas para criticá-lo e tentar salvar sua amiga de uma encrenca é preciso se atentar à forma e ao conteúdo do que você vai dizer. Em geral, mulheres que se envolvem com homens tóxicos (dependentes, imaturos, infiéis e por aí vai) são motivadas por um mecanismo inconsciente que foi detonado na infância, a partir do modelo de relacionamento aprendido com os pais e/ou com os primeiros cuidadores. Você pode usar esse histórico, de maneira sutil, como argumento: "Lembra que você comentou que sua mãe teve de abrir mão de um monte de coisas porque o seu pai não gostava? Será que você não está tentando repetir o mesmo enredo?". Outra maneira de abordar isso é através de filmes, séries e livros que falem de relacionamentos nocivos, sempre tentando traçar um paralelo com o namoro dela. A ideia é fazer com que ela analise a situação.

Não deixe para falar no momento que estiver com raiva

Há o risco de sua fala sair de modo exagerado e pouco contundente. Tranquilize-se antes de conversar. Uma amizade não consiste apenas em trocar elogios, mas dar bronca na amiga não é um direito seu. E, muito menos, faça comentários do tipo "você é uma tonta, mesmo" ou "não aguento mais a sua cegueira". Atacar só fará com que ela se retraia e perca a confiança em você.

Garanta que está do lado dela

Mesmo que isso signifique ter que respeitar as escolhas ruins dela. Tenha em mente que as pessoas tentam fazer o melhor de suas vidas conforme as circunstâncias, com as ferramentas das quais dispõem no momento. Se você já foi vacinada contra boys lixo de toda a espécie, talvez sua amiga sequer saiba que pode se fortalecer para fazer escolhas melhores. Ela encara a situação conforme os recursos que tem. Não vire a cara por não concordar com o namoro dela.

Lembre-a da verdadeira essência dela

Se você acha que sua amiga virou outra pessoa depois que se envolveu com o tal boy lixo, tente lembrá-la das coisas que ela gostava ou das qualidades que foram suprimidas por conta do relacionamento. Talvez ela nem tenha se dado conta disso. Ao enaltecer essas características valiosas, você a estará ajudando a se reintegrar e se posicionar melhor frente aos desafios.

Não tenha medo de perder a amizade

Sim, a amizade pode ficar abalada. Neste caso, o ideal é deixar a poeira baixar. Mas se o afeto entre vocês realmente for verdadeiro, tudo vai voltar ao normal.


Fontes consultadas: Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Pamela Magalhães, psicóloga e terapeuta de casal e família, de São Paulo (SP); Thiago Guimarães, terapeuta de casal e autor do e-book "O Segredo da Mulher Maravilha", e Yuri Busin, psicólogo e doutor em Neurociência do Comportamento.

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