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Pandemia causou 1,4 milhão de casos de gravidez não intencional, diz ONU

Segundo o estudo, o avanço no caso de gravidezes indesejadas tem relação com a falta de acesso aos contraceptivos em 115 países, incluindo o Brasil - iStockphoto
Segundo o estudo, o avanço no caso de gravidezes indesejadas tem relação com a falta de acesso aos contraceptivos em 115 países, incluindo o Brasil Imagem: iStockphoto

Do UOL, em São Paulo

12/03/2021 16h58

A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou hoje dados que indicam que 1,4 milhão de gravidezes não intencionais foram registradas no ano passado durante a pandemia do novo coronavírus. A estimativa é da agência de saúde sexual e reprodutiva da ONU, a UNFPA.

Segundo o estudo, o avanço no número de gravidezes indesejadas tem relação com a falta de acesso aos contraceptivos em 115 países, incluindo o Brasil. Com a pandemia, cerca de 12 milhões de mulheres perderam o suporte dos serviços de planejamento familiar.

"Gravidezes não param por causa de pandemias, ou de qualquer crise. Nós precisamos assegurar que mulheres e meninas tenham acesso ininterrupto a serviços contraceptivos salvadores de vida e medicamentos de saúde materna", defendeu a diretora-executiva do UNFPA, Dra. Natalia Kanem. "O impacto devastador que a covid-19 tem tido nas vidas de milhões de mulheres e meninas no ano passado reforça como é vital garantir a continuidade dos serviços de saúde reprodutiva".

Os dados da ONU apontam que mulheres de renda baixa e média ficaram sem acesso aos serviços de planejamento familiar por 3,6 meses ao longo de 2020, "sugerindo que muitos serviços de saúde foram resilientes o suficiente para se adaptar e continuar a fornecer atendimento".

O cenário poderia ser pior, diz a UNFPA, se a agência não tivesse assegurado financiamento para governos e outras ações como o monitoramento dos estoques globais de contraceptivos e contato com mais fornecedores. "Como resultado desse compromisso compartilhado e da ação rápida, a interrupção no acesso ao planejamento familiar foi menos grave do que poderia ter sido".

A UNFPA é a maior compradora de contraceptivos para países em desenvolvimento. De acordo com Astrid Bant, representando da agência no Brasil, a principal preocupação no país tem sido em regiões afastadas, de difícil acesso, localizadas no Norte e o Nordeste.

"Durante crises de saúde e crises humanitárias, são as pessoas em situação de maior vulnerabilidade que enfrentam possíveis rupturas em seu acesso a serviços. E é preciso lembrar que o acesso a contraceptivos, assim como atendimento em saúde reprodutiva, é um direito humano, e temos trabalhado para garanti-lo", afirma.

No ano passado, para reduzir os impactos da pandemia na saúde sexual e reprodutiva de mulheres, a UNFPA levou a Ilha de Marajó, no Pará, o projeto "Saúde das Manas" para disponibilizar teleconsultas com ginecologistas e obstetras, além de promover ações para informar sobre métodos contraceptivos e questões de saúde.

Neste ano, o projeto prevê também a entrega de contraceptivos em residências cadastradas, nas cidades do arquipélago, que tem um dos menores IDHs (Índices de Desenvolvimento Humano) do Brasil.

A pandemia do novo coronavírus completou ontem um ano —foi a data em que a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou a pandemia e reforçou que todas as nações deveriam trabalhar para controlar a covid-19. Hoje, o Brasil vive o momento mais difícil da crise com superlotação de leitos de UTI, recorde de mortes e vacinação lenta.

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