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Coronavírus: OMS decreta pandemia; o que muda nos cuidados com a saúde?

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

11/03/2020 16h04Atualizada em 11/03/2020 17h27

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que o mundo vive uma pandemia do novo coronavírus, em um reconhecimento de que a estratégia de tentar conter a proliferação da doença não está sendo suficiente. "[Pandemia] não é uma palavra que usamos de forma descuidada, pois, quando utilizada incorretamente, pode provocar medo irracional ou aceitação de que a luta acabou, levando a um sofrimento desnecessário", disse em coletiva de imprensa o diretor geral da entidade, Tedros Adhanom.

O diretor reforça que o trabalho feito por todas as nações para controlar o coronavírus precisa continuar. "A descrição como pandemia não muda o que a OMS está fazendo nem o que os países devem fazer."

A contagem mais recente confirma 121.564 casos no mundo todo; mais de 80 mil estão na China, mais de 10 mil na Itália e nove mil no Irã. No total, mais de quatro mil pessoas já morreram.

Pandemia: o que muda?

De acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), uma epidemia é caracterizada por um aumento, muitas vezes repentino, no número de casos de uma doença. Geralmente, esse número está acima do que é normalmente esperado para a população de uma determinada área. A definição é parecida com a do surto, terminologia que é utilizada quando os casos da doença estão contidos em uma área geográfica limitada.

Já a pandemia refere-se a uma epidemia que se espalhou por vários países ou continentes, geralmente afetando um número muito maior de pessoas.

Na prática, a declaração da OMS indica que os governos devem trabalhar não mais para conter um caso e, sim, ativar ações para atender a uma parcela da população mais ampla e vulnerável. O foco agora, portanto, é mitigar os danos — ou seja, evitar mortes pela doença.

A declaração de pandemia deixa evidente que, embora as medidas para impedir a circulação do vírus devam continuar, elas não são mais efetivas" Hélio Bacha, infectologista do Hospital Albert Einstein

Segundo Hélio Bacha, infectologista do Hospital Albert Einstein, o momento agora é de reforçar as estruturas de saúde e se preparar para atender os pacientes mais vulneráveis. Isso quer dizer dar mais atenção aos idosos (especialmente acima dos 75 anos) e aos pacientes que sofram com alguma condição crônica. "Precisamos dar mais atenção aos asilos e também preparar os profissionais de saúde para receber esses pacientes", diz o médico.

Do ponto de vista individual, no entanto, nada muda e os cuidados com a saúde continuam os mesmos. As pessoas devem principalmente:

  • Evitar aglomerações
  • Lavar as mãos frequentemente
  • Manter distância de indivíduos que estejam com sintomas de doença respiratória

Para Rafaela da Rosa Ribeiro, doutora em biologia celular e estudiosa do vírus zika que está em Milão atuando junto com uma equipe de virologistas do Hospital San Raffaele na análise do coronavírus, a mudança de status vai facilitar a aprovação de mais recursos para estudar a covid-19. "Acredito que outros países também terão mais interesse em investir nesse conhecimento científico sobre o vírus", diz.

Pandemia sem pânico

Especula-se que uma das razões pelas quais a OMS demorou tanto a declarar o status de pandemia é o inevitável sentimento de pânico que isso iria causar em todo o mundo.

No entanto, é importante lembrar que, embora a taxa de mortalidade dos infectados com a covid-19 esteja alta entre idosos e pessoas com histórico de outras doenças (especialmente problemas cardíacos, diabetes e problemas renais), a grande maioria dos doentes desenvolve sintomas leves e conseguem se recuperar bem em casa, sem grandes complicações.

Os números atualizados mostram, por exemplo, que entre os mais de 121 mil casos, mais de 66 mil já se recuperaram. Na Itália, onde a situação tem ficado cada vez mais dramática, o número de mortes é alto justamente por conta da população de maioria idosa, público mais vulnerável à doença.

Uma das explicações para o sentimento de medo exacerbado é a forma como o coronavírus se apresentou: uma doença respiratória (o que, por si só, já gera preocupação) misteriosa que provocou uma epidemia de pneumonia na China e deixou diversos pacientes (especialmente os idosos) em estado crítico.

Esse quadro de insegurança ganhou ainda mais força pela facilidade com que o vírus se espalha —como sua apresentação pode ser assintomática ou com sintomas de uma leve gripe, alguns pacientes podem adquirir o vírus e não saber. Mesmo assim, Bacha acredita que não há motivo para desespero. "O pânico é o medo sem informação, e isso [informação] é o que mais temos atualmente", acredita. "Nunca vi uma epidemia tão bem estudada e documentada como a do coronavírus", afirma.

Próximos passos

Por encontrar uma população sem resposta imune especifica a ele, o novo coronavírus tende a se espalhar com maior facilidade — e o Brasil não deve ser exceção, embora por aqui os casos continuem baixos. A contagem mais recente mostra 52 casos confirmados e 907 suspeitos.

"Não saber como ele vai se comportar no Brasil e pensar que é um vírus que viaja pelo mundo assusta", acredita o infectologista João Prats, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo. "Mas é importante lembrar que os sintomas que ele provoca não são tão diferentes de outros vírus já conhecidos que provocam síndromes respiratórias", avalia.

Ou seja, mesmo que o coronavírus avance no país, há tratamentos e recursos disponíveis e já conhecidos para tratar os sintomas provocados pela doença. O clima quente e o inverno ameno também são fatores que favorecem o cenário para o Brasil. "O importante é manter-se informado por órgãos oficiais e manter a calma", finaliza o infectologista Hélio Bacha.

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