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PIX é usado como app de paquera. Conheça os "pixsexuais"

Pixsexuais: jovens inovam na paquera - Getty Images
Pixsexuais: jovens inovam na paquera Imagem: Getty Images

Júia Flores

De Universa

19/01/2021 04h00

"Não me mande flores, me mande um PIX".

Sim, acredite: o brasileiro conseguiu transformar o PIX em um aplicativo de paquera. No Twitter, já deram até um nome para quem aderiu a esse "uso alternativo" do sistema de pagamento eletrônico lançado há três meses pelo Banco Central: são os pixssexuais. No Instagram, Stories com as brincadeiras do "PIXTinder" estão viralizando.

Júlia Mendonça, colunista do blog do UOL Descomplique, explica funcionalidade oficial do PIX. "O PIX é um sistema de transferência de dinheiro que utiliza da tecnologia da criptografia. Quem cuida do PIX no Brasil é o próprio Banco Central. Basta você cadastrar a sua conta no sistema, adicionar uma chave de acesso e pronto. Pode começar a receber e fazer transações de graça, sem as burocracias usuais".

Ou seja, a ferramenta permite o cadastro do telefone, do CPF ou de um número aleatório como chave pessoal, para facilitar o processo. Assim, ao enviar o dinheiro, a pessoa não precisa digitar conta, agência, banco e outros detalhes, basta digitar a chave de quem vai receber a transferência.

Há duas semanas, uma história curiosa envolvendo o sistema de envio bombou nas redes sociais. Uma garota, bloqueada em todas as redes sociais do ex, fez várias transações de R$ 0,01 para o boy com mensagens pedindo para reatar o relacionamento. É que, caso você nunca tenha usado a função, junto com o dinheiro dá para mandar também mensagens de texto, normalmente para justificar o motivo da transferência.

O Banco Central informa que ainda não é possível bloquear números no PIX, mas existem outros meios de impedir esse contato indesejado. Para além da perseguição amorosa, tem jovem usando o PIX para falar com o contatinho e paquerar.

"Recebi R$ 2 do meu contatinho"

Bruna Souza, de 27 anos, é relações públicas. Ela conta que, um dia, rolando a timeline do Instagram, viu uma brincadeira sobre o pixsexuais e resolveu compartilhar em seus Stories. "Aqui é ruim de conversar, anotem meu o número do meu PIX"

Ela não esperava nada com o compartilhamento, até que recebeu R$ 2 de um contatinho do passado. O melhor era o conteúdo da mensagem que chegou junto com o dinheiro: "Ele mandou o endereço da casa dele, pedindo para eu ir visitá-lo. O problema é que o endereço é de Taubaté e eu moro em São Paulo, capital".

O engenheiro Rafael Savastano, 29, e Bruna se conheceram há cerca de um ano, mas como moram em cidades diferentes, não se viram em 2020 por causa da pandemia. "Na hora não acreditei. Respondi para combinarmos a visita, mas até agora não rolou", conta Bruna.

Questionada sobre segurança e privacidade, Bruna diz que acha perigoso informar o número para estranhos e que Rafael já tinha seu telefone. "Essas coisas só acontecessem comigo", brinca. Já Rafael conta que enviou o dinheiro para "fazer uma graça". "Mandei só R$ 2 para ela no PIX porque ainda não sou rico. Senão mandava R$ 2 mil. Ela merece", diz o engenheiro.

A especialista em finanças alerta para os riscos de usar o número de telefone como chave do PIX. "Não é uma coisa legal você sair por aí passando o seu contato para todo mundo, nem mesmo o CPF. Esse é o principal problema da ferramenta, informar dados pessoais para desconhecidos", diz Júlia.

Atente-se aos riscos

Na hora de cadastrar uma chave, Júlia sugere que você, se não quiser informar seus dados pessoais, registre um número aleatório na ferramenta. "Uma sugestão é que, caso o usuário tenha conta em mais de um banco, em um ele use o telefone celular como chave do PIX e em outro ele registre um número aleatório", explica.

Procurado, o Banco Central reforçou que não é possível bloquear contatos no método de pagamento. A única opção de bloqueio que o PIX oferece é em situações de fraude. O porta-voz do órgão recomendou, para aqueles que não desejam receber as mensagens que acompanham as transações, que desativem as notificações do aplicativo.

Por telefone, o BC informou ainda que não possui controle sobre o teor das mensagens enviadas entre os seus usuários e que inclusive palavras e conteúdos obscenos em texto não são bloqueados automaticamente pelo sistema. Sobre a quantidade de jovens que estão compartilhando dados pessoais no Twitter na tentativa de receber um PIX do contatinho, o disse que "essa não é uma preocupação que cabe ao Banco Central, nossa função é disponibilizar uma maneira prática, segura e fácil de enviar dinheiro".

"Com o seu CPF e seu número de celular, qualquer um pode fazer um estrago", alerta Júlia.

Paquerar é bom, mas é ainda melhor ter seus dados em segurança. Por isso, avalie os riscos na hora de publicar detalhes pessoais na internet. E quanto ao contatinho do passado e ao crush do presente que têm seu telefone e, consequentemente, sua chave de PIX? Aí não tem problema, peça para ele te mandar uma grana... vai que a cantada cola!

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