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Arraste o sofá e rebole: a gente conta por que mexer o quadril faz tão bem

Que tal aproveitar o início de 2021 e rebolar sem vergonha de ser feliz? - FG Trade/Getty Images
Que tal aproveitar o início de 2021 e rebolar sem vergonha de ser feliz? Imagem: FG Trade/Getty Images

Nathália Geraldo

De Universa

10/01/2021 04h00

Se você tem aproveitado a quarentena para encarnar a Jane Fonda e fazer exercícios no meio da sala, aqui está mais uma tarefa recomendada para 2021: rebolar. Apesar de o movimento da pélvis pipocar o tempo inteiro em dancinhas do TikTok e apresentações de artistas como Anitta e Luísa Sonza, talvez você ainda não tenha sacado que rebolar é para você também.

A pesquisadora autodidata do corpo feminino Maria Chantal é uma entusiasta do rebolado. Produzindo conteúdo sobre autoconhecimento feminino em seu perfil do Instagram para mais de 24 mil seguidores, ela defende que mexer o quadril traz benefícios físicos, de consciência corporal e de autoestima. "Rebolar é medicina fundamental", diz Maria para Universa.

A gente também ouviu a professora adjunta do Departamento de Fisioterapia da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e doutora em ciências da saúde Adriana Saraiva. Ela explica que a circundução da pelve - o nome técnico para o movimento de levar o quadril para frente, para trás e para as laterais - tem benefícios, mas precisa ser orientada se a intenção é fortalecer o assoalho pélvico.

O convite para rebolar está feito. O requebrado também ajuda a mulheres a se soltarem mais, inclusive no sexo, como nos contou a professora do Afrofunk Rio Taísa Machado. Que tal praticar?

Rebolado como autoconhecimento

A pesquisadora Maria Chantal se empenha na tarefa de divulgar a palavra da rebolada, da liberdade e do autoconhecimento feminino provocados pelos quadris.

Em um vídeo do Instagram, que já tem mais de 60 mil visualizações, ela elenca os benefícios do movimento. A ideia é que o corpo feminino, subjugado a imposições culturais, patriarcais e machistas ao longo da história, se liberte para ser motivo de prazer e bem-estar. "Vulgar mesmo é a colonização mental e corporal", escreveu a pesquisadora na legenda do conteúdo.

Criadas para "sentar de perna fechada" e "não rebolar quando andar", nós, mulheres, podemos acumular travas nessa área do corpo, explicou Chantal para Universa. "Fomos deseducadas sobre o conhecimento do próprio corpo e isso trava o corpo e traz medo de ser sensual, por exemplo. Além disso, acumulamos emoções no quadril, temos o útero de mulheres cis nessa área. Por isso, a dança traz a saúde física e a emocional para nós."

O machismo, o racismo e a colonização formam estruturas de condicionamento que começam nas mentes e vão para os corpos. Quando você entende que seu corpo foi colonizado, o rebolar pode até vir forçado no começo, mas depois vai se naturalizando

Fortalecimento do assoalho pélvico: funciona?

Cada vez mais ligado à saúde da mulher, o fortalecimento do assoalho pélvico se associa à capacidade de continência urinária e fecal, além de exercícios para que se saiba controlar a musculatura da região para ter mais prazer e controle em relações sexuais, além de possibilitar parto vaginal sem lesões ou traumas.

Adriana explica que rebolar, de fato, é vantajoso para fortalecer os músculos ao redor do quadril e, como qualquer atividade física, é sinônimo de liberação de endorfina. O fortalecimento do assoalho pélvico, no entanto, só acontece quando são contraídos e relaxados os músculos internos da região. Para isso, diz a professora, é preciso ter consciência da localização deles, o que se dá com orientação de fisioterapeutas pélvicos.

"Exercícios que não sejam específicos para assoalho pélvico não o fortalecem. Por isso, o rebolado por si só não fortalece", comenta. "Mas, ele envolve os músculos externos, os que prendem a pelve às pernas e ao tronco. Por isso, gera fortalecimento dessas regiões, além de a pessoa ganhar mobilidade e treinar equilíbrio."

A recomendação de rebolado para as grávidas também tem sentido. Os movimentos fortalecem e relaxam os músculos da região pélvica e são capazes de facilitar a abertura para o parto vaginal. No entanto, devem ser feitos de acordo com as condições de saúde de cada mulher e com acompanhamento profissional.

Os cuidados com os limites do corpo não devem ser deixados de lado. "É preciso tomar cuidado com a coluna lombar, porque se não se tem a orientação de contrair o abdômen, é fácil ter uma lombalgia", diz a fisioterapeuta. Outro ponto que precisa de atenção é a respiração, que deve ser livre e compassada. "Se fizer esses movimentos prendendo a respiração, pode-se gerar uma sobrecarga nos órgãos pélvicos".

mulher rebolando - CarlosDavid.org/Getty Images/iStockphoto - CarlosDavid.org/Getty Images/iStockphoto
Cada uma deve respeitar os limites do corpo para que o exercício não comprometa a saúde
Imagem: CarlosDavid.org/Getty Images/iStockphoto

Mas tem que fazer igual?

Segundo a pesquisadora Maria Chantal, toda vez que ela publica um vídeo em que aparece rebolando, as mulheres da sua rede lamentam não fazerem os movimentos iguais aos que ela faz. Aí está a primeira lição do rebolado: cada pessoa terá uma forma de dançar e a capacidade "rebolativa" depende de muitos fatores.

"É um treino. E tem uma questão familiar. Sou de Angola, e as músicas que eu escutava desde criança estimulavam o movimento da pélvis. Então, sempre foi natural para mim."

Disciplina, estudo do corpo e autoconhecimento, diz a pesquisadora, também são elementos que a fazem rebolar desse jeito - e que podem ser explorados por qualquer pessoa. Conciliar isso com divertimento e parar de se comparar com outras pessoas é a chave para o "rebolado empoderado".

6 passos para rebolar sem vergonha

Ok, se os benefícios do rebolado te convenceram a colocar o quadril para jogo, é hora de seguir as dicas de como rebolar sem vergonha, dadas por Maria Chantal:

  • Ela faz o rebolado dela: Se comparar com pessoas nas redes sociais ou com artistas que fazem o quadradinho de oito pode ser uma cilada. Aproveite os movimentos para reconhecer sua capacidade e explore-a!
  • De olhinho fechado, a coisa flui mais: Dançar pode ser bastante intuitivo se você fechar os olhos e não se importar com a plasticidade dos movimentos.
  • Mas, se preferir, dance nua em frente ao espelho: "Porque aí você consegue ver o que mexe, quais são as contrações do corpo, como é seu glúteo enquanto você rebola", sugere Chantal. "Isso traz consciência corporal".
  • O poder do carão: Como está seu semblante enquanto dança? Você fica séria, sorrindo, preocupada com os movimentos? Grave vídeos praticando o rebolado (e nem precisa postar!) para entender suas expressões e formas de dançar.
  • Respeite seus limites: "Não precisa rebolar tão embaixo e não queira imitar alguém que você viu rebolando. Aquela pessoa fez um alongamento antes, fez yoga", orienta a pesquisadora. "Eu, por exemplo, faço antes kemetic yoga, vou convidando meu corpo para os movimentos...".
  • Siga o som: Ritmos como funk, afrobeat, R&B, playlists sensuais são uma ferramenta poderosa para guiar o corpo para o rebolado.

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