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Kama Sutra além das posições sexuais difíceis: veja outras dicas do livro

Livro ensina, por exemplo, que existem quatro maneiras principais de beijar o parceiro -
Livro ensina, por exemplo, que existem quatro maneiras principais de beijar o parceiro

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

17/10/2020 04h00

Mesmo quem não folheou as páginas de alguma de suas versões - e são muitas, nos mais diversos idiomas - tem uma vaga ideia do que se trata. O Kama Sutra (em sânscrito "sutra" significa ensinamentos e "kama", amor) é tido em todo o planeta como uma obra icônica repleto de práticas sexuais mirabolantes e acrobáticas.

Mas o manual, escrito no século 4 pelo filósofo indiano Mallanaga Vatsyayana, vai muito além disso. Ao todo, os textos somavam mais de 700 páginas e descrições com detalhes de 529 posições. O tratado se tornou conhecido no Ocidente por causa do explorador britânico Richard Francis Burton (1821-1890), que traduziu uma versão acrescida de comentários de Jayamangala, escritor do século X, e lançou uma versão resumida em 1883 em plena Inglaterra vitoriana. Apenas 250 exemplares foram distribuídos em segredo entre membros de sua Sociedade Kama Shastra, que estudava escritos orientais.

Burton optou por publicar apenas os trechos picantes. Mas o livro também trazia informações sobre medicina, higiene, astrologia, simpatias e encantamentos. A proposta inicial era funcionar como uma espécie de compêndio de dicas de comportamento para as pessoas da elite da época, gente culta e refinada com tempo e recursos para investir no autoconhecimento e em ideias para saborear ainda mais a vida. Por isso, o conteúdo original extrapola os limites das posições sexuais com nomes peculiares pelos quais o livro se tornou célebre.

Depois de sua morte, a viúva de Burton encontrou os papéis e, chocada com o que leu, jogou tudo fora. O Kama Sutra só ganharia outra tradução direta do sânscrito em 1980.

Conteúdo do Kama Sutra além das posições sexuais

- Orientações sobre órgãos genitais: Vatsyayana dividia homens e mulheres em tipos conforme as dimensões de seus pênis e vaginas. Os homens seriam lebres (até 12,5 cm ereto), touros (até 17,5 cm) e cavalos (acima de 17,5 cm). Já as mulheres eram consideradas corsas (vagina com 6 dedos de profundidade), éguas (9 dedos) ou elefantas (12 dedos). Segundo o filósofo, o sexo seria mais harmônico entre tamanhos equivalentes; caso contrário, o casal teria de procurar posições para equilibrarem as diferenças.

- Tipos de abraços: Ideais para aquecer as preliminares e aumentar o vínculo entre o casal, dividem-se em quatro tipos. O primeiro é o abraço do cipó, em que o homem deve envolver a mulher como a planta faz com uma árvore. Já o da subida na árvore consiste na mulher enlaçar o parceiro com as pernas e subir até o seu pescoço. O do riso ou do gergelim leva o casal, deitado, a ficar cara a cara e entrelaçar pernas e abraços, enquanto o abraço da água e do leite envolve apertos e mordidas.

- Sugestões sobre carícias: De acordo com o Kama Sutra, o ato de arranhar o par é fundamental para alimentar o tesão na relação e não só pode, como deve, ser realizado em todas as ocasiões possíveis. As partes mais indicadas para receber o estímulo são a parte superior das coxas, a região próxima ao umbigo (baixo-ventre) e as nádegas.

- Dicas para os casais conviverem melhor: Tolerância, bom senso e, claro, ouvirem um ao outro para descobrirem necessidades e desejos são regras de ouro do Kama Sutra para os pares se entenderem bem além da cama. Vatsyayana queria promover um relacionamento saudável entre homens e mulheres, direcionando-os a usar a energia sexual de modo construtivo. Os toques sutis e o ato de dar as mãos também são valorizados por demonstrarem como andam as emoções do casal.

- Métodos de beijar: No livro, Vatsyayana retrata os vários tipos de beijos e explica que existem quatro maneiras principais de executá-los - reto, curvado, virado e pressionado. Mais do que ensinar técnicas e artimanhas, o filósofo encarava esse carinho como peça-chave das preliminares e como um meio de o casal se conectar com maior profundidade.

- Valorização da mulher: Vatsyayana escreveu que o sexo apenas para fins reprodutivos era algo pertinente apenas ao reino animal, ou seja, a mulher podia, sim, transar por prazer e diversão. Nas páginas, há orientações sobre como os homens podem reconhecer o orgasmo feminino e o que devem fazer para que a parceira o atinja. Em muitas das posições (asanas), há estímulo para que a mulher tenha literalmente uma postura mais ativa e dominadora no sexo - ficando por cima, por exemplo. Os escritos incentivam a igualdade no relacionamento como fator de felicidade na cama.

- Cuidados com a vida como um todo: A obra é um compêndio de etiqueta para uso dos nobres, baseado em preceitos sagrados hindus. Assim, dicas sobre como se relacionar com outras pessoas, cuidar da casa e obter sucesso permeiam os escritos. Segundo a mitologia hindu, o homem atinge a plenitude quando pratica o o dharma (virtude religiosa), o artha (riqueza mundana) e o kama (o amor). O livro ainda que os leitores o estudem em paralelo à aprendizagem de 64 artes, como canto, dança, culinária, ginástica, jardinagem, aplicar essências na pele, ladrilhar o chão, produzir flores artificiais, fazer o algodão parecer seda e tocar música em copos com água (?!).

- Ensinamentos sobre a "dobradinha" dor e prazer: Mordidas, tapas e até socos no auge da excitação são aceitáveis, conforme o Kama Sutra, pois são uma maneira de tornar o contato íntimo mais excitante. O sexo selvagem e sem limites também é estimulado.

- Instruções sobre faxina: Sim, isso mesmo! Para viver em um estado de paz e harmonia, a casa precisa estar limpa, livre de sujeira, bagunça, coisas velhas e desorganização. Para Vatsyayana, os ambientes em ordem são favoráveis às artes do amor.

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