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Nascida com os dois sexos: entenda o que é a intersexualidade

A intersexualidade é tão comum quanto a presença se ruivos na população - iStock
A intersexualidade é tão comum quanto a presença se ruivos na população Imagem: iStock

de Universa

28/09/2020 04h00

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1,7% da população mundial seja intersexual. Ou seja, entre 65 e 110 milhões de indivíduos têm características biológicas de ambos os sexos. É o caso da promotora de eventos Luiza Freitas, 41, que nasceu com pênis, testículos, vagina, útero e ovários, foi criada como menino pelos pais durante a infância, fez a transição hormonal para o corpo feminino na adolescência, mas só conseguiu ser reconhecida oficialmente como mulher aos 33 anos, quando engravidou (ouça mais sobre essa história no vídeo abaixo).

As dificuldades enfrentadas por Luiza estão relacionadas ao preconceito sofrido pelas pessoas que nascem com os dois sexos biológicos, que no passado eram chamadas de hermafroditas. Atualmente, a condição é classificada como Diferenças do Desenvolvimento Sexual (DDE), mas até pouco tempo atrás, o primeiro "d" dessa sigla significava "distúrbio".

Segundo a sexóloga Ana Canosa, apresentadora do podcast Sexoterapia, o termo foi substituído para diminuir o estigma, que está ligado ao desconhecimento das pessoas em relação à diversidade sexual. O que, na prática, não diminuiu as dificuldades enfrentadas por Luiza, que demorou dois meses para poder registrar sua filha como mãe por ter um nome masculino em sua carteira de identidade, por exemplo.

Desde 2013, quando fez uma cirurgia para retirar o órgão masculino, Luiza é considerada mulher biologicamente. Por esse motivo, ela explica que se identifica como uma mulher trans intersexual. "Ser trans é transicionar a sua imagem. Eu era um menino, a minha aparência era toda masculina. Eu precisei fazer essa transição, hormonal e cirúrgica, para me tornar uma mulher", afirma. Mas nem todas as pessoas DDS fazem essa transição, até porque há muitas manifestações da intersexualidade.

Segundo Ana Canosa, o sexo biológico está dividido em algumas categorias: o sexo gonádico, referente às gônadas sexuais (testículos e ovários). O sexo genital, que se refere à vagina, à vulva e ao pênis. O sexo cromossômico, referente aos genes (XY, XX, XXY), e o sexo do fenótipo, que são as características sexuais desenvolvidas a partir da puberdade (pelos no corpo, por exemplo). Além de todas essas variações no sexo biológico, também temos o sexo psicológico, que é a nossa identificação como homem, mulher ou não binário, e o sexo social, que é como a sociedade observa os corpos. "Quanto mais genitalizamos o sexo, mais pessoas com variação biológica ou de identidade de gênero são estigmatizadas", conclui Ana.

Para saber mais

  • Livros: "Intersexo", Maria Berenice Dias; "Jacob (y), entre os sexos e cardiopatias" , Thais Emília de Campos dos Santos
  • Filmes: Hermafrodita, Albert Xavier, República Dominicana; XXY, Lucia Puenzo (Netflix)
  • Site: Associação Brasileira de Intersexos (Abrai)
  • Série: Masters of sex (Amazon prime) - Episódio 3 na 2 ª temporada: Luta

Acompanhe o Sexoterapia

Intersexualidade é o tema do vigésimo sexto episódio do podcast Sexoterapia, que em sua quarta temporada vai mergulhar na história de uma única personagem.

Sexoterapia vai ao ar às sextas-feiras e está disponível no UOL, no Youtube de Universa e nas plataformas de podcasts, como Spotify, Apple Podcasts, no Castbox e Google Podcasts. A quarta temporada tem oito episódios.

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