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'Educar moda sobre racismo não é obrigação de modelos negras', diz Anok Yai

A modelo Anok Yai - Reprodução/Instagram
A modelo Anok Yai Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa, em São Paulo

10/06/2020 10h31

A modelo Anok Yai refletiu sobre racismo no mundo da moda em artigo para a OprahMag que serviu como resposta após sua amiga, a editora de moda francesa Carine Roitfield, postar uma foto ao seu lado e comentar: "Anok não é uma mulher negra. Ela é minha amiga".

O post, considerado "insensível" por muitos, foi mais tarde apagado pela editora. Em seu texto, a modelo egípcia disse que esta foi só uma das "muitas micro agressões que sofreu durante a sua trajetória na moda".

"Eu posso listar tantas situações em que modelos de cor como eu sofreram racismo no ambiente de trabalho", contou. "O que sempre me chamou a atenção foi a falta de reação nos sets ou no backstage dos desfiles. Eu testemunhei muitas situações em que modelos tiveram que lutar contra o racismo sozinhas, sem apoio nenhum".

Mundo da moda precisa se educar

Embora tenha admitido que o post de Roitfield a "chocou", Yai quis destacar um problema maior: "A indústria da moda precisa se educar, e muito rápido. Eles esperam que a comunidade negra os eduque sobre a nossa história, mas essa não é a nossa obrigação".

"Modelos negras não deveriam precisar ensinar a profissionais como lidar com o nosso cabelo ou a nossa pele, por exemplo. Eles precisam se educar e se preparar. É o trabalho deles", argumentou.

"As pessoas precisam aceitar a história dos EUA, e entender que o racismo não foi embora. Só porque você nunca testemunhou ou experimentou na pele, não significa que não esteja acontecendo. O silêncio sobre este tema é a mesma coisa que o consentimento. Em um país construído sob princípios bíblicos que enfatizam a liberdade, maus tratos a seres humanos não podem ser tolerados", completou.

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