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'Sociedade se acostumou a tratar o corpo feminino como público', diz Pitty

Pitty em registro de sua última turnê - Murilo Amancio/Divulgação
Pitty em registro de sua última turnê Imagem: Murilo Amancio/Divulgação

De Universa, em São Paulo

06/03/2020 09h54

Pitty criticou a gestão da ministra Damares Alves no ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, refletindo que ela "não contribui para a emancipação feminina". A cantora deu entrevista para o jornal Destak sobre seu envolvimento com pautas feministas.

"É sobre direito de escolha, sobre autonomia", disse ela, ao ser perguntada sobre Damares e as ações do ministério. "Regras morais ou dogmas religiosos devem ser seguidos por quem assim os deseja".

"A sociedade se acostumou a tratar o corpo feminino como coisa pública, e a vontade da mulher como secundária", completou ainda.

Falando sobre grandes exemplos femininos em sua vida, ela exaltou a família. "Minha avó, minha mãe. As mulheres da família da minha mãe. Percebi outro dia que venho de um matriarcado muito forte", contou.

"Tive uma vivência na infância e adolescência com mulheres batalhadoras, mulheres que nem sabiam o significado da palavra feminismo e que me ensinaram sobre isso vivendo", comentou ainda.

Ativismo na música

Pitty também refletiu sobre a transformação do mercado musical em seus mais de 20 anos de carreira.

"[Antes] havia toda uma porção de pessoas que estavam ali e que queriam espaço, a voz do rock, a voz das mulheres. Eu estava, e continuo, no meio disso tudo. Mas, à época, as coisas não tinham os nomes que têm hoje", lembrou.

"Caminhamos para a evolução de pensamento, e as pautas identitárias foram ganhando nome e força. Minha música foi caminhando assim também, o que pra mim é muito natural", disse ainda, se referindo a experimentações com gêneros como o reggae e o pop.

"Vejo especialmente as compositoras mais novas vindo com um discurso muito potente, e uma postura muito bonita e livre. Fluídas, contemporâneas. Lindo de ver. É massa ver que as conversas e as trocas florescem através das artes", elogiou.

Para ela, a competição entre mulheres é "uma armadilha a ser evitada" em qualquer área.

"Isso só nos enfraquece, fragmenta e desestabiliza. Não significa que se tenha que gostar de tudo. Divergir é importante. Mas há algo que pode estar acima disso, um sentimento maior de proteção e construção", definiu.