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RS: perícia diz que cadáver de mulher achado fora do túmulo foi "estuprado"

Viatura da polícia no cemitério onde o corpo estava enterrado - Gabriel Siota/Giro de Gravataí/Divulgação
Viatura da polícia no cemitério onde o corpo estava enterrado Imagem: Gabriel Siota/Giro de Gravataí/Divulgação

Hygino Vasconcellos

Colaboração para Universa, em Porto Alegre

10/01/2020 21h54

A perícia genética no corpo de uma mulher morta, retirada do túmulo horas após o enterro, confirmou o cadáver foi submetido a ato sexual. O resultado do exame chegou às mãos dos investigadores nesta semana e chocou a família. O caso aconteceu em novembro do ano passado, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A mulher, cuja identidade não foi divulgada pela polícia a pedido da família, morreu no hospital local por insuficiência respiratória, seguida de parada cardiorrespiratória.

Segundo o delegado Marcio Zachello, responsável pela investigação, foi encontrado esperma em duas partes do corpo: no ânus e na vagina. O laudo também apontou que o material genético é de um mesmo homem e, por isso, descarta-se a participação de outras pessoas no crime - nem mesmo durante o trajeto de 30 metros do túmulo até o matagal, por onde ela foi arrastada. A polícia já tem suspeitos e agora deve fazer a comparação com o DNA dessas pessoas.

Zachello trabalha como uma "série de linhas de investigação", porém, não revelou a Universa quais seriam, com receio de atrapalhar o inquérito. A polícia aguarda ainda da perícia o exame papiloscópico, realizado no cemitério.

Na investigação, 23 pessoas já foram ouvidas, entre funcionários do cemitério, da empresas terceirizadas - de segurança e serviços gerais -, e familiares da vítima. O inquérito ainda não foi concluído, pois não havia nenhuma pessoa presa pelo crime, o que geraria um prazo limite para a finalização das investigações.

O vilipêndio a cadáver, como é chamado pelo Código Penal este tipo de crime, é passível de um a três anos de prisão, além de multa. Por enquanto ninguém foi preso.

"Sensação de nojo", desabafa irmã

Ao saber do resultado do laudo, a irmã da mulher morta, Jaqueline da Cunha, 45, disse para Universa que sentiu "nojo". "Foi horrível. Não é certo ver uma coisa assim. A gente pensa que isso não deveria acontecer. Fico imaginando como alguém pode fazer isso?"

Ela foi a primeira a encontrar o corpo em novembro, enquanto outros familiares vasculhavam o restante do cemitério atrás do cadáver que havia sumido do túmulo.

"Na hora eu não achei que fosse ela, mas eu comecei a olhar de baixo para cima e reconheci os pés, nos quais ela tinha um problema. Minha irmã estava seminua, com a camisa que eu tinha colocado. A partir daquele momento eu passei a gritar o nome dela", relembrou a mulher.

Além de estar sem a saia, um dos seios estava descoberto e as mãos estavam cruzadas sobre o peito. As árvores do local tinham cruzes pintadas nos troncos.

Na época, a prefeitura, que administra o cemitério, notificou a empresa terceirizada responsável pela vigilância e pediu ainda que reforçasse os cuidados no local.

Violência contra a mulher