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Hora do diagnóstico: com quem e quando falar sobre o câncer de mama?

Ana Furtado e Sabrina Parlatore falaram sobre diagnóstico de câncer de mama - Reprodução/Instagram
Ana Furtado e Sabrina Parlatore falaram sobre diagnóstico de câncer de mama Imagem: Reprodução/Instagram

Nathália Geraldo

De Universa

11/10/2019 04h00

Descobrir um câncer de mama quase sempre vem seguido de um baque emocional para as pacientes: como compartilhar a notícia do diagnóstico com o mundo?

A reação entre a busca pelo apoio de familiares, amigos, equipe médica e até de outras pessoas que tiveram a doença e a vontade de não preocupar ninguém com o assunto pode gerar um conflito interno: em que momento, e como, contar que está com câncer?

Falar sobre diagnóstico de câncer de mama

A atriz e apresentadora Ana Furtado, que passa o primeiro Outubro Rosa curada da doença, resolveu levar a notícia em um tom leve, especialmente para sua filha, Isabella. "Para todas as pessoas com que eu falei, depois da cirurgia para a retirada do tumor, eu dizia: tenho uma boa notícia para te contar -- 'eu tive um câncer, mas agora não tenho mais'", contou, em entrevista para Universa. A expressão, segundo a apresentadora, era uma projeção para lidar com positividade com a situação.

O tratamento quimioterápico e as mudanças da rotina causadas pela doença também foram divididos publicamente por Ana, com posts de autoestima nas redes sociais. Assim, os seguidores acompanharam todas as etapas da cura da doença.

Já a apresentadora Sabrina Parlatore descobriu o câncer na mama esquerda em 2015, mas só falou publicamente sobre o tema no ano seguinte, depois de ter terminado o tratamento.

Conversamos com a especialista em psicologia hospitalar Juliana Ono Tonaki, que trabalha no setor de oncologia há 10 anos e atende pacientes do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), para entender: há um momento certo para falar sobre a doença para familiares, amigos e parceiros?

Dar a notícia e a aceitação da doença

De acordo com Juliana, não há fórmula exata para a paciente aplicar no campo emocional. Transmitir a notícia da doença às pessoas próximas é um momento que requer avaliação das relações que a cercam.

"O que aconselhamos para todas as pacientes é a aceitar a doença, em primeiro lugar. Aí, a mulher deve entender a dinâmica da família e contar para quem ela tem confiança".

A forma de falar, segundo a especialista, não deve ir contra a postura com que a paciente lida com a vida, levando em conta seu próprio temperamento. "Não tem uma forma que consiga evitar mais sofrimento. A mulher pode falar de forma bem-humorada, como fez a Ana Furtado; mas, há as que são mais reservadas, e devem se perguntar qual é o jeito e o tempo certo de comunicar".

Juliana ainda destaca que há mulheres que passam pelo diagnóstico e pelo tratamento sem contar para ninguém, consequência de seu estilo de vida independente e casos em que a paciente morava longe da família.

Esteja pronta no campo emocional

Qualquer que seja a forma ou o tempo de falar sobre a doença, Juliana, que atende pacientes oncológicos no ICESP, recomenda o apoio de psicólogos.

"Não há um protocolo no SUS desse tipo de assistência, mas como a equipe médica entende a situação do diagnóstico de câncer, já fica instaurada a importância de um suporte psicológico". A mulher pode e deve buscar os recursos emocionais com os quais mais se identificar.

Pessoas queridas em volta

O suporte físico e virtual de pessoas que querem o bem da paciente é fundamental, na descoberta da doença e no tratamento. Familiares, amigos, conhecidos, parceiros, além da equipe médica, são algumas das pessoas com as quais a paciente pode contar.

"Minha mãe esteve sempre do meu lado", contou Sabrina em entrevista para Universa. "Também vi histórias inspiradoras de mulheres na internet, além das pessoas com que eu me correspondia nas redes sociais".

Juliana comenta que, caso a mulher busque apoio em redes sociais ou com mulheres que tiveram ou têm a doença, é preciso encarar a comparação de realidades como algo natural. "Esse tipo de apoio pode representar um conforto, mas a pessoa pode se perguntar como a outra lida com a doença com tanta positividade se ela não se sente assim", pontua.

"A comparação sempre vai acontecer, e isso pode gerar frustração por não estar sendo tão positiva quando a outra pessoa. É preciso ficar atenta e ter rede de apoio, psicólogos e até espiritualidade para que a doença não seja motivo de isolamento".

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