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Sozinha ou com o par: aprenda a estimular todos os seus pontos de prazer

A famosa cena do "orgasmo" de Meg Ryan no filme "Harry & Sally - Feitos um para o Outro" (1989) - Divulgação
A famosa cena do "orgasmo" de Meg Ryan no filme "Harry & Sally - Feitos um para o Outro" (1989) Imagem: Divulgação

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

04/10/2019 04h00

Embora apenas os pontos G e U sejam consagrados por especialistas -apesar de não serem uma unanimidade, é preciso salientar—, a região genital feminina é um verdadeiro parque de diversões para as mulheres que se dispõem a conhecer sem medo todas as suas atrações, sozinhas ou acompanhadas.

O ginecologista alemão Ernst Gräfenberg (1881-1957), autor do estudo original que resultou na descoberta do ponto G, na metade do século 20, descreveu outros 50 pontos no interior da vagina favoráveis ao prazer sexual e ao orgasmo. Apesar da falta de pesquisas conclusivas sobre sua real existência, os pontos A e Y também têm sido frequentemente alvo de interesse e, claro, exploração.

Como, em se tratando de sexo, os meios são tão interessantes quantos os fins, que tal se dedicar a descobrir onde ficam esses pontos e como estimulá-los? Confira, a seguir, algumas dicas práticas:

PONTO G

Como achar: não é exatamente um ponto, mas uma região rugosa e sensível ao toque. Fica na parte interna e superior da vagina, a uns 5 cm da entrada. Você pode introduzir um dedo e puxá-lo para cima, devagar: é por ali que esse botão do prazer costuma ficar.

Como estimular sozinha: na hora da masturbação, feche bem as pernas e aperte-as bastante. Você pode ficar de barriga para baixo e colocar a mão no clitóris, fazendo pressão para baixo, com as pernas fechadinhas. Vibradores específicos para o ponto G, os chamados G Vibe, têm uma curvatura na ponta apropriada para excitar a área. Outra ideia é usar as bolinhas de pompoarismo Ben-Wa, de preferência um cordão com duas, e introduzi-las na vagina e tirá-las com a mão, repetindo o movimento. Como elas têm um certo pesinho, ajudam a exercitar e a sensibilizar a musculatura local.

Na hora do sexo: fique por cima, de frente ou de costas para o par. A posição da "cowgirl" permite que o pênis se posicione dentro da vagina de um jeito que estimula diretamente o ponto G. E você ainda fica com as mãos livres para brincar com o clitóris.

PONTO A

Como achar: também chamado de AFE (Anterior Fórnix Erótico), é uma espécie de dobrinha localizada bem no fundo do canal vaginal, quase sempre sob o colo do útero. É uma área com muitos vasos e nervos e, por isso mesmo, muito sensível, mas difícil de achar. Toques mais profundos —do pênis ou do vibrador— ajudam a reconhecer a região, mas muitas mulheres podem sentir dor no colo do útero, por isso é necessário ir com calma.

Como estimular sozinha: vibradores mais compridos e levemente pontudos, porém produzidos com material macio e aveludado, são os sex-toys indicados para a exploração. Uma tática que pode ajudar é lançar mão do colar tailandês, acessório erótico que tem várias bolinhas de silicone para introdução na vagina e uma argola na ponta, para puxá-las. O colar promove uma espécie de massagem interna que pode ser muito prazerosa.

Na hora do sexo: a penetração pode ser realizada junto com a introdução do colar tailandês, sabia? Já a posição recomendada é ficar com as pernas para cima, com os olhos perto da barriga, artimanha que "encurta" o canal vaginal e faz com que o pênis penetre de modo mais profundo. Peça para o par ir devagar, pois o colo do útero é bem sensível e há o risco de sentir dor e até uma espécie de cólica.

PONTO Y

Como achar: em tese, localiza-se no fundo da vagina, entre o colo do útero e a bexiga. Assim como o ponto G, não se trata de uma estrutura palpável e não apresenta alteração da textura. Estimulado, pode aumentar a lubrificação natural e facilitar o orgasmo. Assim como o ponto A, não é tão fácil de encontrar e, quando isso acontecer, deve ser estimulado com carinho e cuidado.

Como estimular sozinha: os já citados vibradores longos e do tipo soft podem dar uma "mãozinha", já que a manipulação com os dedos não funciona muito. Os movimentos devem ser lentos e suaves, sem cutucar o fundo da vagina. O colar tailandês e suas poderosas bolinhas de silicone para introdução na vagina podem provocar uma sensação gostosa.

Na hora do sexo: ao transar de quatro, por ser uma posição mais direta, em alguns casos é possível sentir um frisson na região. De frente, com as pernas estendidas, é preciso que o homem penetre com cuidado e faça movimentos circulares, sem forçar muito o vaivém. Ao tentar posições específicas que atinjam o fundo da vagina, há o risco de sentir dor no colo do útero.

PONTO U

Como achar: fica ao redor da uretra, o canal por onde sai a urina, entre o clitóris e o canal vaginal. É uma região que apresenta um tecido erétil bastante sensível. Nesse lugar estão as glândulas uretrais, também conhecidas como glândulas de Skene, que ajudam a ativar a lubrificação e a preparar para o clímax.

Como estimular sozinha: dá para sentir a área com a pontinha do dedo, mas tome o cuidado de não tocar no clitóris, para não confundir as sensações. Como é uma região bem sensível, é importante lubrificar bem o dedo antes de partir para as carícias solo.

Na hora do sexo: o ponto U é o melhor amigo das preliminares, principalmente da sessão de sexo oral. O parceiro deve acariciar ao redor de todo local com a ponta da língua enrijecida, sutilmente. Um gel beijável próprio para isso facilita a experiência. Depois, pode acariciar com o dedo ou usar a glande, a cabeça do pênis, para excitá-la. Movimentos circulares com a língua em volta da uretra, seguindo até a portinha de entrada do canal vaginal e deixando as lambidas no clitóris para o final, também podem proporcionar um enorme prazer.

Fontes: Carla Cecarello, psicóloga, sexóloga, consultora do site C-Date e fundadora da ABS (Associação Brasileira de Sexualidade); Johnata Dacal de Paula, ginecologista da clínica Mais Excelência Médica, em São Paulo; Nelly Kim Kobayashi, ginecologista e sexóloga, de São Paulo; e Tatiana Presser, psicóloga, sexóloga e autora do livro "Vem Transar Comigo" (Ed. Rocco).

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