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Quem é Greta, jovem de 16 anos indicada ao Nobel e que bate Obama na web

De acordo com Google, buscas pelo nome da jovem de 16 anos ultrapassou a de Barack Obama nesta semana - Lionel Bonaveture/AFP
De acordo com Google, buscas pelo nome da jovem de 16 anos ultrapassou a de Barack Obama nesta semana Imagem: Lionel Bonaveture/AFP

Natália Eiras

De Universa

20/09/2019 17h27

O epicentro da paralisação global pelo clima, que acontece nesta sexta 150 países incluindo o Brasil, tem nome, sobrenome e poucos anos de vida: Greta Thunberg, 16 anos. A jovem sueca foi o pontapé para o "Fridays For Future" (Sextas-feiras pelo futuro) ao faltar na escola e sentar-se na porta do Parlamento sueco com um cartaz simples, pedindo medidas concretas para combater o aquecimento global, em 2018. Um ano depois, a adolescente foi indicada ao Nobel da Paz e está bombando na internet, de acordo com monitoramento feito pelo Google, mais do que o popular ex-presidente dos EUA Barack Obama.

Em agosto do ano passado, a imagem de uma menina de trancinhas sentada solitariamente começou a rodar o mundo. De acordo com o "New York Magazine", Greta era uma garota tímida e de poucos amigos que ficou profundamente chocada ao ver imagens das consequências do efeito que estudava em uma aula de geografia.

Greta Thunberg participa de manifestação durante greve global pelo clima em Nova York, nesta sexta-feira (2) - TIMOTHY A. CLARY/AFP
Greta Thunberg participa de manifestação durante greve global pelo clima em Nova York, nesta sexta-feira (2)
Imagem: TIMOTHY A. CLARY/AFP

O manifesto silencioso inspirou inicialmente adolescentes da Suécia, que começaram a faltar às aulas para acompanhá-la. "Primeiro eu estava sozinha, mas comecei a publicar no Twitter e no Instagram e as pessoas começaram a me acompanhar", disse ela para a rede "CNN". O posto foi deixado por Greta após ela receber convites para falar com líderes mundiais como Obama, com quem fez uma foto na última terça-feira.

Além do ex-presidente norte-americano, a adolescente já discursou na Conferência do Clima da ONU, em dezembro, e no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em janeiro. Neste evento, ela dividiu as atenções com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL). Em Davos, ela fez um dos 12 discursos de sua vida, o bastante para gerar uma coletânea chamada "Ninguém é jovem demais para fazer a diferença", da editora Penguin Books.

Há três semanas, Greta desembarcou em Nova York para participar da conferência do clima em Nova York. Ela atravessou o Atlântico em um veleiro, já que não viaja de avião por causa da emissão de carbono. Nesta sexta-feira, a cidade foi tomada por manifestantes. "Tudo isso é muito impressionante. Desculpe-me, o meu cérebro não está funcionando direito", falou à imprensa.

Greta se encontrou com Barack Obama na última terça-feira (18), em Nova York - Obama Foundation/Reuters
Greta se encontrou com Barack Obama na última terça-feira (18), em Nova York
Imagem: Obama Foundation/Reuters

Apesar de carismática, Greta não é muito fã de multidões. Quando criança, a adolescente foi diagnosticada com síndrome de Asperger, um tipo de autismo. Segundo ela, o diagnóstico é um trunfo a seu favor. "Isso significa que meu cérebro funciona de um jeito diferente. Eu vejo as coisas em preto e branco, com lógica. Se eu não fosse tão estranha, teria me distraído com o jogo social que as pessoas fazem. Sou o tipo de pessoa que não gosta quando alguém fala uma coisa e faz outra. E esse é o caso com as mudanças climáticas."

No discurso no Fórum Econômico Mundial, Greta foi mais incisiva sobre qual é o seu papel no debate sobre mudanças climáticas. "Costumam dizer que jovens dão esperança. Não estou aqui para te deixar esperançoso, para te fazer entrar em pânico", disse.

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